Amigos, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) anunciou, como informei em recente post, e cumpriu: estreou hoje em grande estilo em seu papel de oposicionista que se pretende firme, mas não desleal, fazendo um incisivo discurso de 9 páginas diante de um plenário do Senado lotado como há muito tempo não se via, e com as galerias repletas de personalidades.

O senador fez o que há muito se cobrava do PSDB reticente, quase covarde da campanha presidencial: desfiou e elogiou a herança do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), e lembrou ao Senado e ao país alguns dos momentos cruciais da vida nacional recente em que o PT da presidente Dilma se recusou a encontrar uma saída para a crise .

Entre outros episódios, o PT expulsou de seus quadros os deputados que votaram no Colégio Eleitoral em Tancredo Neves, cuja eleição pôs fim à ditadura militar, negou qualquer sustentação aos difíceis primeiros tempos do governo Sarney, quando tudo o que se queria era evitar um retrocesso, opôs-se inteiramente ao Plano Real, que derrubou o câncer da inflação, e votou sistematicamente contra passos fundamentais para a estabilidade do país, como a Lei de Responsabilidade Fiscal.

— Nós estávamos lá, os nossos adversários não. Recusaram a convocação da história – disse o senador.

Há quem goste, há quem não goste, mas o senador deu ontem o primeiro passo para se colocar na pole position para a candidatura em 2014. Fez discurso de presidenciável.

Do plenário, que pode frequentar por ser ex-senador, o duas vezes ex-presidenciável José Serra, que ainda não desistiu de tentar chegar ao Planalto, assistiu ao discurso.

— Os que não me conhecem bem e esperam encontrar em mim ataques pessoas no exercício da oposição vão se decepcionar — disse o senador. — Não confundo agressividade com firmeza. Os que não me conhecem bem e acham que vão encontrar em mim tolerância diante dos erros praticados pelo governo também vão se decepcionar. Não confundo o direito à defesa e ao contraditório com complacência ou compadrio.

Leia reportagem do site de VEJA.

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José Geraldo Coelho em 11 de abril de 2011

Quanto à Irmandade Paulista, e não paulistana, é uma mera provocação que faço a vocês. É que me causa expanto a rápidez e a coencidência como vocês reagem à qualquer manifestação de oposição ao governo quando ela não é feita por políticos paulistas. Principalmente quando o que se manifesta é um provável, quase, possível candidato à presidência. Devemos nos lembrar que já passamos por três frustaçôes seguidas com candidatos paulistas. Sem contar com Jãnio, que era matogrossense paulistano, que ganhou mas não segurou. Tenho muita admiração por Serra e Alckmin, votei neles, mas os considero mais administradores do que políticos. Estadistas. E mais: suas reações agradam mais aos inimigos da república do que aos republicanos de fato. Toda oposição deve ser bem-vinda e valorizada.

José Geraldo Coelho em 11 de abril de 2011

A trajédia do Realengo foi uma coisa que chocou a todos mas acabou agradando ao governo e à oposição que se opôe ao Aécio. Seu discurso, que deveria ocupar toda a imprensa por alguns dias caiu no esquecimento. Aécio que providencie um outro discurso para daqui alguns dias.

carlos nascimento em 10 de abril de 2011

FAVOR CORRIGIR OPOSICIONISTA. Grato. Carlos Nascimento. Prezado amigo Carlos, Corrigi, a seu pedido, mas os pedidos de correções ortográficas são cada vez mais difíceis de fazer, porque o volume de comentários (felizmente) é muito grande. Estamos nos aproximando de 30 mil em 8 mil, o que dá mais de 6 mil por mês, o que significam 200 por dia. Um abração

Rodrigo em 10 de abril de 2011

Fraco. Sou paulista, meu pai é mineiro, mas não me disponho a votar em Aécio Neves. Talvez anule o voto, pela primeira vez na vida.

carlos nascimento em 10 de abril de 2011

O País com sérios problemas cambiais, inflação em descontrole, impunidade em alta escala, medidas provisórias inconstitucionais editadas pelo atual Governo, e o suposto top line oposicionista, falando de amenidades e do passado. Caro Ricardo, sinto divergir de sua opinião, foi uma atuação "pífia", sem conteúdo, adequada para marcar presença, cheia de glamour - como sempre - jogando para a platéia, estamos órfãos de politicos oposicionistas, sinto que o jogo é de cartas marcadas, estamos ferrados.

Ivander em 09 de abril de 2011

Tentou fazer um simples discurso inócuo parecer um evento nacional cheio de pompa. Eles, juntos com meia dúzia de jornalistas de prantão, ainda não entenderam que o Brasil mudou. Acordem!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Ivander em 09 de abril de 2011

Esse moço, como a maioria da oposição, nunca teve nada a dizer. Ainda bem que não tivemos o desprazer de ver seu avô na presidencia e, não o veremos também. Escrevam para não esquecerem: Ele não terá coragem de enfrentar a Dilma em 2014. Em 2018 muito menos, não correrá o risco de ficar sem mandato. Muito fraco.

Jeremias-no-deserto em 09 de abril de 2011

Aécio é político de conchavos, que flerta com o PT e faz um discurso de falsa oposição.Não há nada mais velho em nossa política que esse tipo fisiológico, cuja única ambição é construir a sua carreira, ainda que para isso tenha que bajular os poderosos. É medroso, para não dizer covarde e sua atuação agrada tanto o PT que o senador mineiro foi elogiado por próceres do governo federal, os quais já escalaram Aécio como o líder da oposição! É sério, não estou brincando. Ele pode ser bom para Minas, um reduto onde o PT tem grande aceitação, mas São Paulo JAMAIS endossará a sua candidatura.São Paulo será sempre OPOSIÇÃO AO PT.

JOSÉ CARLOS WERNECK em 09 de abril de 2011

Aécio é uma das poucas figuras que destoam do elenco mambembe da atual legislatura. Tem educação e paciência demais. Foi aparteado até pelo senador Humberto Costa,,que precisa fazer empostação de voz,antes de pensar em abrir a boca. Aguentou firme e civilizadamente.as bobagens,ditas pelo colega.Seu discurso foi excelente.Ficaria melhor ainda se falasse de improviso.Mas ninguém é perfeito!

fafa em 08 de abril de 2011

Setti, tem uma questao que merece ser discutida até para que a oposição tome seu lugar. As brigas internas do PSDB...afinal todo mundo sabe da briga interna que o partido enfrenta. Creio que sem resolver isso, o partido não terá vida longa!.

fafa em 08 de abril de 2011

E Serra assistindo a tomada de liderança pelo Aecio. No ninho tucano ainda tem muita briga, primeiro precisam resolver as vaidades pessoais para depois se tornar uma oposição que o pais precisa!

José Geraldo Coelho em 08 de abril de 2011

Seria bom se o Aécio transferisse seu domicílio eleitoral para São Paulo. Só assim a Irmandade Paulistana o aceitariam. Assim, talvez como vice do Serra ou do Alckmin. Amigo José Geraldo, seu comentário contém dois equívocos: 1) "paulistano" são apenas os paulistas que nascem na capital do Estado, ou que, ali vivendo, se consideram assim; quem nasce no Estado de São Paulo é paulista; 2) você generaliza, e generalizar é sempre um erro. Quer dizer que os 42 milhões de habitantes do Estado de São Paulo, todos, rejeitam o senador Aécio? Além do mais, você está enganado. Muita gente em SP gosta de Aécio e não simpatiza com o que seria seu principal concorrente no PSDB, José Serra. Se você quiser saber minha opinião, se o Aécio tivesse sido o candidato tucano em 2010 provavelmente teria mais votos em SP do que o Serra alcançou. Abração

reinaldo em 08 de abril de 2011

Pobre Brasil.

Elberto Biehl em 08 de abril de 2011

Até que enfim e que continue assim.

ALCIONE em 07 de abril de 2011

O "grande opositor" Aécio correu de um confronto em 2010. Vai é ficar quietinho no senado para ganhar canja quentinha. Ele sabe que não se trata de boquejar alto para ganhar do PT. Sempre vai ter os bolsonaristas e saudosistas dos torturadores, mas eles, graças a Deus, são menos de 50%, por isso o que eu vejo para 2012 é outra vitória do PT, pode vir até o Bolsonaro, o único que representa, de fato, o pensamento oposicionista o tempo todo, nem tenta fingir... como o Aécio e o Serra. É isso. Um abraço.

Nélio em 07 de abril de 2011

É o neo-Sarney.

Lori em 07 de abril de 2011

Caro Ricardo, boa tarde!!! Gostei muito do discurso do Aêcio, pelo menos uma voz da oposicao se levantou para nos dizer o que os milhoes de pessoas que votaram contra o governo,queriam ouvir. Agora esperemos que nao fique sô na retôrica. Claro que o caminho ê longo, e haverâ muito escolhos, mas DEMOCRACIA ê esso mesmo!!! Tem de existir o contraditorio,senao serîa autoritarismo!!!! ABS

Ixe em 07 de abril de 2011

Quanto ao discurso de Aécio ontem à tarde; acho qe o comentário da Dora Kramer foi na mosca. Punhos de Renda. O senador não acrescentou nada, a não ser mais pasmaceira, à inércia da oposição. Uns bananões embasbacados. Que coisa mais sem jeito, o discurso. Muito barulho por nada. A única congressista que hoje é nitidamente de Oposição maiúscula, destemida sem ser irresponsável nem medrosa, sem sentir a necessidade de pedir desculpas para falar, sem pedir permissão para cumprir com a obrigação do mandato de opositora, é a Senadora Kátia Abreu. O resto são bananas.

Ixe em 07 de abril de 2011

Perdoem-me os torcedores aecistas juramentados, mas não confio no vaselina. Não que se trata de desconfiança de alguém indigno. Nada disso. Acho que ninguém tem motivos para desconfiar do Aécio nesse aspecto. A desconfiança, no caso, é quanto à capacidade para enfrentar uma parada dura mesmo contra o lulalato. É muita malemolência mineira para o tranco petralhista. É muita vaselina. Tanto é assim que os petralhas torcem fervorosamente para enfrentá-lo nas próximas eleições. A tática de parecer amigável e de que , no governo, não seria hostil ao petralhismo é um perigo. Na eleição, corre o risco de ser atropelado pelo governismo petralha. O conciliador que pensa ser, como o avô foi, pode levar um tranco da truculência da máquina de governo que, como vemos diariamente, não tem nenhum escrúpulo. Sei que não existe político ingênuo. Menos ainda quem já foi quase tudo; governador por último, mas acho que no caso a estratégia aecista é pueril e a petralhada está a-do-ran-do. Vai que é mole, Aécio ! Eu vou de Kátia Abreu, o único macho dessa opo, se ela for.

Corinthians em 07 de abril de 2011

É... pra quem inventou o Dilmasia, conseguiu aliar PT e PSDB em Minas, começou a corrida por 2014. Discurso de candidato, que ainda conta a historinha sobre ser conciliador e sobre oposição. Oposição é pra se opor - ninguém espera que repita o absurdo que o PT fazia, sendo contra o Plano Real, contra as privatizações, contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, etc. O PT sempre se preocupou só com ele mesmo, nunca com o país. Fico revoltado com essa desculpa que aparece sempre que alguém quer ser oposição - "olha, vou ser oposição, mas só contra o que é ruim para o país... quando for bom não vou ser oposição". Deixa eu ressaltar - isso é o mínimo, o esperado, não é pra se desculpar por ser oposição. Faltou tirar mais "esqueletos do armário do PT" neste discurso. Faltou bater. Enfim, esse discurso cairia bem na propaganda eleitoral.

Carlos em 07 de abril de 2011

Aécio. Orgulho nacional. Esse Aécio irá revolucionar o Brasil. Paraens Aécio, grande discurso.

Bambu em 07 de abril de 2011

Aécio FINALMENTE entregou o Plano Real ao seu verdadeiro dono: ITAMAR FRANCO. O que sobrou pro FHC agora? As privatizações?

Leandro em 07 de abril de 2011

Concordo plenamento com seu comentário, Setti. Mas, para alguns, os mesmos, e aqui o plural é uma concessão ao anonimato, o Aécio está sempre errado. Se não fala o que deve falar a oposição, peca por omissão. Se fala, chove no molhado. Acho que se o ex-governador e atual senador por Minas passasse a citar a São Paulo universal, aquela que deve sempre servir de exemplo ao "resto do Brasil", o senador passaria a acertar mais. A questão geografica no Brasil, para alguns, continua um espanto.

Rosa Maria Pacini em 07 de abril de 2011

Eu li o discurso e gostei, Setti. Penso que Aécio e Itamar Franco poderão fazer uma boa dobradinha no Senado, de modo a imprimir alguma dignidade à oposição tão desmoralizada nos últimos tempos. Mas é preciso ir além do discurso para haver uma oposição de fato. Restrinjo-me, pois, por enquanto ao benefício da dúvida, o que é muito se considerarmos a performance mais recente da atual oposição partidária.

Zé da Silva Brasileiro em 07 de abril de 2011

Os mineiros sabem escrever discursos e o Aécio demonstrou ser bom leitor. Todavia, nós que residimos em Minas Gerais, não temos direito a ilusões. No plano estadual vemos as mesmas práticas que o neto de Tancredo tanto critica no plano nacional. Enfim é a política...

José Geraldo Coelho em 07 de abril de 2011

O Serra foi o primeiro a deixar claro que quer ser presidente. Aécio foi o segundo. Alkmin tambem deve ter resmungado alguma coisa nesses termos. Outros surgirão nesses quase quatro anos que faltam para as próximas eleições. E que venham. Em grande número e qualidade. E que o próximo não seja escolhido por um triunvirato em algum restaurante chic de São Paulo mas em uma convenção dos partidos de oposição ao que está aí.

Seilon em 07 de abril de 2011

Se ele for candidato em 2014,o PSDB paulista vai fazer com ele,o que o PSDB mineiro fez com Serra e Alckmin:abandoná-lo. Acho que o candidato tucano tem que ser de fora do eixo MG-SP.Acho que um de fora tem mais chances de unificar o partido.

Raphael em 07 de abril de 2011

Funciona assim: os maiores veículos de notícias colocaram o discurso de Aécio como positivo. Será que nenhum deles divergem? A corrida presidencial está posta. Venhamos e convenhamos: o que Aécio disse de interessante? Nada de mais, apenas para criar um factóide. Quem teve a oportunidade de acompanhar o discurso de Aécio na íntegra e viu os noticiários percebe como a imprensa tem manipulado. Eu sou professor aqui no Estado de Minas e nossa categoria sabe como Aécio foi danoso ao ensino. Assim fica difícil para a oposição. Os partidos de oposição do governo Dilma precisam enfrentar a discussão de que são fracos em políticas públicas. Essa história de que os avanços no Brasil é uma herança dos governos anteriores já não colam.

elionier em 06 de abril de 2011

Se o plenario estava cheio e o Jornal Nacional deu destaque ao dircurso,é pq Aecio quando abre a boca, tem o que falar.Quem diz o contrario é por despeito ou por desconhecimento.

Luis R N Ferreira em 06 de abril de 2011

Ao tentar lançar sua candidatura a presidência com quatro anos de antecedência, Aécio mostra que não herdou a sagacidade política do avô. Os mais entusiasmados elogios que se ouviu no plenário partiram da situação, que vislumbraram o líder oposicionista de seus sonhos.

José Américo C Medeiros em 06 de abril de 2011

Finalmente uma voz no deserto oposicionista. Porém, creio que tardia: a máquina governamental entrincheirou-se em todos os vãos públicos e privados sem pedir licença, algumas vezes pedindo, outras comprando. Amanhã, tenho a certeza, e-mails, fax e telefones em todas as repartições públicas, de estatais, de capital misto, e quiçá da Vale, estarão a serviço da máquina petista para disseminar o contra-ataque.

J.B.CRUZ em 06 de abril de 2011

AÉCIO NEVES herdou de seu avô materno TANCREDO DE ALMEIDA NEVES a política da boa vizinhança e da conciliação, não confunde adversário com inimigo e respeita o contraditório..Mas, AÉCIO também herdou de seu avô paterno E pai(TRISTÃO e AÉCIO CUNHA)a ética e a moral na política..Como GOVERNADOR DE MINAS GERAIS por 2 mandatos,AÉCIO cumpriu todas as promessas de campanhas e levando um ESTADO endividado a ESTADO CREDOR nos últimos 8 anos, inclusive com PIBs,sucessivamentes maiores do que o governo federal nos últimos 3 anos...AÉCIO é político de verdade...

Frederico Hochreiter/BH em 06 de abril de 2011

Não li o discurso. Pelo seu resumo, decepcionante. Um discurso de candidato, quase que pedindo desculpas por estar dizendo alguma coisa contra.

Flauta em 06 de abril de 2011

Discurso inócuo que foi plenamente desmascarado pela Senadora Gleise. Deu pena do "presidenciável".

marcia costa em 06 de abril de 2011

Foi um discurso de estadista, feito por um líder forjado na vida política e elegante por natureza. Quem prega uma oposição destrutiva e raivosa como foi a do PT parece que estaria melhor sendo seu filiado. Apostar na maturidade política da população é bem mais digno e íntegro do que fez o lula e o PT. Por que copiar aquilo que rejeitamos? O fato é que ele “plenarizou” o Senado e trouxe de volta uma prática abandonada, o diálogo e o enfrentamento sem antíteses. Afinal, adversário não é inimigo, como disse. Não é o que nós, pretensos democráticos, pregamos? Seu discurso não tem uma vírgula que possa ser corrigida e a sua postura, um resgate. Falou para todos os brasileiros e consolida a sua legítima pretensão de alcançar o mais alto posto do país.

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