Já escrevi sobre eles em outro post mas, se você não leu, recapitulo aqui.

Jorge Faria de Souza (no meio da foto) e Waldir Carolino Dantas (à esquerda, estendendo a mão para o jovem repórter) são figuras inesquecíveis para mim.

Jorge era tecnicamente motorista, atividade registrada em sua carteira de trabalho e que de fato exercia, espalhando seu bom humor e suas ótimas histórias por onde passava.

Ocorre que, inteligentíssimo e perspicaz, rapidamente adquiriu faro e traquejo de repórter e dispunha de uma relação de contatos de provocar inveja em grandes repórteres.

O segredo: a Jorge cabia a incumbência de entregar, em uma kombi, os exemplares de cortesia do jornal a ministros, ministros dos tribunais superiores, senadores, deputados e outras autoridades. Simpático, envolvente, conversador, ele não demorou para estabelecer um rapport direto com meia república.

Quase todo dia trazia para a sucursal alguma novidade. Apurada com mais detalhes, virava notícia no jornal do dia seguinte. Tornou-se a tal ponto bem informado que, mantendo o emprego de motorista no Estadão, passou a assinar uma (boa) coluna de notas políticas em um jornal de Goiânia, sua terra.

Tão inteligente quanto era o contínuo Waldir. Sua atividade modesta não o impedia de ser um leitor voraz e um interlocutor muito interessante. Sempre que, a cada quinzena, ia receber o envelope com seu salário, por exemplo, ele costumava comentar:

— Vou buscar meus esparcos proventos.

Sorrindo, malicioso, eEle sabia perfeitamente que inventara uma palavra, pois considerava seus “proventos” parcos, ou seja, poucos, e, ao mesmo tempo, eles eram esparsos — só se pagavam a cada 15 dias.

Outra dele, inesquecível, depois de um mês de férias:

— Settinho (era assim que me chamavam), voltar das férias é kafkiano.

– See more at: http://www.ricardosetti.com/fotos/1966-_-12-dezembro-_/#sthash.tUvcyn1q.dpuf

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