Final da manhã de 27 de setembro de 1996. Sessão de encerramento da conferência de edições internacionais de Playboy em Acapulco.

O trabalho durou umas duas horas, e aqui aparece o vice-presidente da International Publishing de Playboy USA para a área comercial, Bob O’Donnell apresentando dados sobre a situação global das revistas.

Bob tratava, naturalmente, do lado empresarial da coisa, assunto que não era da alçada do pessoal editorial mas sobre o qual precisávamos estar informados.

Na edição brasileira de Playboy, mantínhamos uma muralha separando os interesses comerciais da revista de sua linha editorial. Pouco nos importava, na Redação, se uma entrevista com A ou B ou determinada reportagem repercutiria ou não na venda de páginas de publicidade, por exemplo. E jamais — jamais –, em cinco anos dirigindo a revista, recebi qualquer pressão da empresa para realizar qualquer agrado a anunciante.

Esta linha significava, na verdade, não mais do que seguir as normas éticas então em vigor e formalmente publicadas pela Editora Abril, e defendidas, em todas as ocasiões adequadas — grandes reuniões, palestras, eventos internos — pelo próprio Roberto Civita, presidente do Grupo Abril.

Devo porém admitir que, com outras edições de Playboy, as coisas eram muito diferentes. Lembro-me de uma outra conferência internacional, dessa vez em Saint Martin, a ilha franco-holandesa no Caribe, em que o pessoal da edição polonesa da revista explicou, com a maior naturalidade, que o “Carro do Ano” que a revista elegia e descrevia com detalhes e belas fotos, em várias páginas editoriais, era algo vendido como anúncio!

Em ocasiões como essa, meu espanto era o silêncio do pessoal de Playboy USA, uma vez que a promiscuidade entre editorial e comercial sempre esteve banida da grande imprensa americana.

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