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Metheny à frente da Orchestrion: instrumentos-robôs (Foto: Wired)

Por Daniel Setti

A edição de hoje do Música no Blog deve interessar a quem atentou para outros posts sobre cientistas malucos da música, como a islandesa Björk e o brasileiro Arthur Joly,

Goste-se ou não da música de Pat Metheny, este americano de Lee’s Summit, Missouri é aclamado como um dos grandes guitarristas do jazz menos ortodoxo desde o início de sua carreira, em meados dos anos 1970. Metheny, 57, destaca-se também entre os músicos mais peculiares do gênero, principalmente por sua insistente recusa em repetir fórmulas.

E foi justamente por querer continuar inovando que, em 2007, encomendou a Eric Singer, especialista em criação de robôs ligado à empresa Lemur, um verdadeiro arsenal de 40 instrumentos musicais “autossuficientes”, que soassem, sozinhos, em função do que Metheny tocasse com sua guitarra.

Como assim?

“Eu tentei explicar este projeto escrevendo a respeito, falando a respeito, e ninguém tinha ideia do que eu estava querendo dizer”, diz Metheny em trecho de entrevista concedida no ano passado ao canal americano CBS.

Basicamente, o instrumento de seis cordas funciona como um acionador de sons MIDI, uma tecnologia digital que já é utilizada nos estúdios há três décadas. A novidade concebida pelo guitarrista e executada por Singer consistia em que este mesmo sistema MIDI serviria não apenas para imitar o som de outros instrumentos digitalmente, como de costume, e sim tocá-los, fisicamente.

É aí que entra a robótica, com a ajuda de mecanismos como os solenóides, parecidos com os utilizados em máquinas de lavar (alguns instrumentos contam com 50 deles). Tal qual em um gigantesco laboratório do Professor Pardal, os dispositivos criados por Singer acionam as teclas de um piano, a pele de uma conga, o prato de uma bateria, o que for. Todos “lendo” a informação musical enviada pela guitarra de Metheny, numa enigmática mistura entre as sutilezas humanas e a frieza, precisão e disciplina das máquinas.

Assistam à demonstração desta “orquestra-robô” em ação, com explicações de seu autor:

“Mesmo que você queira que os instrumentos soem exatamente igual a cada vez que os toque, isso não acontece”, afirmou Metheny à revista americana Wired. A mecânica, o timing e a acústica do local onde se encontram influem na música obtida.

A orquestra de um homem só, em disco

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A capa de “Orchestrion”

No âmbito artístico, o resultado do experimento é o álbum Orchestrion, lançado no ano passado. Assistam abaixo a íntegra do programa da CBS, durante o qual ele explica mais sobre a “geringonça” e a opera, mostrando canções do disco.

Sem poder contar, ao vivo, com o recurso dos overdubs dos estúdios – gravar um instrumento por vez, mesmo que todos fossem “comandados” por sua guitarra – o músico recorre ano palco a pedais de loops (repetição de sons) e outras ferramentas eletrônicas para construir, pouco a pouco, a massa sonora de uma verdadeira orquestra de um homem só.

Música no Blog conferiu Metheny no L’Auditori, em Barcelona, na semana passada, acompanhado do baterista Bill Stewart e do contrabaxista Larry Grenadier, ambos impecáveis, e atestou: a parafernália impressiona.

Mesmo sendo utilizada em apenas duas canções do repertório – o atual show já não integra a turnê de Orchestrion, realizada em 2010. A fanfarra sonora-motora, que inclui um kit percussivo formado por garrafas afinadas entre si, passa a maior parte do espetáculo coberta por panos, sendo apresentada ao público, boquiaberto, no final.

Já seria de cair o queixo se a música de Pat fosse simples, feita com duas ou três notas. Com a quantidade de informação sobrepostas das composições de Orchestrion, soam bastante intrigantes e diferentes de praticamente tudo já composto.

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6 Comentários

Matheus em 03 de dezembro de 2011

Daniel, o Seu Jorje já gastou 2 mi em Carros, acho q ele gosta muito de burguesinhas ! Hehehe, parece que sim. Um abraço, Daniel

Matheus em 03 de dezembro de 2011

Daniel tu não acha q o Pe Lanza do Restart é o maior pegador do Brasil. Não faço a menor ideia, Matheus. Mas se você diz, deve ser. Um abraço, Daniel

Marco em 03 de dezembro de 2011

Amigo Setti: Daniel, me permite fazer um merchandising, aqui no RS, tem um excelente promoter aqui chamado Fernando Viera, q promove todos os anos a Festa nacional da música, inclusive tem site. Tbm programa Zoom na TV Pampa, um grande cara. E tem outro grande Cara, chamado Gustavo Victorino, um belo radialista e com excelente gosto musical, a turma dos blogs estatizados não largam do pé dele. Mas um grande cara ! Está feito são da TV Pampa. Abs. Maravilha, Marco. Obrigado. Vou conferir, assim que der. Um abraço, Daniel

Reynaldo-BH em 03 de dezembro de 2011

Daniel, ainda prefiro o Pat Metheny das antigas... Sem tanta necessidade de ser "revolucionário". Até a fase intermediária, entre um estilo e outro, produziu algumas masterpieces. Last Train Home, é uma delas. http://www.youtube.com/watch?v=1g6nPYyIS_I Mas hoje, sabadim chuvoso cá na mata onde me escondo, dia de jazz e de novidades. Nem tão novas, mas... Segue um link do duo BOY (Valeska Steiner e Sonja Glass) que na simplicidade, estão produzindo música de boa qualidade. http://www.youtube.com/watch?v=ctgLh7ekE1s Tenho uns cd´s delas (comprados nesta última viagem) e hoje é dia de ouvi-los. Pena que o cachorro engarrafado ficará preso na garrafa.. Hehehe. Abraços e bom FDS. Puxa, Reynaldo, que crise esta do cachorro engarrafado, hahaha. Do Metheny eu gosto de um disco com o Roy Haynes e o Dave Holland, e também um bem do comecinho da carreira dele, com o finado Jaco Pastorious e o Paul Bley. Obrigado pela dica. Um abraço, Daniel

Mel, Gabi e Carlos em 03 de dezembro de 2011

...maravilha Ricardo e Daniel! Sou fã do Pat desde os anos 70, viajei com ele e acompanhei um pouco da sua vida de perto , e é realmente um músico especial ,um Ser Humano simples e apaixonado pelo Brasil. Obrigado pelo post com essa novidade sobre ele. É um prazer acompanhar vc Ricardo! abração mgc O prazer é meu de ter leitores assim. Tive a sorte de ir com o Daniel ao show do Pat Metheny, e nos sentamos na primeira fila. Genial! Nunca o tinha visto de perto. Um abração

Marco em 02 de dezembro de 2011

Amigo Setti:Daniel, legal surtiu efeito ! Rapaz é verdade q o Michel Teló é o novo sucesso popular aí na Espanha. Aí é prá matar ! Abs.

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