Artigo de 2005: Alckmin: derrota no pior momento

Artigo de 2005: Alckmin: derrota no pior momento Alckmin e Lula, em abril de 2004 (Foto: Ana Nascimento - Agência Brasil)

E também: Lula garoto-propaganda, esvaziamento do Foro de São Paulo, o termo correto para as Farc, o governo e as células-tronco, o Guaraná de Fidel, os 120 mil pneus do Rio Tietê – e Ronaldo na caça ao recorde de Pelé

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Por mais que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), queira dar um tom de “bola-pra-frente” ao episódio, é duríssimo o golpe que sofreu no episódio desta terça-feira, 15, em que seu candidato à presidência da Assembléia Legislativa perdeu a disputa para um deputado do PFL cooptado na última hora pela oposição.

A vitória do deputado Rodrigo Garcia não poderia vir em pior momento: Alckmin ensaia seus primeiros vôos como candidato à sucessão de Lula (se quiser saber mais a respeito, clique à esquerda no nome do autor e leia o artigo “Os desafios para um candidato Alckmin”). E qualquer fiapo de chance de o governador chegar ao Planalto baseia-se numa forte aliança com o PFL.

Agora, entre várias, uma pergunta é inevitável: se os tucanos paulistas não foram capazes de garantir a lealdade do PFL nem mesmo concedendo ao partido secretarias no Estado e na Prefeitura da capital e, mais do que isso, cedendo importantes cargos de vice a dois expoentes do PFL local – o professor Cláudio Lembo é vice-governador do Estado e o ex-deputado federal Gilberto Kassab é vice-prefeito da capital –, que chances tem o governador de formar uma aliança nacional?

Rasteira nos tucanos

O PFL, por sua vez, finge que o episódio se restringe à área parlamentar, quando vai muito além. Cardeais nacionais do partido entraram em sintonia com o PT, adversário ferrenho de Alckmin, e trabalharam duro por Garcia – que, por sinal, antes de virar casaca, era um dos articuladores da candidatura do tucano que derrotou, Edson Aparecido.

Lembo, que além de vice-governador é presidente do PFL paulista, limitou-se a “recomendar” ao deputado Garcia que não concorresse. Quanto a Kassab, a despeito de ser sócio de Garcia em vários empreendimentos e de ter feito dobradinha com ele nas eleições de 1998 e 2002 – os dois, em ambos os pleitos, compartilharam até o mesmo jingle de campanha –, se fez de morto ao ver o afilhado aplicar uma rasteira nos parceiros tucanos.

Cara de tacho

O governador se mostrava tão tranqüilo com a escolha do deputado Edson Aparecido que estava nos Estados Unidos durante as articulações finais para a disputa. Ao voltar, convocou deputados de vários partidos para conversas no Palácio dos Bandeirantes, reuniu-se com prefeitos, presssionou daqui e dali. Perdeu por 48 votos a 46 – e ficou com cara de tacho.

Nosso voto pusilânime

A cada multidão de libaneses que sai às ruas clamando pela saída das tropas e dos agentes de espionagem sírios que há 29 anos tornaram o Líbano um protetorado de Damasco fica mais constrangedora, para os brasileiros, a abstenção pusilânime do Brasil quando o Conselho de Segurança da ONU aprovou, em setembro, a resolução pela retirada da Síria.

Lula e a Pepsi-Cola

Sempre supostamente atento à imagem do governo Lula, que procura inflar com as gordas verbas de publicidade que administra, o secretário de Comunicação, Luiz Gushiken, deixou passar uma bola entre as pernas na recente pelada que, no campinho de futebol da Granja do Torto, reuniu ministros, políticos, o presidente Lula e os ex-craques Sócrates, Raí e Vladimir.

Os marqueteiros do governo deixaram que Lula fosse fotografado envergando uma camisa do Corinthians com propaganda da Pepsi-Cola no peito – algo que um presidente, obviamente, não deve fazer. Sem contar que a Pepsi não tem mais nada a ver com o Corinthians: por decisão da empresa MSI, parceira do clube, o Timão vem atuando sem patrocínios no uniforme enquanto negocia novos contratos.

Sai pra lá, Farc

No momento em que a revista “Veja” levanta a hipótese – sem documentos que a comprove – de que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) tenha destinado dinheiro a candidatos petistas nas eleições de 2002, o nome das Farc desapareceu sem deixar vestígios do site de uma entidade, o Foro de São Paulo, que reúne partidos e organizações de esquerda da América Latina e na qual o PT conviveu desde o início com essa e outras organizações terroristas.

O site do Foro – confira no endereço forodesaopaulo.org –, antes repleto de informações sobre seus integrantes e atividades, é hoje um esqueleto vazio, sem nomes de militantes nem de organizações, abrigando meia dúzia de documentos genéricos. Fundado em 1990, em São Paulo – daí o nome –, o Foro é uma espécie de “espaço de discussão” de entidades de esquerda, que se reúnem anualmente, discutem temas e divulgam uma declaração, ideologicamente esquentada. Pelo menos sua parte visível não passa muito daí. O PT, segundo informaram figuras de relevo no partido a esta coluna após a eleição de Lula, no final de 2002, foi aos poucos minimizando a importância de sua presença no Foro e, dentro dele, teria maior proximidade com um grupo de partidos que incluem o moderado Partido Socialista do presidente do Chile, Ricardo Lagos.

Revolucionários, não: terroristas

O problema é que sempre foram integrantes do Foro, entre outras organizações, as Farc e o chamado Exército de Libertação Nacional (ELN), também colombiano, entidades que o governo dos Estados Unidos considera terroristas. E não sem razão. As Farc e o ELN, como se sabe, deixaram há muito de ter qualquer traço revolucionário no sentido romântico dos anos 60 – o de recorrer às armas como último recurso para a transformação social e a derrocada do totalitarismo e da injustiça.

Na realidade, são ambos tropas armadas criminosas e bárbaras, que combatem um governo eleito democraticamente, vivem à custa do narcotráfico e da indústria dos seqüestros, categoria na qual a Colômbia é campeã mundial, praticam atentados em que já morreram milhares de civis e tornaram um inferno a vida do povo colombiano.

Sanção e células-tronco

Termina no próximo dia 23 o prazo para que o presidente Lula sancione a Lei da Biossegurança, que disciplina, num único texto, duas questões ultra-polêmicas – a produção e comercialização de organismos geneticamente modificados e a pesquisa com células-tronco embrionárias.

Apesar da esmagadora maioria de 352 votos a 60 obtida pela lei na Câmara dos Deputados, depois de passar pelo Senado, setores interessados nas duas questões temem a possibilidade de o presidente, pressionado inclusive por áreas do próprio governo, vetar itens importantes do texto. Um grande grupo que reúne diversas entidades pró-pesquisa com células-tronco cogita solicitar audiência com Lula antes da sanção.

Nova batalha

Uma vez assinada a lei por Lula, outra possível batalha a ser travada tanto pelos defensores dos transgênicos quanto pelos favoráveis às pesquisas com células embrionárias será a da regulamentação da lei. Vários de seus dispositivos são auto-aplicáveis, mas outros dependerão de decreto presidencial para surtirem efeito na prática.

A Lei da Biossegurança contém uma série de prazos para a adequação de várias entidades a suas normas, mas não para que seja baixada sua regulamentação.

Com a barriga

Esse não é um detalhe negligenciável. Há casos de leis controvertidas cuja regulamentação o governo vai empurrando com a barriga. Um dos casos mais notórios foi o da Lei do Abate, que permite, sob determinadas condições, a derrubada de aviões clandestinos voando sobre o território brasileiro.

Sancionada por FHC em março de 1998, permaneceu na geladeira porque o presidente fugia como o diabo da cruz da polêmica causada pela sanção da lei, que incluía a má-vontade dos Estados Unidos. Acabou sendo regulamentada somente em julho de 2004, pelo presidente Lula. Uma demora de seis anos e quatro meses…

Trabalhão

Nesta quinta-feira, 17, completa 20 dias o anúncio feito pelo senador Jefferson Peres (PDT-AM) de que iria elaborar uma lista de “todas as platitudes, todas as incoerências, [todas] as bobagens que o presidente [Lula] tem dito.

A promessa, proferida no plenário do Senado, deu-se no calor das repercussões da declaração de Lula de que teria ocultado corrupção durante o governo FHC.

Ao que parece, o senador está tendo muito trabalho.

Por falar no assunto

Na ocasião da declaração de Lula, FHC declarou-se indignado e exigiu uma retratação do presidente.

Como se vê, tanto para um como para outro, ficou por isso mesmo.

Só no Brasil

É inacreditável que, quase um mês depois que a dona de casa Maria Quitéria da Silva deu à luz um menino em Arapiraca (AL) tendo 65 anos de idade, sem recorrer a qualquer método de fertilização, transplante de óvulo ou de embrião, nenhum centro de estudos médicos do país tenha ainda se interessado por seu caso.

Não podia, agora pode

Está sendo aventada em Brasília a hipótese de o governo, para cumprir dispositivos constitucionais, computar em 2005 como gastos com saúde parte dos recursos do combate à fome e o dinheiro a ser investido em saneamento.

Se isso de fato ocorrer, o governo estará repetindo nacionalmente expedientes semelhantes aos utilizados em São Paulo durante a gestão do prefeito Celso Pitta (1997-2001), contra os quais o PT passou quatro anos esbravejando.

Que bom, e que pena

Quem visitou até dias atrás o Museu Paulista, conhecido como Museu do Ipiranga, em São Paulo, maravilhou-se ao ver o impressionante busto de Victor Hugo feito por Rodin – um raríssimo original de gesso, do qual se podem fazer bronzes, com dedicatória do grande escultor francês a Alberto Santos-Dumont, o “Pai da Aviação”.

O maravilhamento é proporcional à decepção diante da constatação de que, por falta de recursos, o museu, pertencente à Universidade de São Paulo, não pode expor um maior número de peças de sua reserva técnica, como é o caso da escultura de Rodin e de outros preciosos objetos de uso pessoal de Santos-Dumont.

O programa “Museu Oculto”, inaugurado com o Rodin, pretende exibir uma única peça da reserva técnica por mês. O acervo total do museu é gigantesco: 150 mil peças.

Garotinho ou Matheus?

Os esforços do marketing da governadora do Rio de Janeiro – voltados para que ela seja vista como política com personalidade própria e não mera sombra do marido, o secretário de Governo Anthony Garotinho – incluem fixar seu nome como Rosinha Matheus. Mas o próprio ex-governador, volta e meia, se encarrega de deitar por terra a estratégia, referindo-se a ela como “Rosinha Garotinho”.

Ele fez isso até em recente artigo para a página de opinião da “Folha de S. Paulo”.

Só pra mim

O relato é de testemunha ocular: após receber duas caixas de guaraná em lata como presente do presidente Lula – uma de guaraná comum, outra da versão diet –, o ditador cubano, Fidel Castro, abriu e tomou uma, sem oferecer sequer um gole aos assessores presentes em seu gabinete.

Números relevantes

As empresas que realizam as obras de aprofundamento da calha do rio Tietê – esgoto a céu aberto que corta a cidade de São Paulo – retiraram de suas águas, desde 2002, 120 mil  pneus velhos.

Números irrelevantes

O mastro em que fica hasteada a grande bandeira nacional na Praça dos Três Poderes, em Brasília, tem 100 metros de altura.

Falta algo na agenda

O novo presidente do Uruguai, o esquerdista Tabaré Vasquez, fará sua primeira visita oficial ao Brasil no próximo dia 22. Da extensa pauta de que tratará com o presidente Lula – que vai de disputas sobre o leite em pó importado do Uruguai ao futuro do Mercosul – ainda não consta, porém, nada sobre a utilização do paraíso fiscal uruguaio para lavagem de dinheiro de origem criminosa proveniente do Brasil.

Novo verbete

Depois da gestão da ex-prefeita Marta Suplicy (PT) e da herança de déficits que deixou para seu sucessor, José Serra (PSDB), o calote aplicado por agente público passou a ter um bonito nome técnico: “cancelamento de empenho”.

A dívida total para com 13 mil diferentes fornecedores que Serra herdou de Marta – contestada pela ex-prefeita – seria superior a 2 bilhões de reais. Desse total, a ex-prefeita deixou de pagar 594 milhões só por meio do cancelamento, por decreto, de 8.200 empenhos – reservas orçamentárias vinculadas a determinados serviços.

Bem feito

O tremendo chá de cadeira que levou em sua recente visita oficial a Buenos Aires do chefe de gabinete do presidente argentino Nestor Kirchner, Alberto Fernández – duas horas de espera – fez o ministro José Dirceu provar, finalmente, do amargo remédio a que seu chefe, o presidente Lula, submete visitantes, inclusive estrangeiros.

A marca de Dida

Se o goleiro Dida estiver, como se imagina, no gol da seleção brasileira de futebol no jogo contra o Peru, em Goiânia, no próximo dia 27, pelas eliminatórias da Copa do Mundo, completará 73 jogos pela seleção brasileira, ultrapassará o número de vezes que Branco defendeu a camisa canarinho e estará somente a duas partidas de igualar a marca do grande Nilton Santos.

Atrás do recorde de Pelé

Na mesma partida, Ronaldo, que não anda em bons termos com a sorte, terá nova chance de diminuir a distância que o separa de Pelé como o maior artilheiro em partidas oficiais da seleção em todos os tempos: ele é o vice-artilheiro, com 56 gols, contra os 77 do Rei.

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