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A Colômbia não aguenta mais os bandidos das Farc

Vinha eu de carro para a redação de VEJA.com e ouço o noticiário da Rádio CBN: “As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia”, dizia o texto , realizaram um ataque na localidade de Tibú, no departamento (estado) de Santander do Norte, 470 quilômetros ao noroeste de Bogotá e perto da fronteira com a Venezuela que resultou na morte de três policiais, ferimentos em um e o desaparecimento de um outro.

Gosto da CBN, principalmente do âncora Carlos Alberto Sardenberg, disparado o melhor do rádio brasileiro – e que, por sinal, nada tinha com essa notícia que ouvi.

Como assim, “Forças Armadas”? Quer dizer que esse grupo terrorista, composto de assassinos, seqüestradores, torturadores, ladrões e traficantes de drogas são “Forças Armadas”, como, digamos, as do Chile ou da Espanha?

“Revolucionárias”? Será que o redator tem acompanhado a atividade desse bando criminoso que infelicita a Colômbia? O projeto político das Farc, se é que se pode chamar assim o objetivo de impor à força um regime stalinista na Colômbia, se perdeu há muito na poeira dos tempos. O que resta é um grande grupo de criminosos, cuja ação, por sinal, preocupa muito as Forças Armadas – estas sim, sem aspas – brasileiras.

O fenômeno de chamar, tranquilamente, esses bandidos de “Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia”, sem qualquer explicação ou qualificativo, não se restringe à CBN. Jornais, revistas e até a TV Globo, volta e meia, escorregam nisso. Certamente sem se dar conta, tratam os criminosos da narcoguerrilha colombiana como se fossem uma instituição.

Mas não custa lembrar: a primeira forma de combater o crime é chamá-lo pelo nome.

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11 Comentários

Alex em 17 de setembro de 2010

A banda podre da imprensa, aquela que vive dos negócios com o governo federal, não tem o menor pudor em assumir as posições que lhes são compradas. E, me parece, assim como a oposição ao governo tem se comportado, há parte da imprensa independente que se acanha em dizer o que pensa pelo simples fato de não estar alinhado com o pensamento do "grande guia" e seus cúmplices. A Veja tem sido uma peça de resistência à simbiose entre a estupidez e a vigarice que permeia o cenário político brasileiro. Os reforços à essa resistência serão sempre bem vindos.

JULIANO em 17 de setembro de 2010

Quem não vai gostar é aquele ministro do LULA que sempre defendeu as FARC

Beto gaúcho em 16 de setembro de 2010

Isso mesmo sr. Ricardo Setti, vão ver os estragos que eles fazem! Antes de mais nada, parabéns pela nova coluna e bem-vindo ao timaço da Veja.com!! Desejo muito sucesso ao amigo!! Obrigado pelas boas vindas, caro Beto. Espero que, quando possível, você visite também as seções que não tratam especificamente de política, mas “Vasto Mundo” (temas internacionais), “Tema Livre” (música, futebol, cinema, viagens etc) e “Bytes de Memória” (bastidores de reportagens e assuntos que não pude publicar por uma ou outra razão ao longo da carreira). Um abraço do Ricardo Setti

Sandra Mári Córdova D'Agostini em 16 de setembro de 2010

RIcardo. desculpe-me. Confundi as FARC com o MST. Sabe por que? a bandidagenm é parecida!

Sandra Mári Córdova D'Agostini em 16 de setembro de 2010

Pois é! Vc é um a mais a nos levar à reflexão!

Renata em 16 de setembro de 2010

Muito importante e oportuna sua obsevação! O bom de lermos bons jornalistas é que cada vem mais ampliam-se nossa visão!

Hugo Leandro Venturini em 16 de setembro de 2010

Concordo Ricardo. Lógico que se necessita cuidado, mas há um "entedimento", sei lá, na imprensa brasileira de "suavizar" o tratamento a certas coisas e isto me preocupa. Crime é crime e ponto, não importa quem, e em nome do que, o está cometendo . Lei existe e é para ser cumprida. Faço uma comparação com o nosso atual governo, por exemplo, que utiliza o termo "erro" para se referir aos crimes cometidos pelo partido e aliados, nitidamente para confundir a população, e a imprensa, de modo geral, excetuando alguns poucos jornalistas, endossa a tese. Concordo totalmente com você, caro Hugo. Obrigado pela visita. Volte sempre. Abraços do Ricardo Setti

Rafael SC em 16 de setembro de 2010

Muito bem salientado Sobre Forças Armadas, Sr. Setti, um abraço.

Marco Nunes em 16 de setembro de 2010

Perfeito!! Eu sempre pensei dessa maneira. Não entendo o porquê dos meios de comunicação chamarem esse bando de terroristas de Forças Revolucionárias! São criminosos e devem assim serem chamados! É uma pena que poucas são as vozes que se levantam contra os bandidos. E que bom que você é uma delas. Grande abraço do mais novo sobrinho (e, apenas respondendo a pergunta feita no outro post, sou sim sobrinho do Augusto Nunes, da coluna aí do lado...rs..) Valeu, caro Marco. Se você é sobrinho do Augusto, é meu sobrinho também, porque ele é meu irmão. E, de fato, precisamos chamar as Farc pelo que seus componentes são: criminosos. Abração do Ricardo Setti

Marco em 16 de setembro de 2010

Setti: Perfeita e honesta a classificação ! E isso q tu é um Lord e diplomata nas relações e eu continuo tentando. Abs. Obrigado, caro Marco. Volte sempre. Um abraço. Ricardo Setti

Walfrêdo Rodriguez Neto em 16 de setembro de 2010

Magistral este texto. Coragem é componente da indignação. Parabéns! Obrigado pelo comentário, caro Walfrêdo. Um abraço e volte sempre. Ricardo Setti

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