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Caça à raposa, esporte de aristocratas do Reino Unido: proibido em novembro 2004, e agora pode voltar

O governo trabalhista britânico conseguiu em 2004 que o Parlamento banisse a caça à raposa — tradicionalíssimo esporte de nobres e aristocratas do Reino Unido desde o século XVI –, mas é bem possível que o novo governo conservador-liberal do primeiro-ministro David Cameron, no poder desde maio, tente revogar a lei.

Embora a prioridade agora seja a crise econômica, vários figurões conservadores, em nome das “liberdades individuais”, se opuseram desde o começo ao Hunting Act de novembro de 2004 que, por alguma excentricidade britânica, entreou em vigor precisamente no dia 18 de fevereiro do ano seguinte.

Só que raposas de outro tipo entraram no dia-a-dia britânico: raposas urbanas. Recentemente, em plena Londres, uma das maiores e mais ricas cidades cidades do planeta, uma raposa entrou na casa de um casal, no bairro de Hackney, e atacou duas bebês gêmeas enquanto os pais assistiam televisão. Uma delas feriu-se gravemente, mas sobreviveu.

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Autoridades sanitárias acreditam que só Londres abriga 25 mil raposas

As raposas tradicionalmente são refratárias à aproximação com seres humanos e raramente atacam pessoas, mas especialistas acreditam que o processo de urbanização levou a que os animais próximos a centros urbanos fossem se adaptando e se tornando cada vez mais ousados.

A questão da raposa não é irrelevante no Reino Unido: uma em cada seis vive em cidades, e as autoridades sanitárias acreditam que só Londres — acreditem — abriga 25 mil desses bichos.

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6 Comentários

Riva Mendes em 09 de novembro de 2010

Bom dia! O movimento de defesa animal da Inglaterra é dos mais fortes e antigos do mundo, com 200 anos de história completos em 2009. Mesmo assim a luta das ongs pela proibição foi árdua, houve três tentativas recusadas pela Câmara dos Lordes desde 1997. Apesar do escarcéu no dia, com direito a fogueiras, alto-falantes e pessoas feridas, provocado pelos ruralistas (havia famílias inteiras com crianças de camisetas a favor da caça, e veterinários), a lei teve 356 votos a favor e 166 contra. Parece que o lobby das ongs foi forte e a campanha muito bem feita (envolvendo a barbárie de colocar animal contra animal), tanto que houve aprovação maciça da sociedade inglesa. Assim parece que dificilmente a caça à raposa voltará. O relato da votação foi dado pela Elisabeth Mcgregor da WSPA-Brasil e tb, neste ano, foi publicado matéria no site da ANDA - Agência Nacional dos Direitos Animais. (Pois é Ricardo, eu sou adepta do movimento.) Abraços.

Angelo Losguardi em 08 de novembro de 2010

ABSURDO. Não há justificativa pra isso, ainda mais em um país rico. Gostam tanto de jogar dinheiro fora, financiar ONGs vigaristas no terceiro mundo, etc, por que não acompanhar e controlar a população desses animais de forma não cruel? Eles podem ser cadastrados, castrados, etc. Há várias forma de monitoração (até por chip). Só não fazem se não houver vontade política (quem diria falar uma coisa dessas da Inglaterra).

Lílian em 08 de novembro de 2010

Setti, Caça a raposa, certamente há o período permitido pela Lei. O ser humano, ao destruir (ou estar destruindo) o meio ambiente, promove a “invasão” dos animais às cidades; a comida está no lixo: da residência, dos restaurantes, das rodoviárias, etc. O “convívio” inclui riscos à saúde. Nos Estados Unidos um homem é atacado por uma raposa no meio da rua. Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=x-2k61VKEJQ Como aqui no Brasil, um assunto vai “puxando” outro: A raposa vermelha é tema de: desenhos infantis (Disney), da fábula atribuída a Esopo: a raposa e as uvas e até de música, Reginaldo Rossi: a raposa e as uvas. http://www.youtube.com/watch?v=H1v4DNui7k8 Abraços!

Mike em 08 de novembro de 2010

Bebê é substantivo masculino! Não existe isso de a bebê, a nenê, a neném! É feio e a gramática ainda não admite. http://dic.busca.uol.com.br/result.html?t=10&ref=homeuol&ad=on&q=beb%EA&group=0&x=8&y=14

Frederico Hochreiter/BH em 08 de novembro de 2010

Legal o tema abordado, Ricardo. Pode parecer bobagem, irrelevância, mas a caça às raposas é uma tradição cultural inglêsa que não vai sumir por decreto. A informação de que Londres tem 25 mil raposas é outra coisa que ninguém poderia imaginar. Agora, a caça em sí é cruel, sangrenta, estúpida. Os métodos poderiam ser outros sem perder a beleza estética de que a fotografia que ilustra seu post é um exemplo. É cruel mas convenhamos que a coreografia, o colorido, os efeitos de som, são fantásticos.

Iago José em 08 de novembro de 2010

Caro Ricardo, tudo bom? Gosto do seu blog por conta da variedade de posts que giram sempre em torno das sociedades, muito bacana! Bem, acredito que com este número de 25 mil raposas, a caça deve ser permitida para fins de controle da espécie, apenas. Claro que estou abordando isso sem embasamento técnico, não sei ao certo se com este número esta caça já poderia ser tratada desta maneira. Bom, quanto ao esporte dos nobres, não é de hoje que vemos estes hobbies por aí. Cabe ao governo decidir. Se a decisão for favorável aos aristocratas, Londres vai ter sérios problemas com o terceiro setor de proteção animal - mundial. Abraços, Espero que tenha gostado do meu blog, amigo! http://joseiago.blogspot.com Caro Iago, Seu blog é legal, sim. Parabéns. Quanto a seu comentário, a liberação da caça não vai resolver o problema criado pelas raposas urbanas. A caça com cães -- este é o núcleo da proibição de 2004 -- era feita a raposas selvagens, no campo. As raposas urbanas, adaptadas às cidades, não têm como ser caçadas como esporte. As que são apreendidas pelas autoridades sanitárias vêm sendo encaminhadas a zoológicos. Abraços e obrigado pelos elogios ao blog.

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