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Centro Cultural Oscar Niemeyer em Avilés, no norte da Espanha: na cúpula redonda (à direita), centro de exposições; na torre com mirante, com vista para a parte histórica da cidade, espaço gastronômico; em primeiro plano, o Film Center; e, à esquerda, o auditório

Com obras espalhadas por todo o planeta, surpreendentemente o arquiteto Oscar Niemeyer, 103 anos, não tinha ainda deixado sua marca na Espanha. Agora, deixou: já está funcionando há algumas semanas o magnífico Centro Cultural Internacional que leva seu nome em Avilés, deteriorada cidade industrial da Comunidade Autônoma (espécie de Estado) de Astúrias, no norte do país.

O Centro é parte de um ambicioso projeto que tem à frente o renomado arquiteto britânico Norman Foster, autor, entre outras obras importantes, da reformulação do edifício do Bundestag, o Parlamento alemão. O projeto – a Ilha da Inovação – pretende, em Avilés, trazer para a cidade a grande revitalização proporcionada pelo museu Guggenheim de Bilbao, a maior cidade do País Basco, inaugurado em 1997.

A Ilha da Inovação é ambiciosa, e pretende recuperar, do ponto de vista urbanístico e ambiental, uma área de mais de meio milhão de metros quadrados às margens do braço do Mar Cantábrico que entra pela cidade adentro. Inspira-se em transformações similares operadas em Lyon e Nantes, na França, em Hamburgo, na Alemanha, e em Melbourne, na Austrália, e incluirá um terminal de navios de cruzeiro, uma marina, uma estação intermodal de transportes públicos, edifícios de apartamentos de luxo, “cubos” arquitetônicos para atividades culturais e científicas, um grande bulevar e um parque.

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Niemeyer e a maquete do projeto

O Centro Niemeyer atraiu, para seu conselho curador várias personalidades de vulto em suas áreas, entre as quais o cineasta Woody Allen, que ambientou nas Astúrias parte de seu filme Vicky, Cristina, Barcelona (2008), se apaixonou pela região e será o responsável por um centro de cinema, o ator americano Kevin Spacey, diretor artístico do mitológico Teatro Old Vic, de Londres, o físico briânico Stephen Hawkins e o vice-presidente do Google, Vinton Cerf.

O Centro abrange quatro obras, todas prontas: uma cúpula redonda, semelhante à do Senado, em Brasília, com uma escada helicoidal que já é uma tração turística, e abrigará um centro de exposições; um espaço gastronômico, numa torre em cujo belvedere já funciona o restaurante Casa Gerardo de Prendes (uma estrela no Guia Michelin), o Film Center – com cinema, sala de ensaios, espaço para conferências e um café – e o auditório de 1.000 lugares, mas cujas portas se abrem para a praça central, de forma a poder se transformar em palco para milhares de pessoas nela instaladas, um pouco como ocorre no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo, também saído da prancheta de Niemeyer.

(Veja abaixo fotos do auditório, da torre gastronômica e da escada helicoidal.)

Apesar da crise econômica por que passa a Espanha desde 2009 e das dimensões da obra – 44 mil metros quadrados no total, dos quais 17 mil de área construída – tudo ficou pronto em menos de três anos. Segundo o arquiteto aragonês Arturo Gutiérrez de Terán, o trabalho do brasileiro “será, sem dúvida, lugar de peregrinação para os arquitetos europeus”. Niemeyer nada cobrou pelo projeto, em retribuição ao Prêmio Príncipe das Astúrias das Artes – o equivalente, na Espanha, ao Nobel – que recebeu em 1989.

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12 Comentários

Flavico em 08 de junho de 2011

Completando o meu comentário anterior, eu vi ali uma Oca, uma torrezinha do MAM do Rio, uma laje quilométrica do Ibirapuera e um ovo cozido disforme. Tudo desequilibradamente plantado sobre um monumental nada de concreto. Como é que alguém pode chamar essa porcaria de "genial"? A cidade de Avilés, que já é feinha, não merecia isso. Mais um monumento bizarro que Niemeyer deixa para a humanidade.

Flavico em 08 de junho de 2011

Feio, árido, pálido, sem alma, repetitivo, monótono, antiquado, monocromático, sem sentido, irrelevante, desproporcional, disforme... Um genuíno Niemeyer.

jfaraujo em 08 de junho de 2011

A arte e o encantamento nas obras de Oscar Niemeyer estão nas curvas, nos detalhes em tijolos e concreto que nascem no meio das paredes dos edifícios que ele projeta. Em pleno século XXI, as cidades brasileiras estão entupidas de blocos de concreto em formato de paralelepípedos verticais, típicos da era soviética, construídos por empreiteiras que pouco importam com a qualidade do que é visto pela população. Essas construtoras estão preocupadíssimas apenas com tempos recordes de conclusão de seus edifícios, comprados em áreas nobres, nos quais cada apartamento é vendido por milhões de reais.

WK em 08 de junho de 2011

Bem, já vi que não sou o único que não gosta deste estilo de arquitetura.

Sam Spade em 08 de junho de 2011

Coisa horrorosa!, vindo de Niemayer tudo eh sempre do mesmo, viu uma obra viu todas..

André Costa em 08 de junho de 2011

Mais do mesmo, no caso: a cópia da cópia da cópia. Chega a ser constrangedor colocar as fotos das obras do O.N. lado a lado. Mas o pior é que é mais da mesma materialização da utopia comunista: sem cor, sem movimento, sem vida.

Marcos em 07 de junho de 2011

É incrível como esses stalinistas vivem tantos anos. E sempre fazendo coisas feias. Não sou arquiteto mas sei que posso fazer alguma coisa mais bonita, principalmente cobrando o que esse velhinho comuna cobra.

Paulo Henrique em 07 de junho de 2011

O que vejo na foto é a falta de integração arquitetônica da obra com o bairro ao fundo. Repare a ausência de árvores ou áreas verdes. Acho as obras - que conheço - do Niemeyer deprimentes e vazias. Exceção feita a Igrejinha da pampulha em formas que lembram as montanhas de Minas e com aquele belo jardim projetado pelo Burle Marx.

Adriano em 07 de junho de 2011

Êita troço medonho de feio, e caro tumbém, num pagava não pra enfeia a vista cum esse troço.

Luis Oliveira em 07 de junho de 2011

É incrível como este tipo de arquitetura continua sendo visto como supra sumo da arte quando é só um amontoado pouco inspirado de bordadinhos. Tudo bem que um senhor de mais de 100 anos continue a reproduzir o seu cozido, tal como faz há décadas. Mas que haja gente que ainda ache que isso arquitetura e que este é um lugar para frequencia de seres humanos (e não hamsteres de gaiola), isso é realmente surpreendente.

JT em 07 de junho de 2011

Caro Setti, Há alguns dias estive em Araras e visitei o Teatro Estadual, que é um dos poucos projetos de Niemeyer no interior paulista. Façamos um breve descrição da obra: volume branco circular implantado numa "praça" sem árvores, cujo piso é de concreto intercalado com juntas de dilatação. O pavimento de acesso foi convertido num espaço para exposições permanentes sobre a obra de - adivinhe - Oscar Niemeyer. Pois é. Retratei um projeto executado em Araras, mas poderia ser uma obra de Niterói, Curitiba ou até Avilés. Não importa o clima, não importa a cultura local. Para o Niemeyer o que importa é seu traço livre cujo grande mérito é dar muito trabalho para os engenheiros calculistas. Se você entregar uma área no Amazonas para ele projetar um Centro Cultural, é capaz do Oscar mandar derrubar todas as árvores do entorno, e mandar concretar tudo... É impressionante como existem obras de Niemeyer que são homenagens ao próprio Niemeyer. Parece que elas não servem para outra coisa. É Centro Cultural Niemeyer, Caminho Niemeyer, Espaço Niemeyer... Só falta a Cidade Niemeyer. Será que em quase 80 anos de carreira o Niemeyer não ousou usar outro tipo de piso externo que não fosse o concreto armado? Será que ele é sócio proprietário daquela empresa que fabrica máquinas de lavar pressurizadas? Sim, pois o concreto preteja e fica muito feio com o passar do tempo. Bom, não quero parecer um cara amargurado, longe de mim, só não consigo fazer coro com a maioria. Reconheço que as obras do Niemeyer possuem beleza estética, mas ele é mais um escultor do que arquiteto. Minha opinião não vai mudar, mesmo que ele complete 120 anos de vida. Abraços! Caro Jean, aprecio vários trabalhos de Niemeyer mas a desolação em matéria de vegetação -- não sei se depois não se executa inteiramente o que ele planejou, ou se já era assim --, de verde, de vida, são incompreensíveis para mim. Abração

José Geraldo Coelho em 07 de junho de 2011

Leveza. Que mais dizer. Nada. Para comparar você poderia publicar foto do projeto de um museu, eu acho, programado para ser contruído no Rio. Um trombolho incrustado ao lado do Hotel Copacana. Não sei ao certo. Vi poucas vezes e me assustei. Se possível com o nome do arquiteto.

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