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O Túnel Jânio Quadros, que passa por baixo do Rio Pinheiros, em São Paulo, de quase 2 quilômetros de extensão, em uma das várias vezes em que foi interditado por estar sem luz devido ao roubo de cabos de cobre (Foto: O Globo)

Amigos do blog, sempre fui um defensor ferrenho de investimentos públicos em tecnologia para combater o crime.

É espantoso como as autoridades de segurança pública da maioria dos Estados gasta na compra de veículos, armas e outros itens naturalmente indispensáveis às políciais, mas, com exceção de São Paulo e alguns outros, investe pouquíssimo, quando nada, em tecnologia.

A tecnologia contra o crime pode muitas vezes ser usada pela iniciativa privada. Veja o caso da multinacional espanhola Telefonica, que no Brasil atua em São Paulo e tem a maior rede brasileira de telefonia fixa (além de sociedade em empresas de telefonia celular).

Neste momento, na Catalunha, na Espanha, a Telefonica está começando a utilizar tecnologia britânica para combater um problema crônico na região – e mais do que crônico no Brasil: o roubo de fios de cobre, que no nosso país inferniza empresas de telefonia, empresas de metrô, linhas de trem e outros setores. Dá prejuízo às empresas, públicas e privadas, e dor de cabeça aos consumidores, já que em certas cidades, bairros inteiros ficam com telefones mudos ou sofrem problemas de gravidade semelhante por causa dos ladrões de cobre.

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Montanhas de fios de cobre roubados na Catalunha, Espanha: em futuro próximo, será possível identificar os ladrões e a origem do produto (Foto: 20minutos.es)

A Telefonica está começando a revestir toda a sua rede na Catalunha com uma espécie de DNA eletrônico, como se fosse uma pintura, invisível a olho nu e que só pode ser detectado por raios ultravioletas. O produto tem um tal grau de sofisticação que pode permitir à polícia, nas constantes apreensões de material que promove, saber se os fios são roubados e até a identidade dos ladrões, se forem presos suspeitos, já que a substância tem a capacidade de se impregnar na pele durante várias semanas, e, na roupa, durante vários meses.

A empresa britânica que fabrica o produto, a Selecta DNA, se orgulha de ser “temida por criminosos no mundo inteiro” e garante que o DNA eletrônico, se incluído na matéria prima do produto a ser fabricado já no momento da produção – o que inclui até motores e peças de veículos – pode sair para o mercado com todos os principais dados da companhia fabricante codificados: nome, logotipo e, no caso dos fios de cobre, até informação sobre a área onde os cabos foram colocados.

O cobre sempre atraiu ladrões (não só no Brasil), e mais ainda com a atual crise econômica internacional, com o fato adicional que seu preço triplicou nos últimos três anos. A tonelada do metal vale, hoje, algo como 8 mil reais.

Quando será que a Telefonica vai começar a usar o DNA eletrônico – “micropontos circulares de tamanho mínimo, praticamente invisíveis a olho nu”, segundo a empresa britânica – no Brasil?

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4 Comentários

Manoel Claudio Vieira em 10 de agosto de 2012

Espero que um dia eletricidade venha abastecer nossos lares como ondas de radio - o projeto existe a anos mas adivinha se ha vontade de transformar em realidade

Titus Petronius em 07 de agosto de 2012

Fico surpreso com o roubo de fios na catalunha. Achava que esse tipo de crime fosse mais uma jabuticaba. Só falta dizer que na Espanha também tem sequestro-relâmpago, saidinha de banco, mensalão...

Tuco em 07 de agosto de 2012

. Fio de cobre é pinto. Por aqui precisamos de procedimentos emergenciais em outras áreas, muito mais importantes - e infestadas de ladrões. .

cacalo kfouri em 07 de agosto de 2012

setti, no caso do tunel, nem precisa de dna, só é necessário acabar com a burrice. o problema é que o tunel é da alçada da cet, e para que a pm possa colocar um policial na sala em que estão as câmeras que monitoram o tunel precisa de uma reunião de gente de mil instâncias burocráticas, pois você sabe muito bem que nossas zelosas autoridades são muito rigorosas e eficientes no cumprimento das leis estúpidas, quanto mais estúpidas melhor.

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