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A mão da censura não é exclusividade síria

Utilizando os péssimos exemplos de ditadores que no ano passado recorreram ao corte da internet em seus países para dificultar a divulgação dos conflitos da chamada Primavera Árabe no Egito e na Líbia, o regime sírio sanguinário de Bashar al-Assad bloqueou, na última quinta-feira (29 de novembro) o acesso de seus cidadãos à rede, medida que vigorou por pelo menos dois dias.

Após mais esta deplorável iniciativa do governo do país árabe, que continua em sua empreitada assassinada contra grupos opositores, a empresa americana Renesys, dedicada ao estudo de problemas online, divulgou um interessante – e alarmante – estudo.

Descentralização: a chave da sobrevivência

O levantamento indica que um total de 61 países do mundo, incluindo a Síria, são extremamente vulneráveis ao corte total da internet, uma das ferramentas supostamente mais potentes no exercício da liberdade de expressão.

“A chave para a sobrevivência da internet é a sua descentralização – algo que não é uniforme ao redor do mundo”, diz trecho da nota de apresentação do estudo.

Sendo assim, faz sentido a abundância no ranking de ou países muito pequenos, onde de fato existem uma ou duas empresas com licença oficial para controlar o funcionamento da rede (um série de ilhotas caribenhas ou índicas, ou microestados como Vaticano e Mônaco), ou então de países dominados por governos ditatoriais ou autoritários (os previsibilíssimos Cuba e Coreia do Norte comparecem, ao lado de dezenas de países africanos, e mais a trinca sul-americana República da Guiana-Guiana Francesa-Suriname, entre outros).

“Sob tais circunstâncias, é quase trivial para um governo emitir uma ordem que bloqueie a internet”, lê-se em outra parte do comunicado da Renesys, que também alerta para o baixo teor de segurança da rede nestes próprios países: “é claro que este nível de centralização também torna mais difícil a defesa da infraestrutura da internet nacional contra um determinado oponente”.

Critérios

A seguir, reproduzo o mapa da vulnerabilidade de internet nos países do mundo, de acordo com o estudo. Os critérios para as quatro diferentes categorias determinadas pela Renesys são os seguintes:

Países com cor verde-escura: os mais frágeis, têm uma ou duas empresas controlando o tráfego internacional de conteúdo para internet

Países com cor verde: possuem menos de dez destas empresas, o que corresponde a um risco significante. Nossos vizinhos Bolívia, Paraguai e Uruguai marcam presença.

Países com cor verde-água: com entre dez e 40 empresas, apresentam pouco risco. Faixa que inclui desde países sem incidências graves de liberdade de expressão, como o Chile, ao gigante China, onde isso é um dos principais problemas.

Países com cor branca: são os que podem se considerar livres de riscos, por possuírem mais de 40 empresas. Brasil, Argentina, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Rússia e a maioria da Europa fazem parte do grupo.

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O gráfico de risco para a internet em cada país (Fonte: Renesys)

Abaixo, a lista dos 61 países com sérios riscos de queda de internet:

Andorra

Anguilha

Armênia

Aruba

Barbados

Bonaire, Santo Eustáquio e Saba

Butão

Chade

Comores

Coreia do Norte

Costa do Marfim

Cuba

Djibuti

Dominica

Etiópia

Gâmbia

Granada

Groelândia

Guadalupe

Guiana

Guiana Francesa

Guiné

Iêmen

Ilha Norfolk

Ilhas Aland

Ilhas Cook

Ilhas Faroé

Ilhas Marshall

Ilhas Salomão

Jersey

Lesoto

Líbia

Mali

Mauritânia

Mônaco

Myanmar

Nauru

Polinésia Francesa

República Centro-Africana

República de Palau

Reunião

Saint Martin (parte francesa)

Saint Pierre e Miquelon

São Cristóvão e Neves

São Tomé e Príncipe

Sint Marteen (parte holandesa)

Síria

Somália

Suazilândia

Sudão do Sul

Suriname

Território Britânico do Oceano Índico

Timor Leste

Tonga

Toquelau

Tunísia

Turcomenistão

Turks e Caicos

Uzbequistão

Vaticano

Wallis e Futuna

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5 Comentários

Pedro Luiz Moreira Lima em 05 de dezembro de 2012

Setti: Sem humor não se vive - Pelo seu erro CRASSO,de joelhos em espiga de milho. Se os meus forem corrigidos o castigo - deixa prá lá! Abração Pedro Luiz

Luis Santos em 05 de dezembro de 2012

Achei a avaliação absolutamente mal feita e ridícula. Países pequenos, mesmo com tradição democrática no acesso à informação, estarão marcado com "ruins" na avaliação porque sempre terão menos empresas envolvidas em função do seu tamanho. Mas um ranking mundial, como tantos outros, não servem pra nada.

Heber em 05 de dezembro de 2012

"Rato fotografado em Marte" pela sonda americana! Não pensei que Lula ia se esconder tão longe.

will.i'm.not em 05 de dezembro de 2012

Ual...Essa tal de Comissão de Ética Pública (sic) da Presidência da República deixa qualquer um assustado, franklinamente nas cordas - do cabungueiro do Palácio ao Luiz Ignácio, o que não é o mesmo, mas é igual. Agora os bobos inventaram de interpelar Rosemary, a amante de Lula que armou esquema de assalto aos cofres públicos. A morena deve estar com todos seus fartos pelos, que deixaram louco o Apedeuta, totalmente "arrupiados".

Sergio em 04 de dezembro de 2012

corrige o TRÁFEGO do "tráfico internacional de conteúdo para internet" obs: não precisa publicar Obrigado pelo toque, caro Sérgio. Se bem que o conteúdo da internet às vezes representa tráfico, mesmo, hahahahaha... Mas, falando sério, obrigado. E publico sem problemas seu comentário: não há nada demais em expor aos demais leitores que, aqui e ali, erro, sim, e agradeço aos leitores que me corrigem. No caso foi uma distração boba, mas um erro crasso. Um abração!

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