Image
(Ilustração: marguitleah.com)

Há já mais de três décadas, os americanos estão cada vez mais gordos, e o sobrepeso aumenta a cada ano.

Os alemães estão cada vez mais gordos.

Os britânicos estão cada vez mais gordos.

Os australianos estão cada vez mais gordos.

Os neozelandeses estão cada vez mais gordos.

Os brasileiros estão cada vez mais gordos — especialmente os mais pobres, que ingerem mais carboidratos (comida mais barata, como arroz branco e uma infinidade de produtos feitos de farinha branca, como macarrão, e farinha associada ao açúcar, como biscoitos e bolachas) do que o necessário.

Agora, um estudo divulgado pela Federação Espanhola de Nutrição (FEN), com apoio de sociedades do setor e patrocínio de empresas privadas, acaba de mostrar que os espanhóis, a despeito das apregoadas virtudes de sua dieta mediterrânea (muito azeite de oliva, peixes, grãos e verduras, principalmente), vêm ganhando sobrepeso — 49,2% da população adulta estavam acima do peso indicado em 2003 e esse percentual elevou-se para 53,7% dez anos depois, no ano estudado, 2013.

Junto com o aumento de sobrepeso, porém, um dado desconcertante e preocupante: a ingestão de calorias dos espanhóis se reduziu em nada menos de 39,5% desde o ano de 1964, estando, atualmente (2013), no nível médio de 1.820 per capita nos adultos — quantidade que está abaixo do recomendado pelos médicos para todas as faixas de idade de homens e mulheres, exceto as crianças.

Segundo as autoridades sanitárias, não se pode continuar reduzindo a ingestão de energia. “Se isso ocorre, o organismo se adapta a gastar menos, o que pode afetar o metabolismo basal [as funções básicas do corpo]. “Com pouca quantidade de energia”, diz o presidente da FEN, Gregorio Varela-Moreias, “custa mais incorporar a meia centena de nutrientes essenciais ao corpo, sobretudo vitaminas e sais minerais”.

Varela-Moreias explicou ao jornal El País que consumindo 2.500 calorias diárias um adulto “pode comer de tudo”, sempre que exerça alguma atividade física que permita que se “gaste” energia.

O interessante é que, no caso espanhol, não são os carboidratos os responsáveis pelo sobrepeso, porque a média da população ingere menos calorias dessa fonte de alimento (41,4%) do que recomenda a Agência Europeia de Segurança Alimentar, que é 50% do total diário. O que ocorre é que na Espanha se consome proteína demais — 17% em média por adulto por dia, quando não poderia passar de 10% — e mais gordura do que o recomendado (37,9%, acima do máximo que se deveria ingerir, 35%).

O quadro poderia ser outro, advertem autoridades de saúde, se à alimentação não correta se soma outro problema comum à maioria dos países — o sedentarismo da maior parte da população.

DEIXE UM COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

3 × três =

3 Comentários

Mery Nishiyama em 20 de janeiro de 2015

O problema da Obesidade Mundial é mais grave do que aparenta. Isso porque além da alimentação inadequada, da falta de atividades físicas e da ingestão excessiva de proteína e sódio que incham e causam problemas renais, há principalmente a implicação de fatores emocionais. As pessoas estão a cada dia mais sós, mais sobrecarregadas, mais ansiosas e mais estressadas. Isso as leva a compensação alimentar; acrescente uma outra consequência que são as mudanças metabólicas. Pessoas que se amam menos, não sentem a necessidade de autocuidados. Um outro ponto gravíssimo é a hereditariedade. A cultura da má alimentação e do sedentarismo da Era tecnológica, vem passando de pais para filhos. No entanto, há também um aumento da Geração Saúde. Mais pessoas estão aderindo a alimentação vegana ou pouco calórica, Hoje existe uma cultura mais disseminada de consultas a Nutrólogos e as academias estão ganhando muitos novos adeptos. Há uma ambiguidade absurda no meio Midiático. Por um lado os chamarizes apelativos das Empresas alimentícias e por outro a estética desejada das celebridades. Sei dos muitos fatores que corroboram para o aumento de peso coletivo mas, acredito piamente em que quando as pessoas aprenderem a se conhecer e aos seus limites, terão uma resposta de autoestima mais positiva e consequentemente melhorarão a sua qualidade de vida e contribuirão para a melhora da de outrem.

Debora em 20 de janeiro de 2015

Ô Ricardo. Libera eu ! rss

Marcos F em 20 de janeiro de 2015

O problema é mundial. Nos USA, ser obeso virou classe. Famílias inteiras, todos. Exigem participação em programas de TV: um loiro, um negro, um asiático, um obeso ... e ainda declaram "eu como porque posso (pagar)!". A maior incidência é de negros obesos (família, OK?). No Brasil, está crescendo o movimento no interior, mas não é com famílias inteiras (às vezes um filho magrinho e outro enorme). Quanto menor ou mais pobre a cidade, mais obesos (quando possível). Aqui, ainda, as mulheres gostam de ostentar a "barriguinha" de fora ou a bunda explodindo da calça. Aí é duro aguentar! Nossas crianças estão sendo entuchadas de salgadinhos, pela mãe! Não é a propaganda, é a mãe.

VER + COMENTÁRIOS
TWITTER DO SETTI