Amigos, escrevo de Barcelona, na Espanha, e sei que foi amplamente noticiada na imprensa brasileira a grande “raspa” que a maior empresa espanhola, a Telefónica, empresa-mão da gigante das comunicações Telefônica no Brasil, fará entre seus funcionários espanhóis, devendo demitir até 20% de seus funcionários — um mínimo de 5.600 a um máximo de 6.400 pessoas — nos próximos três anos.

E isso justamente quando a Espanha atravessa sua mais grave crise econômica desde a volta da democracia após a ditadura franquista, em 1976.

Curiosamente, um ano de crise — 2010 — foi justamente o de dois recordes para a empresa: um lucro espetacular de 10,1 bilhões de euros (23,3 bilhões de reais) e 7,3 bilhões de euros (16,8 bilhões de reais) distribuídos aos acionistas. Refiro-me às operações na Espanha, não contando os enormes negócios que a Telefónica gere na América Latina e em outros recantos.

Até aí tudo bem. Mas me parece que um detalhe ficou um pouco em segundo plano nessa história toda: enquanto milhares de pessoas tomam o rumo do auxílio-desemprego, 1.900 executivos da empresa vão embolsar bônus no valor total de 450 milhões de euros (1,03 bilhão de reais).

Como ninguém é de ferro, o presidente da empresa, César Alierta, receberá, em ações, 7 milhões de euros (16 milhões de reais), além, é claro, de seu salário anual, cujo valor não é conhecido.

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5 Comentários

SergioD em 12 de maio de 2011

Ricardo, mais um vez entro no Blog para comentar algo que não tem a ver com o post. Alertado pelo BLOG PODER AÉREO li, e apresento, artigo de especialista americano criticando a possível compra do EMR-314 SUPER TUCANO pela Força Aérea dos Estados Unidos. É um artigo bem escrito, teoricamente com motivações econômicas, que lembra cláusula do estatuto da EMBRAER, que me era totalmente desconhecida mas que não me surpreende saber de sua existência, indicando que a mesma pode embargar a venda de peças para seus clientes se suas aeronaves não estiverem sendo utilizadas de forma inadequada na visão do governo brasileiro. Lembra também as recentes divergências entre os governos americano e brasileiro quanto a política externa para embasar sua argumentação. Vale a pena ler e divulgar pois mostra uma pequena parcela da pressão que lobistas fazem na defesa dos interesses de indústrias de material bélico nos EUA. Grande Abraço http://www.lexingtoninstitute.org/pentagons-light-attack-plane-competition-has-large-implications?a=1&c=1171 Obrigado pela dica, caro SergioD. O que é que os americanos não fazem para ganhar uma concorrência dessas (Lockheek Martin/Beechcraft)? Um abração

Kleyner Arley em 12 de maio de 2011

Ao Paulo Toshiharu, O amigo não deve se esquecer que muitos dos que estão sendo injustamente demitidos contribuíram bastante para que seus altos executivos enchessem os bolsos. Sou a favor da livre iniciativa e de uma menor participação do Estado nas relações de trabalho, mas não posso fechar os olhos para uma imoralidade dessas.

Marcos em 12 de maio de 2011

1) A demissão é uma forma legítima de gestão de uma empresa. 2) Se, por novas tecnologias, mudanças no modelo de negócios, ou outro motivo, uma fração dos funcionários se torna desnecessária, tchau... 3) Além disso, faz bem às empresas, e aos demitidos sobretudo, trocar os 10-20% de funcionários menos produtivos por outros mais novos ou mais motivados ou mais competentes. 4) Finalizando, nenhuma empresa demite ou contrata com base em lucros ou prejuízos já realizados. Demite-se ou contrata-se com base nos resultados esperados para o futuro.

Angelo Losguardi em 12 de maio de 2011

País latino, né. Infelizmente nesse ponto somos muito parecidos com a Europa do Mediterrâneo.

Paulo Toshiharu Watanabe em 12 de maio de 2011

Acho justo a Telefonica premiar os seus altos executivos. Afinal, provaram as respectivas competências, gerando um lucro de mais de 10 bi de euros, com um quadro inchado em mais de 20%. Com certeza, daqui à 4 anos o bonus será maior.

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