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Merkel com seus aliados, o presidente do SPD, Sigmar Gabriel (esq.), e o presidente da CSU, Horst Seehofer: coligação de governo séria, em um pais sério onde, segundo a revista “The Economist”, “a palavra sério quer dizer exatamente isto” (Foto: Michael Sohn / AP)

Esta semana a chanceler da Alemanha, Angela Merkel — a governante mais poderosa da Europa e uma das líderes mais influentes do mundo — fechou um acordo para que seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU) e seu partido irmão União Social-Cristã (CSU), do Estado da Baviera, governasse em coligação com os tradicionais adversários do Partido Social-Democrata (SPD).

Merkel terá uma maioria esmagadora: num Parlamento de 631 deputados, como o Bundestag alemão, terá uma bancada de 503.

E sabem como se procedeu a aliança com os social-democratas?

Merkel NÃO aparelhou o governo com os sindicalistas aliados do SPD para agradar os novos aliados.

Merkel NÃO loteou cargos de confiança no governo entre os partidos da coligação.

Merkel NÃO prometeu destinar “emendas parlamentares” para que os deputados da coligação distribuam verbas em fontes luminosas e ginásios de esportes em suas regiões de origem.

Merkel NÃO decidiu rechear as seríssimas e rigorosas agências reguladoras do governo alemão — em áreas como telecomunicações, transportes terrestres, aviação e energia — com cupinchas dos aliados, nomeados (como ocorre no Brasil) por sua ideologia ou militância, e não por sua competência.

Merkel NÃO resolveu aumentar os atuais 14 Ministérios existentes para abrigar políticos.

Merkel, é claro, NÃO acertou qualquer mensalão para atrair deputados para a base de apoio de seu governo.

Merkel, em suma NÃO FEZ NADA do que se costuma fazer no Brasil do lulopetismo, em nome desse monstro invisível chamado “governabilidade”, que justifica todo tipo de atropelo ao bom senso, à meritocracia e à moralidade pública.

O que fez a firme chanceler alemã, há oito anos e três eleições no poder, para fechar uma coligação que vai permitir que governo tranquilamente por todo seu mandato de quatro anos?

Merkel fez o que se faz nos governos decentes de países sérios — e, como escreveu há algum tempo a revista britânica The Economist, a chanceler vem conduzindo “um governo sério, num país sério onde a palavra sério quer dizer exatamente isto”: discutiu, durante um mês, em que medidas para o bem da Alemanha democratas-cristão e social-democratas — que divergem em inúmeros pontos — concordam.

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O Bundestag, o parlamento alemão: entre 631 deputados, Merkel terá o apoio de 503 — sem mensalão, sem aparelhamento do Estado, sem aumentar o número de ministérios… (Foto: bundesfinanzministerium.de)

Os pontos sobre os quais ambos concordam foram a ponte para o acerto político. Mas, em se tratando de um pais sério, esses pontos foram esmiuçados em um sólido documento de 170 páginas contendo o programa que o governo de coalizão entre dois grupos adversários executará.

As 170 páginas prevêem, com detalhes, como se darão as melhoras no sistema de previdência social, em quais projetos serão aplicados os investimentos adicionais na área de educação e pesquisa científica, o que deve ser feito para aperfeiçoar e ampliar os sistemas de transportes (rodovias, as já fabulosas autobahns, e ferrovias), o estabelecimento por lei, a partir de 2015, de  um salário mínimo (8,5 euros — 27 reais — por hora, o que significa algo como 4.320 reais mensais) — não existe salário mínimo legal na Alemanha, só os valores estabelecidos em acordos entre sindicatos de patrões e de trabalhadores — e outros itens de importância semelhante.

O entendimento abrange inclusive a solução de um problema que se arrasta por quase meio século no país — a possibilidade, enfim, de aquisição de dupla nacionalidade para o grande contingente de alemãs de origem turca, pouco mais de 4% de uma população de 80,5 milhões. Até agora, os descendentes dos imigrantes turcos que ajudaram a erguer o “milagre econômico” alemão só podem optar por uma das duas nacionalidades.

Detalhe importante: o documento inclui o compromisso férreo de não se aumentar impostos durante os próximos 4 anos.

Enquanto isso, num grande país do Hemisfério Sul, que tem 39 ministros e 20 mil cargos de confiança loteados entre cupinchas dos partidos do governo…

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44 Comentários

Alcides em 10 de março de 2014

É a grande diferença entre trabalhar para o país e trabalhar para si próprio. Aqui o país é escorchado nas suas finanças para permitir perpetuação de poder em detrimento das necessidades que a nação possui e apesar da falta de infraestrutura, da miséria e dos serviços públicos de péssima qualidade imposto aos brasileiros.

Atos Sponholz em 21 de fevereiro de 2014

Que diferençacom a nossa PresidANTA. Que orgulho deve ter o povo alemão om uma mandatária do gabarito dessa sra. Coitado do brasileiro que além de ignorante que elege uma pessoa totalmente despreparada e age como vaquinha de presépio, sempre dizendo amém ao Lula e ao presidiário José Dirceu e cúpula petista.

V A Anibal em 30 de janeiro de 2014

É só por uma lei que corrupção é crime hediondo , não obrigatoriedade do voto, e não a obrigação de pagar impostos sindical. Resolve 50% dos problemas , o Brasil avança 100 anos.

Amadeu Guerra em 11 de janeiro de 2014

Cidadão. Foi dito tudo no artigo. Você que é PTista de carteirinha faça a comparação de Merkel com Dilma: vai ficar envergonhado, certamente. Aliás, a falta de escolaridade de nosso povo, proposital, não permite reflexão e posicionamento aos malfeitos do lulismo.

Mario Neves Baptista Filho em 08 de janeiro de 2014

Impossível comparar qualquer país sério com os facínoras que governam o Brasil

Leopoldo Kochhann em 06 de janeiro de 2014

As regras para publicação de comentários no blog, conforme alertei os amigos leitores incontáveis vezes, não aceitam textos escritos somente em maiúsculas. Confira as regras no link http://goo.gl/u3JHm Obrigado

Celso em 15 de dezembro de 2013

Caro Celso, o colunista Ricardo Setti está em férias, e quando voltar, em janeiro, poderá eventualmente ler e responder seu comentário. Abraços

ej,berg em 14 de dezembro de 2013

aqui as alianças somente para subir salário e privilégios ai todas as correntes chegam em um comum acordo (estado brasileiro uma industria de salários)

Rodrigues em 01 de dezembro de 2013

Isso acontece onde as lideranças, se preocupam com o país como nação, entendem que seu sucesso pessoal depende do progresso da nação, são líderes que não mercantilizam seu povo para construir um paraíso particular, são pessoas sobretudo, desenvolvidas intelectualmente, razão que os capacitam a entender que se o povo é forte, seus líderes são imbatíveis, se o povo é fraco, seus líderes são no mínimo covardes.

Alison em 30 de novembro de 2013

Enquanto isso nosso governo continua a fazer parcerias com as ditaduras comunista de Angola e Cuba... Infelizmente !

AlexRio em 30 de novembro de 2013

Jose Amarildo - 30/11/2013 às 15:04 "Um tapa na cara da gestão petista." Verdade, todas as outras no Brasil foram diferentes e iguais a da Merkel haha

AlexRio em 30 de novembro de 2013

Isso tem muito menos a ver com o governo Merkel e Dilma do que com os povos em questão. Não há qualquer margem de comparação entre brasileiros e alemães no tocante à educação e ética. O PT, obviamente, não tem o monopólio de ligações espúrias e mutretas éticas para governar, apenas copia o exemplo de dezenas de governos antes dele. Isso será assim pra sempre, quem entra na politica brasileira tem tudo, menos espirito publico.

Celso em 30 de novembro de 2013

Não publico comentários com linguagem grosseira.

Jose Amarildo em 30 de novembro de 2013

Um tapa na cara da gestão petista.

Daise em 30 de novembro de 2013

Tenho apenas uma correção a fazer no seu texto, já que moro na Alemanha, sou teuto-brasileira e também votei na Merkel. No caso da dupla cidadania, quem é descendente de alemães e nasceu no exterior, como no meu caso, é possível sim ter dupla cidadania, aliás, sempre foi possível, eu tenho a minha há mais de 20 anos, só tive que provar com a apresentação de várias certidões que foram comparadas aos livros dos registros de nascimento do meu avô na Turíngia...Claro tem que ser tudo muito sério, para evitar trambiques. A dupla cidadania que foi acertada na coalizão é principalmente a dos netos de turcos(mesmo nascendo aqui, pelo direito alemão o que interessa é a descendência e não o local de nascimento)que vieram para cá a partir de 1962 para trabalhar e depois voltar para a Turquia, só que não voltaram e foram ficando, até os 21 anos estes jovens podiam ficar com os 2 passaportes, mas depois deveriam optar por um deles...agora podem manter os 2....No resto é isto mesmo, tenho orgulho da Alemanha e não me decepciono com o CDU, partido no qual eu voto desde que moro aqui. Qdo vejo as notícias que a Revista Veja e outros publicam sobre o Brasil, noto que nada mudou desde 1993, qdo sai daí, toda a corrupção jeitinho, malandragem, enfim, continuam como sempre, talvez pior e eu dou graças a Deus por ter decidido vir para cá, há exatos 20 anos...mesmo qdo temos -19°C no inverno. Obrigado por seus esclarecimentos, prezada Daise. Um abraço e volte sempre.

Roberto Souza em 30 de novembro de 2013

Setti, acho que ela foi orientada pelo grande consultor do mundo, o Lula. Já faz tempo que o maior governante desde a invenção da roda anda pelo mundo a ensinar como se deve governar. Merkel é só mais uma aluna aplicada.

GA em 30 de novembro de 2013

Que triste ver nosso povo, pobre e ignorante, seuzido por tanta enganação. Eles nunca visitaram paises sérios. Só conhecem praia, carnavel, balada. Não querem saber de notícias, preferem as novelas, os programas de autitório oba oba. Esse povo tão ignorante, preocupado apenas com sua sobrevivência ou seu bem estar, pode esclher um bom represetente?

antonio em 30 de novembro de 2013

O Brasil tem 500 anos, a Austrália menos de 300, O Egito mais de 5.000 Idade de um pais não diz muita coisa em relação ao progresso. Até 100 anos atrás a Austrália era uma penitenciaria e só iam para lá os presos e os policiais com suas famílias.

Antônio em 30 de novembro de 2013

Os paradigmas brasileiros são tristes: aqui se faz o contrário do que se prega. É o País dos ilusionistas, onde, na política, não há seriedade. Sinto orgulho de ser brasileiro e amo o meu País, mas que tristeza ver a distância que nos separa de um País sério.Quem duvida é só ir à Alemanha e constatará a diferença. Parabéns Ricardo Setti.

wilson em 30 de novembro de 2013

Que pais atrasado nossa sem um pmdb sequer um psd Estes teutos são um povinho mesmo.

Claudio em 30 de novembro de 2013

Caro Setti! E uma vergonha o que se passa no Brasil, mas nao vamos colocar a culpa no PT. E claro que o PT euma vergonha nacional ( nao, e melhor dizer vergonha internacional), mas nao vamos esquecer os outros partidos. Sem corruptores nao existem corruptos e sem voto , nenhum desses crapulas estariam em Brasilia ou em qualer outro Estado/cidade/ do pais. Nao se pode comparar Banania com Alemanha ( ate rima ), mas muito mais importante que os politicos de la e o povo !!!

Marta em 30 de novembro de 2013

Ah, que inveja!

luiz fernandes de oliveira em 30 de novembro de 2013

Enquanto a nossa governta faz acordo para beneficiar o PT e seus aliados, a Angela Merkel faz acordo para beneficar o seu povo.

jose antonio em 30 de novembro de 2013

Nós não temos conhecimento , competencia , categoria e nem moral pra comentar sobre a Alemanha portanto ......

olavo em 30 de novembro de 2013

Caro Setti: Considerando que a Alemanha perdeu a primeira e a segunda guerra mundial, foi penalizada financeiramente e moralmente por isso e ainda consegue ser exemplo? Povo de fibra! Cá para os trópicos, só nos resta lamentar que os holandeses foram expulsos de pernambuco, mas em trinta anos fizeram mais que os portugueses em 500. Informar ao Brasilino aí de baixo que lá tem 631 DEPUTADOS, não exploradores da profissão de político como aqui, onde temos pouco mais de 500, 81 senadores, que nos custam como se fossem 10.000. Por fim realmente só nos resta lamentar e tentar mudar isso nas eleições, pois não adianta protestar como um leão e votar como um burro. Grande abraço.

A. em 30 de novembro de 2013

O texto - e o pretexto para ser escrito - são absolutamente impecáveis. Ressalvo apenas um detalhe, gramatical ou de semântica, no último parágrafo: "num grande país do Hemisfério Sul". No máximo é um "país grande"...

José Maria em 30 de novembro de 2013

Angela Merkel, que é filha de pastor, obteve uma votação expressiva na última eleição, inclusive de sua base, os partidos cristãos União Democrata-Cristã (CDU) União Social-Cristã (CSU). Depois tem gente que ainda diz que política e religião não se misturam.

VROSA em 30 de novembro de 2013

PARABÉNS...EXCELENTE ARTIGO...Deve ser enviado aos marreteiros presos na Papuda.. E alguém deve ler pro Lula... Coitado não sabe ler direito e não vai entender nada DEVE SER ENVIADO AOS MARRETEIROS PRESOS NA PAPUDA...E ALGUÉM DEVE LER PRO LULA...COITADO NÃO SABE LER DIREITO E NÃO VAI ENTENDER NADA

Humberto em 30 de novembro de 2013

Como eu faço para me mudar para a Alemanha?

Heitor em 30 de novembro de 2013

Meu Deus, que desespero! Desespero de viver nesse nosso regime de (des)governo.

Paul em 30 de novembro de 2013

O Congresso deveria lotar um aviao de deputados para ir lá estudar essa situação, coisa incrivel, poderiam ficar um mês num tour na Alemanha e no ultimo dia dar um pulinho no Bundestag para ver isso ....

Luzia das Graças Gomes Carrijo em 30 de novembro de 2013

Gostaria de ver o que escrevi. Fiquei emocionada e Chorei de esperança! Nem sei se tive alguns erros de português! Obrigada por algo tão lindo!!! Sr. Setti por favor! Continue escrevendo o que é nobre, normal e humano... Lu Carrijo (RAMALLLAH- JERUSALÉM)

Luzia das Graças Gomes Carrijo em 30 de novembro de 2013

Eu acredito em DEUS! No trabalho, na educação e se isso for levado a sério? Poderemos nos orgulhar e não ter inveja de ninguém. E quem sabe depois de tantas e quantas o povo aprendeu? E preciso ter esperanças...Ah! Que maravilha essa Coluna do Setti. Li-a e reli várias vêzes... Muito obrigado, de coração, prezada Luzia. Um abração!

ildemar garmatz em 30 de novembro de 2013

cada povo tem o governo que merece.

nena em 30 de novembro de 2013

Ai, Setti, inveja mata mesmo! Estou com uma dor de cotovelo sem tamanho. E pensar que foi para uma estadista como esta que a nossa presidenta tão séria e sabida foi dar aulas. Se inveja sozinha ja mata imagina quando se junta a uma dose cavalar de vergonha.

Brasilino Brasa em 29 de novembro de 2013

631 deputados? Que cabeçada. Considerando que a Alemanha é bem menor que o Brasil, 631 cabeças está bem além do razoável. De resto, não há outra alternativa que não seja sonhar.

Ricardol em 29 de novembro de 2013

alemanha, frança, inglaterra e outros têm mais de 500 anos de existencia como povo, estado, país. o brasil tem apenas 500, então, há muito do que aprender. paciencia! Os Estados Unidos e a Austrália têm bem menos de 500 e...

Fachini em 29 de novembro de 2013

Caro Ricardo Setti, alguém do governo brasileiro, do Congresso Brasileiro leu tua mensagem? Gostaria que enviasse a todos eles com aviso de leitura, para comprovação. Parabéns pela divulgação do conteudo desse acordo político, que só nos dá inveja. E aqui continua a valer a maldita "lei da vantagem". Apesar de palmeirense concordo plenamente com o Corinthiano, realmente é humilhante para nós brasileiros.

João Augusto-1 em 29 de novembro de 2013

Realmente. Inveja, mas não só. Vergonha! o ex presidente foi (ou está sendo) julgado por ter permitido que sua conta fosse paga. 700 euros também na Alemanha.Aqui, o ex (pro forme,pois ainda continua) recebe propinas de tudo quanto é lugar. E a inominável queria ensinar a Merkel a governar, lembra-se? É de morrer de vergonha.

Corinthians em 29 de novembro de 2013

É... humilhante ver a diferença. Nem sei mais o que dizer. Aqui modelo bom é Cuba, Venezuela...

Cristiano Arruda em 29 de novembro de 2013

Essa gente ainda é patriota e não PaTota.

Aninha em 29 de novembro de 2013

Pois é, o que falta no Brasil é seriedade e vergonha na cara. Algumas pessoas têm, mas a avassaladora maioria infelizmente não.

Edna Dias Ferreira em 29 de novembro de 2013

Exemplo para a Dilmá, ela tem que ler este comentário.

Roberto Silva 51 RJ em 29 de novembro de 2013

Seu comentário foi perfeito. Apenas complemento-o num pequeno detalhe. Entenda-se por país sério, um país que tem um povo sério. O maior problema do Brasil começa exatamente por esse pequeno detalhe. O resto é consequência.

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