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Um dos 11 caminhões com a mudança do ex-presidente deixando o Alvorada

Depois que publiquei o post “Por desleixo e falta de educação, Lula atrasou sua mudança e deixou Dilma na Granja do Torto” (leia aqui), muitos leitores escreveram querendo saber quanto custou a mudança e por que o caminhão que aparece na foto – foram 11 caminhões ao todo os encarregados da tarefa – não trazia o logo da empresa.

Pois bem, o Palácio do Planalto informou que o custo da mudança do ex-presidente foi de 19.500 reais. Pessoalmente, acho até barato para transportar 1.402.417 itens — aí incluídos pertences pessoais da família, vídeos, presentes, cartas e uma infinidade de outros objetos.

A empresa foi a Granero, com sede em São Paulo. Presumo, mas não confirmo, que o logo foi retirado porque a Presidência não quis transformar a mudança em comercial da empresa.

A Granero avaliou o conteúdo que transportou de Brasília para São Bernardo do Campo em 500 mil reais. A empresa tem experiência no ramo de mudanças presidenciais: além da de Lula, foi encarregada das dos ex-presidentes João Figueiredo (1979-1985), José Sarney (1985-1990), Fernando Collor (1990-1992) e Fernando Henrique Cardoso (1995-2003).

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7 Comentários

Feliciano Dias em 27 de janeiro de 2011

Ricardo, O boato era verdade mesmo, saiu na Folha de 22 de janeiro. Em tempo, nada tenho a ver com o mercado de vinhos, só gosto de bebê-los de vez em quando e parece que o Estado vai prejudicar o nosso dia a dia. Como acho que a luta real do nosso tempo é Estado x Individuo, sempre tento resistir quando ele avança na nossa liberdade. Abraço e vai aí a matéria. Selo de fiscalização do vinho vai parar na Justiça Importadoras e pequenos produtores tentam reveter medida da Receita Etiquetas foram criadas contra comércio ilegal; indústria nacional diz que selo é importante para mercado do país GABRIEL BALDOCCHI COLABORAÇÃO PARA A FOLHA As importadoras e pequenos produtores de vinho no país estão tentando reverter na Justiça o selo de fiscalização exigido pela Receita. A medida, criada no ano passado como forma de combater o comércio de vinhos contrabandeados no país, entrou em vigor em 1º de janeiro deste ano. A regra, entretanto, não está valendo para as importadoras ligadas à Abba (Associação Brasileira de Importadores e Exportadores de Alimentos e Bebidas), que representa cerca de 45% do mercado de importados. Um mandado de segurança suspendeu a obrigatoriedade dos selos para as suas importadoras. Na decisão, o juiz da 21º Vara Federal, Hamilton de Sá Dantas, entendeu que as disposições "violam os princípios da razoabilidade e da livre iniciativa". A Abrabe (Associação Brasileira de Bebidas) entrou com pedido similar na Justiça de São Paulo. As associações argumentam que a colocação das etiquetas de fiscalização nos portos, como pede a Receita, é dificultosa. Segundo eles, haveria necessidade de contratar mão de obra adicional e também atrapalharia a movimentação de cargas. REFRIGERAÇÃO "O vinho é importado em contêiner refrigerado. No tempo em que fica fora, sua e pode mofar", explica o vice-presidente de vinhos da Abrabe, Ciro Lilla. As importadoras afirmam que o prazo para proibição de vendas sem selo em atacadistas e varejistas -1º de janeiro de 2012- geraria prejuízo. Segundo elas, a data é insuficiente para liquidar os estoques do produto. Pequenos produtores do Sul são contra o selo e também tentam reverter a obrigatoriedade na Justiça. Para eles, os problemas são os custos e a burocracia. A Uvifam (União Brasileira das Vinícolas Familiares e de Pequenos Vinicultores) estima custo adicional de 20% na colocação da etiqueta. "O selo é catastrófico para os pequenos produtores", diz o presidente da Uvifam, Luis Henrique Zanini. Os opositores da medida sugerem que ela tenha sido um movimento da indústria nacional para combater as importações. O Brasil importou 79% dos 81 milhões de litros de vinhos finos consumidos de janeiro a novembro no país em 2010. Na época do anúncio, a Receita indicou que a norma atendia um pedido do setor e que o volume de negócios não justificava a adoção dela no passado. "Não há números que provem um contrabando importante. E, se tiver, ele está em um mercado tão marginal que tanto faz ter o selo ou não", afirma Adilson Carvalhal Junior, da Abba. CONTRABANDO O presidente do Ibravin (Instituto Brasileiro dos Vinhos), Julio Fante, explica que a discussão do vinho se estendeu por cinco anos até a publicação da norma. "A Receita Federal estima em 15 milhões de litros (contrabandeados), mas eu entendo que é mais do que isso porque existem esquemas montados que trazem volumes significativos", defende. Para o presidente da Uvibra (União Brasileira de Vitivinicultura), Henrique Benedetti, o contrabando desestimula investimentos no setor. "Buscamos um mercado sadio. Precisamos que as regras sejam cumpridas. As ferramentas que nós dispomos para isso são poucas, e o selo é uma delas", reforça Fante. Obrigado pelo envio do material, caro Feliciano. Concordo totalmente com você em que a luta real do nosso tempo é Estado x indivíduo. O Vargas Llosa me disse em entrevista há muitos anos que, em sua opinião, "o Estado é o maior inimigo da liberdade", e por isso deve ser enxuto, fiscalizado e contido. Abração

Observer em 23 de janeiro de 2011

O que se vê aí é que foi utilizado um caminhão de terceiros, não um caminhão da empresa Granero. E, segundo a legislação, trafegando ilegalmente sem o adesivo obrigatório da ANTT onde constariam os dados do proprietário, leia-se o número ETC-Empresa de Transporte de Cargas ou, como sugiro pelos detalhes do caminhão ao observar a imagem, o número TAC-Transportador Autônomo de Cargas. Com esses dados qualquer brasileiro pode consultar os dados do transportador no site da ANTT. Até na mudança tem maracutaia.

Feliciano Dias em 21 de janeiro de 2011

É verdade Ricardo, pode ser só uma volta ao passado, mas parece que o numero de garrafas era menor e não vinham em containeres refrigerados que mantém a qualidade das bebidas, e nem nossos portos eram tão atravancados. Mas retrocesso é conosco mesmo. Obrigado pela atenção e nos conte mais histórias da Playboy e de outros bastidores. Quem agradece sou eu, caro Feliciano. E logo contarei mais histórias no Bytes de Memórias. A próxima não será de Playboy, mas também é interessante. Abração

Frederico Hochreiter/BH em 21 de janeiro de 2011

Realmente não foi caro, considerando-se o conteúdo. A empresa bem que poderia informar, também, quantos caminhões foram utilizados pelos outros presidentes.

Feliciano Dias em 21 de janeiro de 2011

Ricardo, O que mais gosto em sua coluna é que ela trata da vida. Nem de política, nem de esportes, nem de economia, de vida, simplesmente, simplesmente tudo isto. E assim, enquanto um dos caminhões de mudança, climatizado, transporta supostos grandes vinhos, que certamente serão desperdiçados, acho cabível falar de um assunto que poderia fazer parte do Febeapá que continua a nos assolar. Outro dia, conversando com um médio importador de vinhos em SP, ouvi dele uma história que me estarreceu pela estupidez que continha. Disse ele que a Receita decidiu que todos os vinhos importados deveriam ter um selo e que este selo custaria cerca de R$ 0,02 por garrafa. Até aí tudo bem, segue a lógica de que o gigantesco aparelho repressor do governo está voltado para os que andam na lei. No momento seguinte foi decidido que a própria Receita colocaria os selos, garrafa por garrafa! Os containers saem de seus países, refrigerados e ao chegar em nossos portos - os mais lentos do mundo - funcionários da Receita, pagos, e bem pagos, por nós, vão abrir todas as caixas desde o vinho de U$ 1o ao de U$ 1000 e colocar selos um por um em cada garrafa. Certamente arrumarão as caixas como estavam antes. E cobrarão por este meritório serviço ao bom senso, à qualidade do vinho, ao nosso bolso, R$ 2,00 por garrafa. Pode? Acho que deve haver algum engano nesta história, nossa Receita não pode ser tão estúpida para fazer uma coisa destas. Em resumo: vão usar nosso dinheiro - o dos salários - para deixar o vinho que compramos ( e que nos dá a sensação de nunca antesnestepaiz) mais caro e pior? Sem querer te fazer de Ouvidor Geral, dá para verificar o que existe de real nesta história maluca? Abraço Muito obrigado por suas boas palavras a respeito do blog, caro Feliciano. Quanto ao que você relata, bom, durante muitos anos as bebidas importadas eram assim -- seladas uma a uma pela Receita. Não estou a par do absurdo que você relata. Vou tentar investigar, mas não posso prometer. A quantidade de absurdos que me chegam todos os dias é tal que não dou conta... E não tenho uma equipe, propriamente dita, mas apenas uma valorosa e jovem jornalista que colabora comigo, e também trabalha para o site de VEJA, a Domitila Becker. Um abração e volte sempre.

flavio em 21 de janeiro de 2011

este custo de 19.500,00 mal cobre o oleo diesel dos 11 caminhoes, sem contar o custo de embalagem, caixas, etc.... entao, ou foi faturado POR FORA ou tem maracutaia e favorecimentos extras pra justificar. nenhuma transportadora de mudancas cobraria este preco que nao e de mercado e sim de FAVOR POLITICO, com absoluta certeza. E so conferir.

gaúcha indignada em 20 de janeiro de 2011

Quem pagou este valor? Será que foi o "cartão corporativo"? Alguém revistou o conteúdo dos caminhões que sairam do Palácio do Planalto? Quem pagou foi o governo federal, responsável, por lei, pela mudança.

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