A Warner deixa na mão os fãs da série de TV premonitória da chegada de Obama à Casa Branca

O ator Martin Sheen na pele do presidente Bartlet, antípoda de Bush

O ator Martin Sheen como o presidente Joshua Bartlet, antípoda de George W. Bush e premonitório em relação a Barack Obama

As sete temporadas da série, concebida e realizada por uma produtora independente, mas ligada à Warner, foram ao ar de 1999 a 2006 nos EUA e também no Brasil. Ao longo desse período, como costuma acontecer, a Warner, distribuidora da obra, foi lançando DVDs de cada temporada.

Menos da última e decisiva, na qual vai se saber quem será o candidato democrata à sucessão do fictício presidente Josiah “Jed” Bartlet (Martin Sheen) – e se ele vencerá seu rival republicano.

A série já terminou há quatro anos e nada de a sétima temporada materializar-se em DVD no Brasil (nos EUA, saiu há tempos). O descaso da Warner para com as versões de suas avidamente consumidas séries no país não é novidade: os textos das caixas e dos DVDs individuais fornecem resenhas grotescamente distantes do conteúdo das obras e são mal escritos, as legendas em português cometem erros de tradução atrozes, quando não ridículos, e quem compra seriados para ter e assistir em casa nunca sabe se a distribuição incluirá todas as temporadas ou será interrompida.

CONSULTORIA DE QUEM JÁ ESTEVE LÁ Essa irregularidade é uma pena, especialmente no caso de The West Wing. Acreditem, os amigos que não conhecem a série: nada no cinema chegou mais perto do que é a realidade do poder e seus mecanismos na superpotência americana. Não apenas exibe um ótimo elenco de atores, dirigidos ao longo de 154 episódios por 18 diferentes profissionais, como, principalmente, seu criador e roteirista, Aaron Sorkin, reuniu como consultores um time incomparável de gente com sólida experiência na Casa Branca.

Mostraram a Sorkin como é a vida na cabine de comando do país mais poderoso do planeta gente que viveu o dia-a-dia de vários presidentes, como um ex-chefe da Casa Civil de Ronald Reagan, ex-secretários de imprensa de Bill Clinton e de George Bush pai e ex-assessores de Jimmy Carter e Gerald Ford.

Com essa dose cavalar de competência, The West Wing enveredou sem maiores dificuldades pelos temas mais cabeludos digeridos por um presidente americano de verdade: o terrorismo, tentativas de paz no Oriente Médio, a ameaça da Coréia do Norte, as relações complicadas com a China e a instável Rússia pós-comunista, o distanciamento e mesmo a animosidade que por vezes rolam entre o presidente e seu vice, a complicação que é indicar um ministro da Suprema Corte, as negociações com o Congresso, as pressões sofridas pela Casa Branca de todos os lados – grupos religiosos radicais, militantes pró e contra o aborto, grandes corporações.

O presidente Bartlet, a primeira-dama, Abbey (a atriz Stockard Channing, de vermelho), e os principais integrantes da equipe da Casa Branca

O ANTÍPODA DE BUSH, PRECURSOR DE OBAMA – Durante um ano e meio, a série apareceu nas telas dos americanos ainda sob o mandato do democrata liberal Bill Clinton. Quando o republicano conservador George W. Bush chegou ao poder em janeiro de 2001, após a controvertida vitória contra Al Gore, a série, até então muito interessante, adquiriu um sabor adicional.

O presidente Bartlet de The West Wing, já de si um político fora dos padrões – um intelectual ganhador de um Nobel de Economia sendo, portanto, bem diferente do rústico Bush filho –, gradativamente se tornou um antípoda quase absoluto do ocupante real da Casa Branca.

O curioso é que, vista hoje, a série mostra um presidente com preocupações generosas e uma visão do mundo não muito distantes das do presidente Obama.

E a sétima temporada, que a Warner sonega aos brasileiros fãs do gênero, é justamente a que resolve o dilema em que se encontravam os produtores na sexta temporada: deveriam enveredar pela eleição de mais um presidente que, tal qual Bartlet, fosse democrata? Ou fazer de alguma forma o novo chefe de Estado fictício aproximar-se da Casa Branca de então, na qual George W. Bush ainda cumpriria dois anos de mandato, e ser, também na tela, um republicano?

Por ora, para quem não assistiu à série na TV, só há três maneiras de saber como as coisas se encaminharam: perguntando a um amigo, pesquisando no Google ou comprando o DVD no exterior, correndo o risco de seu DVD player não conseguir reproduzi-lo. Em uma ou outra raríssima loja pode existir a sétima temporada na versão original americana. Custa perto de 300 reais, contra pouco mais de 100 das temporadas anteriores.

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21 Comentários

  • A Warner brasileira é uma tragédia. Acompanhei esta série com grande interesse até a 6ª temporada, quando me desinteressei da TV Paga. Vejo que perdi grandes momentos. Sou fã incondicional do programa!

    Agora com a queda nas vendas de DVD só basta mesmo comprarmos na Amazon.com ou outro site nos EUA ou exterior. Não vão publicar no Brasil mais, pode esquecer.

    Abs.

  • Rafael Bal.Camboriu - sc

    Olá, bom dia Setti, os produtores aqui no Brasil poderiam fazer uma série nesses moldes, com o título “On The Same Floor”. Não faltam personagens e roteiros.

    Seria, no mínimo, uma excelente comédia, meu caro Rafael.
    Um grande abraço do
    SETTI

  • Ellen Dastry

    Ainda bem que alguém reclamou!!!! Foia série que mais adorei assistir. Não fala apenas sobre os bastidores do poder americano, ela é uma aula de liderança,trabalho em equipe. Pode-se facilmente fazer paralelos com o dia a dia do seu trabalho. Lembro-me que estava assistindo a série em casa e, no dia seguinte, passei por uma situação paralela no trabalho – agi de forma parecida com o personagem e o resultado foi mais eficiente. Indico a todas as pessoas que estão em cargo de liderança, onde o trabalho em equipe faz a diferença.
    Parabéns Ricardo por usar esse maravilhoso espaço para esbravejar.
    Grande beijo,
    Ellen

  • Israel Cruz Gomes

    Muito bom que este blog tenha uma variedade boa de assuntos, estou surpreso. É diferente de outros blogs e até diferente do blog até agora meu preferido, o do Augusto Nunes, sensacional. Sou fanático pelas boas séries de televisão. Setti continue falando deste assunto, seus leitores estarão acompanhando. Política não è tudo para os jornalistas, né?

  • Gonzaga

    Interessante, vi algo da séria na TV mas não sabia que o assunto era apaixonante como vc descreve. Pelos consultores, dá pra ver que vale a pena assistir. Vou ver se começo pela primeira temporada. Mas como é que vai ser no final, hein?

  • florise

    Nunca me interessei por séries políticas. Vc me deixou curiosa Ricardo.

  • sheila lima

    Gostei bastante do seu blog;variado,charmoso e é sempre bom comentário s sobre cinema.Seja bem vindo!

    Obrigado, prezada Sheila.

    Volte sempre.

    Abraço do
    Ricardo Setti

  • Marco

    Série excelente, e pensava q só eu havia gostado (já q não passa mais em canal algum do Brsil, salvo engano meu…).
    Para quem gosta de política (ou não) é uma aula de como os americanos conduzem essa instituição chamada Presidência. Lembrando teu post sobre a saúde do Zé Alencar, a doença do Bartlet é constantemente exposta e, se não me engano, no último ano da série, ela avança e o coloca em cadeira de rodas. O meu personagem preferido é o estrategista Leo, cujo ator morreu de infarto logo depois do personagem tb infartar.

  • Marco

    Pequeno adendo: o ator não morreu na mesma época q o personagem Leo infarta (foi com um +/- 1 ano de diferença), mas sua morte aconteceu logo depois dos episódios passarem no Brasil. Corrijo depois de ter dado uma olhada no Google para matar as saudades.

  • Lilian

    Olá, Ricardo. Eu também sou órfã da série. Já reclamei na Warner, mas parece que não adiantou. Quem sabe agora, depois do seu post, eles decidem lançar o box da última temporada. Para quem não aguenta mais esperar e estiver interessado, encontrei a versão americana na Livraria Cultura com legendas em fracês e espanhol. E um adendo: o ator que interpretava o Leo morreu durante a sétima temporada. Aproveito para dar as boas vindas (antes tarde do que nunca) e parabéns pelo excelente blog.

    Obrigado pelas boas vindas, cara Lilian.

    Sim, de fato o ator John Spencer, que interpreta personagem fundamental em The West Wing, o chefe de gabinete do presidente Bartlet, Leo McGarry, morreu de um enfarte em dezembro de 2005, antes do final da série. Curiosamente, o personagem havia sofrido um enfarte na história fictícia, tanto é que acabou se afastando da Casa Branca, onde sua função equivalia, no Brasil, à Casa Civil.

    Não vamos dizer que o Leo era a Erenice do presidente Bartlet porque lá, mesmo na ficção, as coisas são mais sérias, não é mesmo?

    Não tenho a pretensão de que um post de meu blog provoque algum movimento na Warner, mas, se isso acontecer, ganharão os apreciadores das boas séries de TV americanas, como você.

    Um abraço do

    Ricardo Setti

  • Carlos

    Cansado de esperar, um grupo resolveu legendar a sétima e última temporada. Tanto as legendas quanto os vídeos podem ser encontrados em canais alternativos na internet. E a Warner não pode reclamar, visto que ela é a principal responsável por isso.

  • Guimaraes

    Este comportamento infelizmente é padrão no Brasil, e não apenas da Warner. O mercado de revistas especializadas e quadrinhos adultos padece do mesmo mal. Já desisti de tentar fazer qualquer coleção de qualquer coisa que seja lançada por aqui. Geralmente é interrompida pelas metades. Quando não param no segundo número.

  • Rodrigo Prado

    Também gosto muito dessa série. Não consigo entender como eles tomam essas decisões apesar do apelo do público. Essa história do Senhor dos Anéis também é emblemática, impressionante que depois do sucesso todo que a trilogia teve no Brasil, eles não quiseram lançar a versão estendida no Brasil. Falando em séries políticas, tem uma que fala sobre república, política, liberdade de imprensa e ditadura, chama-se Battlestar Galatcita. Apesar de ser de ficção científica, é muito política.

  • Rone

    Deve ser por que :

    “não compreendem a ironia fina, uma forma superior de inteligência.”

    Como disse o “nunes” da veja…….

  • Caíque

    Só um comentário. A senhora de vermelho atrás do Martin Sheen é a esposa do Presidente.

  • Edú

    Como o SS anda no assunto da semana e na capa da Veja se faça justiça e registre q sua rede exibiu o final da série no horário usual das duas horas da manhã da madrugada da terça para quarta.Para não ser chato, não revelo os highlights do final da temporada.Acompanhei quase a totalidade da série e me impressionou como assuntos áridos, a primeira vista, como independência dos poderes, o fator orçamentário e os ritos tradicionais da presidência americana eram exibidos de forma fácil e de plena compreensão ao telespectador.Chegando a ser didática sem abdicar do interesse e dramaticidade.O elenco principal e o de apoio – com dezenas de celebres atores convidados e premiados com o Oscars,Emmys e Tonys – era espetacular.

  • Gustavo Matias

    Setti,

    Tem um site brasileiro que faz legendas de série e filmes americanos que terminam de legendar o epidódio de uma série em menos de 24 horas até.

    Recentemente a filial de um grande grupo econômico que produz essas séries (não me lembro qual) utilizou de legendas feitas por essas pessoas para utilizar nas séries lançou aqui no Brasil.

    Já West Wing teve todas as suas temporadas lançadas aqui e apenas a última não foi, demonstrando total falta de respeito com o público brasileiro.

    Mas realmente é uma série espetacular, foi a primeira de muitas que comecei a assistir e surpreende pela qualidade dos textos e atores.

    Abraços.

    Gustavo Matias

  • vitorio

    Caro Setti,
    Junto-me aqueles que, há muito, procuram nas livrarias e sites a última tempora dessa criativa e excepcional série, que nos faz sonhar como seria bom termos dirigentes, mesmo com as suas imperfeições, com esse ideal de seriedade e rigorismo no trato da coisa pública deste Brasil. Enfim, endosso o apelo à Warner que finalmente lance esse últimma parte, como um natural direito -para não dizer respeito – daqueles que colecionaram os anos anteriores. Abraço.

  • Mariazinha

    Estou assistindo pela internet uma mini-série chamada Politicals Animals com a Segourney Weaver no papel da Secretaria de Estado, impossível não pensar na H. Clinton. Aliás, a personagem é ex-esposa de um ex-presidente mulherengo interpretado pelo notável ator Ciáran Hinds. Vale a pena ver.

  • Enderson

    Acho um desrespeito da Warner Bros com os fãs brasileiros da serie WEST WING Desde 2007 envio e-mails para Warner Bros Brasil perguntando sobre a lançamento da 7 e ultima temporada e nunca recebi uma resposta sobre o assunto. A 7 temporada já passou no SBT em 2008 nas segundas feiras as 4: 30hs. Também foi lançada com o audio em português de Portugal na Argentina. Gostaria de um dia obter uma respostas, pois lutamos tanto contra a pirataria e a empresa Warner Brus não respeitai seus consumidores que compram as temporadas de sua serie e são desrespeitados em completar sua coleção com produtos originais. Qual é a moral desta empresa em combater a pirataria? Qual é a dignidade da Warner nos oferecer seus produtos que nunca serão completados? Será que um dia terão a moral e respeito de responder seus consumidores quando questionados?

    Meu prezado Enderson, a Warner não está seguindo um princípio primário de relacionamento de uma empresa com seus clientes — reparar que eles existem e entrar em contato com eles, quando solicitada –, pelo menos aqui no Brasil e/ou na América Latina.

    Confesso a você que JAMAIS recebi qualquer resposta sobre qualquer questão que encaminhei, pelas respectivas vias adequadas, ao(s) site(s) da empresa.

    Desde então, não escrevo mais nada.

    Sabe como resolvi o problema da sétima temporada de “The West Wing”? Comprei pela internet nos Estados Unidos. Para quem não se dá bem com o inglês, ou prefere legendas num idioma mais próximo ao nosso, vem com legendas em espanhol, fáceis de entender.
    Um abração

  • vitorio

    Continuo na mesma angústia de não ter acesso à sétima temporada. Talvez se nos manifestarmos nas redes sociais essa incrível postura de descaso da Warner possa mudar.