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Rosa Díez comemora ter quadruplicado os votos de seu partido na Espanha, mas… (Foto: La Vanguardia)

Amigos do blog, nós reclamamos dos absurdos de nossa legislação eleitoral, não é mesmo? Suplente de senador poder ser o irmão, o pai, o filho ou a mulher do camarada, por exemplo. A moleza de um Tiririca da vida, tendo 1,5 milhão de votos, carregar nas costas para a Câmara deputados com menos votos do que dezenas de outros candidatos mais votados que ficaram de fora. E por aí vai.

Mas não é só no Brasil que há distorções incompreensíveis, escandalosas, nas leis eleitorais, não.

Estão vendo a mulher da foto, a deputada espanhola Rosa Díez, alegríssima com os resultados do partido que comanda, a Unión Progresso y Democracia (UpyD)?

Díez, uma corajosa política basca que já exerceu diversos cargos, desde postos no governo do País Basco até deputada ao Parlamento Europeu, deixou posição confortável no o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), então no poder, em 2008, por considerar necessário que o país tivesse mais partidos de caráter nacional, além do recém-vitorioso Partido Popular (PP) e dos socialistas, e que o seu fosse uma alternativa entre centro-esquerda (PSOE) e centro-direita (PP). (A grande maioria dos partidos espanhóis são regionais – algo vedado pela Constituição, no Brasil –, vários deles nacionalistas e alguns querem a independência de suas regiões).

Muito mais votos, mas bem menos deputados

Pois bem, Díez é uma heroína: seu partido, que tinha apenas ela como deputada depois das eleições passadas, pulou agora para cinco.

E quadruplicou o número de votos, passando de 306 mil para 1,14 milhão.

Resultado espetacular, não?

Mas não é por acaso que a deputada tem como uma de suas bandeiras reformar a legislação eleitoral na Espanha.

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Duran e Mas comemoram a vitória de seu partido na Catalunha: menos votos, mas mais deputados (Foto: tonimu.es)

Por peculiaridades e filigranas destinadas legais a encaixar os partidos regionais no Parlamento, com bem menos do que esses 1,14 milhão de votos que lhe deram cinco deputados, o partido nacionalista conservador Convergencia i Unió (CiU), que governa a Catalunha, alcançou 1 milhão de votos e fez… 16 deputados. O partido conseguiu, pela primeira vez, ultrapassar os socialistas na Catalunha em eleições gerais, tendo à frente o deputado Duran i Lleida, que celebrou o resultado com o presidente catalão, Artur Mas.

Menos votos do que UPyD, e mais do que o triplo de deputados!

Pior ainda foram os nacionalistas bascos ex-partidários do bando terrorista ETA, agora reunidos num partido legal, Amaiur.

Eles comemoram uma “vitória estrondosa” por terem eleito sete deputados – com 333 mil votos.

Um quarto do que conseguiu o partido de Rosa Díez, e dois deputados a mais!

Não é só no Brasil que acontecem essas barbaridades, não.

Estão vendo?

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Nenhum comentário

mestre zen em 23 de novembro de 2011

se hay gobierno, estamos f...

Jefff em 23 de novembro de 2011

A outra metade que não é eleita pelo distrito é eleita por uma lista partidária. Quer dizer que não poderei votar em um candidato individualmente fora do distriro? O ruim é que tem gente que não gostamos e que gostamos dentro de um mesmo partido. Numa hipotetica lista em que o Jose Dirceu fosse o cabeça de chapa da lista e a Luiza Erundina tivesse no final da lista eu elegeria aquele infeliz? Esqueci de assinalar que os eleitores votam duas vezes: uma no seu candidato distrital, outra na lista. E há países em que os eleitores podem mexer na ordem da lista.

Jeff em 22 de novembro de 2011

Esse sitema misto parece bom! Eu queria entender melhor como funciona esse sistema. E verdade que o sistema brasileiro de votação só existe no brasil? Caro Jeff (sumiu um "j"?), o sistema brasileiro de votação é semelhante ao de alguns outros países que adotam o sistema proporcional, com variações. O que está mais errado no Brasil é ter um limite de número de deputados, um limite máximo, de 70 por Estado, independentemente da população. É errado também admitir-se coligações para eleições ao Legislativo, quando, teoricamente, as pessoas votam ideologicamente. Se se fazem coligações de 3, 4 ou 5 partidos, que ideologia pode haver nisso? Chegará um dia, daqui a não sei quantas dezenas de anos, em que a população e o eleitorado de todos os Estados terão crescido a ponto de atingir 70 deputados. Então, haverá Estados com o quádruplo ou o quíntuplo da população/eleitorado de outro, e com o mesmo número de deputados... O sistema misto prevê que metade dos deputados sejam eleitos por distrito. Assim, esses serão deputados próximos aos eleitores, porque concorrerão não em um Estado inteiro, como São Paulo ou Minas Gerais, mas num distrito geograficamente limitado, um pedaço de um Estado, e com um número muito menor de habitantes e eleitores. Teoricamente, as pessoas conhecerão melhor os candidatos e poderão fazer cobranças ao eleito. O voto distrital é majoritário, o que significa que, num distrito, só um deputado é eleito, o que tiver maior número de votos. Em alguns países, como a França, a eleição precisa se dar por maioria absoluta. Caso contrário, há um segundo turno, com os dois mais votados, tal como se dá no Brasil com presidente, governadores, prefeitos de grandes cidades etc. A outra metade dos deputados é eleita pelo sistema de listas partidárias. Os eleitores votam no partido A, ou no partido B etc, e, conforme o número de votos que cada partido obtiver, elegerá mais ou menos nomes de sua lista, na ordem em que figuram em cada lista. As listas são elaboradas em discussões e debates internos pelos partidos. O objetivo é que as grandes figuras nacionais dos partidos integrem essas listas, e não disputem a eleição num pequeno distrito. As grandes figuras também, teoricamente, atraem votos para os respectivos partidos. Um abraço

Jeff em 22 de novembro de 2011

Não errei não apenas AFIRMEI que no voto distrital essa distorção acontece sempre. Ou não? Ao afirmar o que afirmou comentando um post da Espanha, só me cabia pensar que se referia à Espanha, onde NÃO existe voto distrital. O voto distrital puro leva, sim, a distorções. Um partido pode ter uma soma de votos equivalente a 40% do total mas não conseguir vencer na maioria dos distritos e ficar, digamos, com 10% dos deputados. Por isso é que defendo o voto distrital misto, como na Alemanha. Metade da bancada é eleita por voto distrital, metade por listas partidárias. E defendo ainda que os eleitores possam mexer na ordem dos candidatos que aparecem nas listas, de forma a escapar da "ditadura" das cúpulas partidárias.

Jeff em 22 de novembro de 2011

Teve menos votos e aumentou a bancada! Essa é a maravilha de VOTO DISTRITAL que o senhor tanto defende. Quem ganha um distrito leva tudo mesmo que seu percentual de votos tenha caido. Defendo o distrital misto, que é mais justo com a representação popular.E desta vez você errou, Jefff. A Espanha NÃO tem voto distrital. É voto por lista.

Abílio Santos em 21 de novembro de 2011

Me desculpe, mas, com todo o respeito, parece-me um comentário um pouco nacionalista e provinciano. Isto é apenas o resultado da aplicação do método de Hondt. Misturar Tiririca com as distorções resultantes de um método de escrutínio universalmente usado... Será que o Brasil está passando a fase do Oba! Oba!? Nacionalista, eu? Você não deve ser leitor do blog...

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