Contei a história desta entrevista em outro post. A matéria, publicada no domingo, 5 de abril de 1987, deu início a uma cobertura positiva da mídia que ignorou aspectos importantes da trajetória de Fernando Collor e, de minha parte, assumo a responsabilidade sobre isso, como você poderá constatar no outro texto.

O encontro foi iniciativa de Leopoldo Collor, irmão mais velho do presidente e então diretor da TV Globo paulista. Ele telefonou a Augusto Nunes, diretor regional do Jornal do Brasil em São Paulo, perguntando se interessava uma conversa ou entrevista com o irmão, hospedado em sua casa, que havia menos de um mês assumido o governo de Alagoas, eleito pelo PMDB. Augusto topou.

Augusto conhecia Collor desde outros tempos, quando, como editor de Política de Veja, acompanhou durante vários dias em 1982 o então candidato a governador de Alagoas Divaldo Suruagy (PDS) em campanha. Collor, que renunciara ao cargo de prefeito biônico de Alagoas — fora nomeado em 1979 pelo então governador Guilherme Palmeira, como mandavam as regras do regime militar — para concorrer a uma vaga de deputado federal, integrava a caravana de Suruagy.

Seria eleito deputado federal pelo PDS, mas depois mudou-se para o PMDB e quatro anos mais tarde elegeu-se para o Palácio dos Martírios.

Se Leopoldo propôs essa primeira conversa com o governador, dali para a frente o eficiente intermediário para contatos com Collor seria seu assessor de imprensa, Cláudio Humberto Rosa e Silva.

Quero fazer justiça, aqui, a Cláudio Humberto. Talvez devido ao estilo contundente do site que mantém há vários anos, o Diário do Poder, ele vem colecionando adversários e inimigos que não reconhecem seus méritos no longo período em que esteve ao lado de Collor.

Ele funcionava bem para o governador, mas era igualmente uma fonte importante de notícias, mesmo as desfavoráveis ao chefe. Depois, assessor do candidato à Presidência Fernando Collor, em 1989, mostrou-se acessível, paciente e, sobretudo, um facilitador. O acirramento ideológico que caracterizou em especial o segundo turno daquela campanha fez Collor fechar-se em copas e querer distância da imprensa, mas Cláudio Humberto, ainda que compreensivelmente de forma seletiva, dava um jeito de jornalistas chegarem ao esquivo candidato.

O mesmo se deu quando Secretário de Imprensa do presidente Collor, a partir de março de 1990. A certa altura, irritado com aquelas críticas ao presidente e ao governo que considerava sem fundamento ou injustas, adotou o que chamou de “sistema bateu, levou” — responder com dureza e estridência a certas críticas –, o que com certeza aumentou o elenco de inimigos.

Afastou-se do posto no começo de 1992, desgostoso com o que se passava no governo, já dando os primeiros sinais de enfraquecimento que desembocariam no impeachment, sendo designado adido cultural em Lisboa.

Cláudio Humberto no Planalto não fugia de perguntas difíceis, promovia conversas com o presidente e nunca deixava de retornar um telefonema, mesmo quando em viagens ao exterior.

Quando, com o processo de impeachment bem adiantado, deixou a função em Lisboa, em setembro de 1992, começou a escrever um livro que considero importantíssimo, imbatível em matéria de bastidores do governo Collor e provavelmente sem rival nessa matéria em relação a qualquer ocupante anterior do Planalto: Mil Dias de Solidão — Collor Bateu e Levou (Geração Editorial, 1993, 412 páginas).

Será impossível, quando qualquer historiador quiser examinar o conturbado período da Presidência Collor, não levar em conta essa obra.

Você pode ler sobre o livro de Cláudio Humberto clicando aqui.

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