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Torres de exploração no Lago Maracaibo, na Venezuela: Chávez torrou 1 trilhão de dólares vindos do petróleo para obter resultados iguais aos de vários outros países da América Latina que investiram muito menos (Foto: J.D. Barnell / Image International)

O autor deste texto, distribuído pelo Project Syndicate, entidade que reúne alguns dos mais renomados pensadores do mundo, é um dos intelectuais mais respeitados do México. O artigo foi publicado no Brasil pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Economista formado em Princeton, nos Estados Unidos, com doutorado pela Universidade de Paris, ex-integrante do Partido Comunista do México, Jorge Castañeda, 60 anos, foi chanceler do presidente conservador Vicente Fox entre 2000 e 2003, publicou duas dezenas de livros — quase todos sobre a América Latina, o primeiro deles sobre a Nicarágua e entre eles uma biografia de Che Guevara — e é palestrante nos EUA e na Europa, além de articulista combativo.

Vejam sua apreciação sobre a economia e os destinos da Venezuela pós-Chávez.

Por Jorge Castañeda

Os simpatizantes do falecido presidente venezuelano Hugo Chávez e até mesmo muitos dos seus críticos realçaram várias vezes a suposta realização de dois objetivos que farão concretizar seu legado.

Primeiro, a porcentagem de pessoas que vivem em situação de pobreza caiu abruptamente para cerca de 28%, em 2012, após um pico de 62% registrado em 2003 – embora três anos antes, no início do primeiro mandato de Chávez, o índice correspondente fosse de 46%.

O segundo objetivo alcançado por Chávez teria sido a recuperação, entre a maior parte dos venezuelanos, de um sentido de identidade, orgulho e dignidade que há muito lhes era negado por uma oligarquia de pele clara, corrupta e elitista.

No entanto, as duas razões são apenas parcialmente verdadeiras e somente em parte se devem às recorrentes vitórias eleitorais de Chávez – 13 das 14 votações, incluindo referendos.

Quanto ao primeiro objetivo, tanto a revista The Economist quanto o Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa estavam certos ao relativizar as conquistas de Chávez. Quase todos os países da América Latina reduziram significativamente a pobreza desde o início do século.

As dimensões do progresso dependem de linhas de base e imposição de datas-limite, de anos positivos e negativos, da confiabilidade dos dados oficiais e de vários outros fatores.

As razões desses progressos são bem conhecidas: à exceção de 2001 e de 2009, os outros anos foram de crescimento para os países exportadores de commodities, como Brasil, Argentina, Peru, Chile e, claro, Venezuela, assim como para as economias com base no setor manufatureiro, como é o caso do México.

Além disso, durante esses cerca de 15 anos, a maioria dos governos conseguiu administrar suas contas de forma responsável: com déficits orçamentários muito pequenos ou inexistentes, baixos índices de inflação, programas de combate à pobreza bem direcionados e assim por diante.

Chávez gastou 1 trilhão de dólares em subsídios

Esse fato ajudou a reduzir não só a pobreza, mas também as desigualdades que são o tradicional flagelo da América Latina. Segundo a economista Nora Lustig, entre 2000 e 2010, “a desigualdade de renda diminuiu nos 17 países da América Latina onde existem dados comparáveis”.

A queda foi particularmente acentuada nos três maiores países – Brasil, México e Argentina -, que têm cerca de 75% da população da região.

Uma das diferenças em relação à Venezuela é o fato de Chávez ter despendido mais de 1 trilhão de dólares para conseguir uma proeza semelhante num país cuja população é um sexto da brasileira e um quarto da mexicana.

Embora a eficácia no longo prazo dos programas de transferência de renda de Brasil e México seja questionável, essas iniciativas de combate à pobreza são mais bem concebidas do que os subsídios de Chávez para tudo, desde avicultura e produção de farinha até habitação e gasolina.

A destruição da indústria, o aumento assombroso da criminalidade, a explosão da dívida…

Há ainda a questão da destruição da indústria venezuelana, o aumento assombroso da criminalidade, a explosão da dívida externa e a redução das reservas de moeda estrangeira que acompanharam o socialismo bolivariano do século XXI de Chávez.

Nenhum desses problemas afetou os outros países da região – ou pelo menos não na mesma medida. Se Chávez não tivesse jogado com os números, como é a tendência dos demagogos e dos populistas, os resultados seriam mais desanimadores.

O segundo argumento em defesa do legado de Chávez é um pouco mais sólido, mas não muito. É certo que as imensas riquezas naturais da Venezuela foram exploradas e, muitas vezes, desperdiçadas por elites mais habituadas às avenidas de Miami do que aos bairros pobres de Caracas. No entanto, é igualmente certo que, antes de Chávez, a Venezuela gozou de um período de 40 anos de regime democrático.

A Venezuela tinha uma das mais empenhadas sociedades civis da região, com veículos de comunicação livres. À exceção do “caracaço” – onda de protestos contra o pacote de reformas, em 1989, que deixou 3 mil mortos -, houve apenas pequenas crises de repressão.

Chavismo sem Chávez

De fato, há um sentimento de exclusão, e com razão, por parte de uma extensa camada social da Venezuela, que causou fortes ressentimentos. Chávez explorou – e aumentou – essa divisão. Conforme se pode constatar pela atual campanha para eleger seu sucessor, o país está mais polarizado do que nunca.

É bem possível que as proezas e a popularidade sobrevivam a Chávez. Ao contrário de uma simples troca de elites no poder, o que ocorreu durante seu mandato foi o advento de uma liderança que se identifica com as pessoas do país, falando, louvando e amando como elas. Uma liderança que se identifica com milhões de venezuelanos que eram marginalizados. Nesse caso, o sucessor designado, Nicolás Maduro, terá sua tarefa facilitada com relação ao opositor Henrique Capriles. O chavismo sobreviverá a Chávez.

No entanto, qualquer que seja o resultado, todas as questões relativas ao luto não alterarão uma verdade simples: a Venezuela e seu povo não estão em melhor situação do que estavam 14 anos atrás. E os poucos avanços foram garantidos por outros países a um custo muito menor.

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9 Comentários

IZIDRO SIMÕES em 25 de março de 2013

Antes que alguém ache que isso é conquista de Chávez, saiba que já era assim, ANTES DE CHÁVEZ, que MANTEVE a situação. Na Venezuela, quando se para no posto, o frentista NÃO PERGUNTA quantos litros e nem o motorista diz, porque SEMPRE É PARA ENCEHER O TANQUE.Repito: JÁ ERA ASSIM ANTES DE CHÁVEZ.

IZIDRO SIMÕES em 25 de março de 2013

Passo para quem se interessar, que há 15 dias, 1 realzinho comprava 11,50 BF (bolívares "fuertes", tanto em Pacaráima (Roraima) nossa fronteira com a Venezuela e, em Santa Elena de Uairén, (VEN) 18 Km mais adiante do marco fronteiriço. Ontem, qualquer loja ou cambista aceitava 1 real para 12 BF. E VAI SUBIR MAIS, êles próprios avisam! Com R$ 2.000,00 passa-se 1 mês na caribenha ISLA DE MARGARITA, SEM ECONOMIA. ATENÇÃO: COM MENOS DE R$ 2,00 (DOIS), COMPRAM-SE 45 LITROS DE GASOLINA PU-RA DE 80 OCTANAS. Pois vá conferir. Existem 3 tipos de gasolina nos postos: a "vagabunda", de 70 octanas (sem nenhuma mistura, a melhor, com 85 octanas e a excelente, com 100 octanas TUDO GASOLINA PU-RA, por 10 CENTAVOS POR LITRO.

Leony em 25 de março de 2013

O povo de lá é burro, como o daqui! Não é mesmo? kkkkkkkkkkkkkkkk

moacir em 24 de março de 2013

Prezado Setti, Faz alguns dias que só se fala de "moeda forte" lá na Venezuela.É a tal "escassez de divisas",enfermidade da qual o país padece de forma crônica.Todos os demais grandes produtores de petróleo do mundo,são vacinados contra a doença.Já a Venezuela...Também pudera!Cuba tem uma forma sui generis de pagar pelos 100.000 barris de petróleo/dia que os chavistas lhe enviam. Onde já se ouvir contar,a não ser lá,que petróleo pudesse ser pago com aulas de história castrista e consultas médicas comunistas,ministradas por mestres e doutores cubanos? Será que são tão despreparados assim,pelo menos 35.000 dos professores e médicos venezuelanos? Toda essa instabilidade aconteceu devido a demora no ajuste do câmbio,ao excesso de demanda decorrente do montante absurdo das importações e da queda acentuada da capacidade de gerar divisas pelo aparato produtivo. É complicado se tentar compreender as brilhantes políticas monetárias chavistas.Fico sempre com a impressão de estar lendo uma história preenhe do realismo fantástico de um Garcia Marques,onde tudo é 8 ou 80,e de um jeito ou de outro, sempre sem sentido. Na sexta-feira anterior ao Carnaval a tchurma do Chávez - a mando dele lá em Cuba - desvalorizaram o bolivar em 30% e decretaram que o câmbio, oficialmente, seria de US$ 1 para BLV 6,38.Pronto. O problema é que, o chato do mercado negro, não engoliu a história e passou a comprar/vender seus ricos dólares em torno dos BLV 20 cada um. As prateleiras se esvaziaram ainda durante o Carnaval - o novo câmbio só passou a valer na Quarta-Feira de Cinzas.E dali pra cá é só desabastecimento.Uma triteza. Dia desses li,não sei onde,o relato feito por uma cidadã venezuelana,sobre sua inglória luta de mais de 10 horas,para comprar nos supermercados de Caracas,três artigos bem exóticos: açúcar,manteiga e farinha.A moça desejava fazer um bolo de laranja. Com os ovos e a fruta ela,graças a Deus,não precisava se preocupar:no seu quintal havia uma laranjeira e ciscavam galinhas.Resumo da história: ela desistiu do bolo!Não conseguiu a manteiga. Pois é.Agora - é verdade,juro! - estão falando de outra DESVALORIZAÇÃO DO BOLIVAR.E nós nem chegamos na Páscoa!!! Os problemas não são a estatização brutal,o sucateamento da indústria,os elevados gastos públicos,o pibinho,a maior inflação da América Latina depois do Haiti,a queda na produção de petróleo ,a não diversificação da economia. Nada disso.Para que todos fiquem felizes, agora, só é preciso DESVALORIZAR os bolivares mais um pouquinho! Nenhum economista ou dirigente ou político bolivariano jamais ouviu dizer que isto - talvez quem sabe? - poderá resvalar para uma ainda maior perda do poder de compra do povo;prejudicar ainda mais o emprego,levar o desabastecimento e a inflação, a níveis jamais vistos. É prudente, neste momento,provocar mais sofrimento a população? Besteira!Aqueles que se permitem o desvario de tais perguntas e/ou pensamentos são todos olicargas fascistóides oposicionistas traidores.Que jamais entenderão patavina de economia,de mercado e muito menos da Venezuela! E o resto é propaganda,João Santana e muito tempo de rádio e de televisão.Viva Maduro. Agora,a última novidade é o SICAD.Através do SISTEMA COMPLEMENTARIO DE ADMINISTRACION DE DIVISAS se conseguiria,de forma disfarçada,desvalorizar mais ainda. Oficialmente,o SICAD almeja agilizar importações, através de LEILÕES de DÓLARES.Sério! Ele foi anunciado,faz alguns dias, com toda pompa, pelo Ministro das Finanças o Sr. Giordani;pelo presidente do Banco Central deles o Sr. Merentes, e pelo manda-chuva da PDVSA o Sr. Ramirez. Confesso que, a princípio, não entendi nada.Pra mim falavam grego.Percebi que, o tal Merentes do BC,também estava meio confuso.Ele candidamente admitiu que "não se pretende que tudo no SICAD seja CLARO,e que não se pode, ainda ,dar-lhe um DEZ".Fiquei mais tranquilo quanto a capacidade de abstração dos meus neurônios. Depois de uns 2 dias plenos de dúvidas,finalmente num blog da vida, um jornalista venezuelano, especialista em soletrar - ou desenhar? - a Venezuela para mentes menos criacionistas, conseguiu me explicar,direitinho,pelo menos o modus operandi desse tal de SICAD para pessoas jurídicas.É o seguinte: A empresa venezuelana X quer importar insulina.A empresa brasileira Y quer exportar insulina.Beleza. X vai ao seu banco predileto - digamos banco Z - e faz um LANCE,preenchendo uma proposta.O banco Z acrescenta ao pacote mais uns documentos e manda tudo para o BC.O BC checa tudo e carimba aqui e acolá e envia os documentos para La Optimazion del Sistema de Cambio,que passa a ser, aqui,codinominada Orgão Supremo.Ele reexamina tudo,tim-tim por tim-tim, e só então entrega o LANCE ao Ministro Giordani. Caberá então ao Giordani "avaliar", ou "pesar" aquele LANCE confrontando-o com mais 12,100,1.000 outros lances, de outras empresas, também desejosas de comprar outras insulinas.Ganhará quem der o melhor LANCE,ou seja CÂMBIO.Detalhe: os LANCES são secretos.Só o Ministro terá conhecimento de todos os LANCES... e CÂMBIOS. Por quais critérios Giordani chegará ao vencedor, só ele sabe e ainda não explicou. Bem,conhecido o vencedor da insulina do dia, os papéis voltam para o Orgão Superior,depois para o BC,depois para o Banco Z.Que telefonará para o cliente X e dirá:VOCÊ GANHOU.Que ligará pra o parceiro Y e comemorará :NÓS GANHAMOS! As propostas perdedoras deverão fazer novos lances,que se perderem deverão ser novamente refeitos e por aí vai...Pobres bancos! A empresa X terá mais papéis para preencher e os deverá mandar, mais uma vez,via o banco Z, para o Orgão Superior.Tudo bem verificado,o Orgão Superior emitirá uma Autorização de Importação para o Banco Z. A empresa X, então, deverá abrir lá uma conta, onde serão depositados os bolivares que deverão pagar pelos dólares que deverão pagar pela insulina da empresa Y. O Banco Z emitirá, nesse ponto da história,uma Carta de Crédito Venezuelana _ quem aceitaria isso? - com todas as condições negociais especificadas,assumindo o compromisso legal de pagar a Y,quando todas as exigências tiverem sido cumpridas.O que é uma impossibilidade,pois quem pagará a Y será o BC. Mas tudo bem. Se a empresa Y e o Banco Z,tiverem sido loucos de hospício,para entrar nesse negócio e para aceitar esses termos- eu jamais o faria ! - caberá a Y enviar a mercadoria.Quando ela chegar em Porto Cabello,terá que esperar dias para ser descarregada e dias para ser cheirada pelos cães especialistas em drogas. Esses bichinhos são alvo de piadas. Dizem que todo dia eles comparecem para trabalhar no lugar errado. Em vez de dobrar à esquerda e entrar na porta onde se lê EXPORTAÇÃO,viram à direita e vão parar na IMPORTAÇÃO. Bem,liberada pela matilha,é hora da insulina enfrentar os fiscais cubanos.Ultrapassados esses, a insulina deverá ser ainda,fisicamente carimbada pelo representande do Orgão Superior.Feito isso é só o BC pagar a empresa importadora.Fácil,não? O jornalista venezuelano nos assegura que, pelo andar da carruagem, muitos diabéticos perderão todos os dedos, antes que a insulina apareça. Eu cá comigo,conhecedor da corrupta mente do Homus Chavistus,fico pensando em superfaturamento, em propinas,em como seria possível para os controladores do SIVAD tendo acesso a dólares por BLV 6.38,vendê-los no mercado negro por BLV 20,comprar novos dólares a BLV 6.38 e assim ad infinitum... Todos apostam que o dolar SIVAD ficará entre BLV 15/25.Eu acho que as prateleiras das lojas venezuelanas continuarão desertas e que los hermanos estão com um PROBLEMÃO. Abraço

Márcia Maria em 24 de março de 2013

Seu Setti, muito bem explicado, num Universo amplo esses regimes populistas não representam nada. Só criam servos sociais e políticos. Não desenvolvem nada a não ser custos improdutivos. Atrapalham , congelam e estacionam toda a economia. Não evoluem em nada a sociedade.

Marco em 24 de março de 2013

D. Setti, Tudo q não for benefício do funcionamento do mercado e suas circunstâncias, é ilusório. Mesmo q o mercado não recompense todas as expectativas. E o pior mal é o quando politicamente grupos usam benefícios difusos, eloquentes, persuasivos e populares, com grande parcela de poder e apelação. E formam essas fontes causadoras de problemas e prejuízos econômicos.Nunca vi isso construir riqueza na sociedade! Só poderes privilegiados de determinados grupos políticos. Abs.

Jo Lima em 24 de março de 2013

A administração econômica do governo Chavez é desastrosa, sem dúvida. E o irônico é que são as exportações de petróleo ao grande Satã deles , os EUA, que sustentam na prática seu bolivarianismo. Agora é fato de que foi sob o governo de Chavez que entrou na cena política uma parcela grande da população que até então estava totalmente à margem. Mesmo se um antichavista ferrenho chegar ao poder, ele terá que governar levando em conta essa população recém-chegada ao jogo político. E espero que a oposição venezuelana, comendo o pão que o diabo amassou no período chavez, seja bem melhor do que já foi quando era situação - e fez a proeza de transformar um país abarrotado de petróleo um dos mais injustos da América Latina. A diferença é que ela fazia isso sem estardalhaço ou lances bufônicos que marcaram Chavez - o que talvez explica o porquê da imprensa mundial ou brasileira quase não se referir a Venezuela antes do período Chavez.

José de Araújo Madeiro em 24 de março de 2013

Ricardo Setti, Reinaldo, Há notícias correndo que vimos recebendo por E-mails, que o Lula foi reavaliado no Hospital Sírio-Libanês, no final de semana, onde foi detectado, nos exames, a presença de um NÓDULO NO PULMÃO. O que seria oportuno verificar a veracidade dos fatos. Agradecemos as suas atenções. Abs, Madeiro. Não são "notícias", caro Madeiro. São rumores MENTIROSOS. O ex-presidento está muito bem de saúde. Eu me dei ao trabalho de checar intensamente essa falsa informação. Um abração

Apoc em 24 de março de 2013

A Venezuela foi o país que mais reuniu condições de crescimento com a subida geral das commodities devido a frouxa política fiscal dos EUA nos últimos 10 anos. Entretanto, avaliando a situação se vê que o socialismo, seja ele do seculo XXI ou de qualquer outra faixa de tempo, é um desastre. Enriquece apenas as elites burocráticas que se apossam do estado e iguala o resto da população por baixo.

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