Esta foto de autoria do grande repórter fotográfico Adão Nascimento encerra um mistério. O assunto: a primeira entrevista à imprensa do general que iria ser o segundo presidente do ciclo militar, Arthur da Costa e Silva, já fora do cargo de ministro da Guerra (nome de então do Ministério do Exército, que depois também desapareceria).

Na sucursal de Brasília, como repórter do Estadão que cobria, entre outros, os ministérios militares, participar da entrevista, junto a meia dúzia de colegas, constituía um feito considerável para quem tinha pouco mais de um ano de profissão e seis meses de jornal, como eu.

A entrevista teve como palco a residência oficial do ministro no Setor Militar Urbano, residência oficial, uma casa térrea, impessoal, com um pequeno jardim na frente. A foto aí está, para comprová-la. Mas a entrevista… desapareceu!

Infelizmente não a incluí entre meus guardados, sabe-se lá por que — uma vez que, até então, fora sem dúvida a tarefa de maior relevo que me coubera como jovem jornalista. E nunca consegui recuperá-la. Sim: jamais, a despeito de todos os esforços possíveis e imagináveis, logrei localizá-la na coleção do jornal. Cheguei a contratar uma jovem jornalista, pagando-a para pesquisar pacientemente a coleção na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, abrangendo um período de meses daquele ano de 1966 e… nada.

Acredito que a entrevista haja ocorrido no dia 1º de julho de 1966, uma vez que Costa e Silva deixou o ministério na véspera, desincompatibilizando-se do cargo para poder ser “candidato” a presidente pelo partido do regime militar, a Arena, no Colégio Eleitoral, em eleição indireta cujo resultado o país inteiro já sabia qual seria.

Quem assegurou que somente os repórteres que cobriam o Ministério da Guerra em Brasília fariam a entrevista — cobiçada por todos os figurões da imprensa — foi um integrante da área de Relações Públicas do gabinete do ministro, o então tenente-coronel Oswaldo Muniz Oliva, futuro general-de-Exército e comandante da Escola Superior de Guerra.

E lembro-me muito bem de que o coronel Oliva esforçou-se ao máximo para que o primeiro ato do general-candidato — àquela altura já na reserva como marechal — seria, justamente, a entrevista.

Na foto, da esquerda para a direita, eu, pelo Estadão, Manuel Perez, da Folha de S. Paulo, Luiz Menezes, da agência UPI, e João Emílio Falcão, do Jornal do Brasil.

(Para ler post contando a história da entrevista, clique aqui).

DEIXE UM COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

quinze − 8 =

TWITTER DO SETTI