O “Rei do Ritmo”, Jackson do Pandeiro, se foi há 30 anos. Saiba por que ele fez jus ao título

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Jackson do Pandeiro, o Rei do Ritmo (Foto: Sesc Santo André)

Por Daniel Setti

Foi no último dia 10 o 30º aniversário da morte de  José Gomez Filho, muito mais conhecido como Jackson do Pandeiro. O pseudônimo foi inspirado nas estrelas de cinema do anos 1940 – “todos se chamavam Jack”, contava Jackson – e, claro, no inseparável instrumento, o pandeiro.

Entre 1953, quando gravou os compactos “Forró de Limoeiro” (Edgar Ferreira) e “Sebastiana” (Rosil Cavalcanti), e sua morte por embolia pulmonar e cerebral em 1982, em Brasília, o baixinho nascido em Alagoa Grande, interior da Paraíba, criaria uma obra que lhe credenciaria como um dos grandes nomes da música brasileira. Não compôs a maioria de seus sucessos, mas quase sempre as versões que registrava para as canções de terceiros eram consideradas as definitivas.

Maestro da métrica e do improviso

Jackson também justificaria, nestas três décadas de carreira, o apelido presente desde o mítico LP de estreia, Sua Majestade, O Rei Do Ritmo (1954). A alcunha vinha não apenas das irresistíveis levadas usadas por Jackson nas gravações – baião, baião e xaxado, entre outros grooves nordestinos – mas sobretudo de sua habilidade única em encaixar ritmicamente letras nas músicas, e de alterar livremente esta divisão métrica em incríveis improvisos.

Guardadas às grandes diferenças estilísticas, ele brincava com o uso da voz de maneira parecida com que João Gilberto fazia ao cantar bossa nova, ou Jorge Ben ao entoar seus samba-rocks.

Uma qualidade que, aliada a um repertório de refrões infalíveis  – como ignorar o “A, E, I, O, U, Ipslon” de “Sebastiana” ou o “Este jogo não pode ser um a um”, de “Um a Um” (Edgar Ferreira), tema da Copa de 1954? – e letras ricas e engraçadíssimas –  “Como Tem Zé na Paraíba”, de Catulo de Paula e Manezinho Araújo, “A Mulher que Virou Homem”, dele com Elias Soares, por exemplo -, contribuíram decisivamente para a grandiosidade do legado de Jackson.

Em seu 9º LP, Jackson com a mulher e parceira, Almira

Fãs famosos e pouco reconhecimento

O paraibano também colecionou admiradores famosos. Chico Buarque, Gilberto Gil, Gal Costa, Os Paralamas do Sucesso e Lenine são alguns dos artistas brasileiros que, em algum momento da carreira, regravaram suas canções ou prestaram-lhe homenagem. Eles participam, por exemplo, do CD Jackson do Pandeiro – Revisto e Sampleado, de 1998, com releituras de pérolas de seu song book.

Abaixo, pequena amostra do talento do Rei do Ritmo, apresentado o hit “Chiclete com Banana” (de Almira Castilho, que foi sua esposa, e o comediante Gordurinha), de 1959, com seu inconfundível chapéu coco, no Fantástico, da TV Globo, em 1978. Para mais canções e entrevista, na qual o mestre relembra a infância pobre e reclama de falta de reconhecimento de público e gravadoras, assistam às partes 1, 2 e 3 de edição  de 1973 do lendário programa Ensaio, da TV Cultura.

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1 comentário

  • Marco

    Dom Setti; Daniel, sem dúvida um ritmo de energia simples e tvz insubstituível!
    Abs.