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Standstill, a partir da esquerda: Piti Elvira, Ricky Falkner, Enric Montefusco e Ricky Lavado (Foto: divulgação)

Por Daniel Setti

Sim, os espanhóis sabem fazer rock de qualidade. Ou ao menos é a esta conclusão que chega alguém exposto a Standstill pela primeira vez.

Fundado em 1997 em Barcelona, o grupo já teve várias formações, todas devidamente detalhadas no excelente documentário Diez Años y una Zanahoria, de 2007 (hilariamente narrado por mães de integrantes), e sempre orbitando ao redor do intenso e brilhante cantor e compositor Enric Montefusco, 34.

Nos primeiros álbuns, The Ionic Spell (2001) e Memories Collector (2002), as letras das canções falavam a mesma língua do nome da banda, o inglês, e o som era bastante pesado, consonante com o hardcore mais experimental feito nos EUA nas décadas de 1990 e 1980.

Pulo do gato

A combinação servia bem de cartão de visita a outros mercados europeus, mas o pulo do gato artístico se daria em 2004 – época em que os catalães já abriam o leque e colaboravam com trabalhos teatrais -, quando Enric passou a compor em espanhol.

O disco Standstill selaria a nova fase, já bastante menos ruidosa e sensível a influências que iam do folk inglês ao krautrock alemão, passando pelo flamenco. A consagração no meio indie se daria dois anos depois com o esplêndido Vivalaguerra, escolhido por boa parte da imprensa roqueira local como o melhor da década.

“Radiohead ibérico”

Pelo respeito da crítica e a devoção de um público fiel e apaixonado, a capacidade de trânsito tanto em galerias de arte como grandes casas de show, a criação de seu próprio selo (Buena Suerte) e a ética de fazer tudo com seu próprio jeito (a su puta bola, como diriam na Espanha), o Standstill ganhou uma espécie de status de “Radiohead ibérico”, guardadas as muitas diferenças estilísticas – e de conta bancária – com o quinteto de Oxford.

Inebriados pela ambição dos grandes, apostaram alto. E acertaram em cheio com Adelante, Bonaparte, de 2010, trabalho conceitual em três partes lançado no formato EP triplo em vinil. Uma bolacha bem recheada sobre as andanças de um personagem fictício (Bonaparte) daquelas de se escutar repetidas vezes para assimilar cada detalhe.

Abaixo, o Standstill – oficialmente um coeso quarteto, mas que ao vivo conta com o reforço de um multi-instrumentista extra – mostra “Adelante, Bonaparte (I)”, primeira das duas versões da canção que dá título ao álbum e é seu epicentro. Gravado em Viladecans, Catalunha, como parte da turnê Rooom, com o qual viajou pela Espanha após o lançamento. Para assistir ao espetáculo completo, clique aqui.

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2 Comentários

Reynaldo-BH em 14 de novembro de 2011

Daniel , DE VOLTA! Penssou que fui, fingi que ia, e não fumos! Retornemos! Hehehe. Vamos continuar nossa batalha atávica da nobre Península Ibérica? Veio você co este grupo Fantástico, que não conhecia! Marcado nos favoritos! Vou com o The Gift (esteve no Brasi, até em BH! UMA MARAVILHA!) de Portugal. Cantam em inglês. Vai aí My Sun. Rock puro! Abraços e o melhor de viajar é voltar! (Mesmo que cheiio de blue rays e DVDS na bagagem!) HEHEHE! Abração http://www.youtube.com/watch?v=UBP5kPBq578 Bem-vindo de volta, caro Reynaldo. E valeu por mais esta dica. Um abraço, Daniel

Ismael em 11 de novembro de 2011

Gosto muito do Chambao, que faz um canto flamengo moderno. Ainda existe? Me parece que não. Fazia muito sucesso na Espanha o Chambao. Numa linha diferente, bem mais pop. Abraços

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