Além de pobre, caro

Amigos, muito interessante o levantamento publicado por VEJA esta semana, em sua reportagem de capa, mostrando os fatores principais, entre os quais o real fortalecido e a excessiva carga tributária, que levaram três cidades brasileiras a se situarem entre as 40 mais caras do mundo – São Paulo (10º lugar), Rio (12º) e Brasília (33º).

Dentre os inúmeros dados levantados pela consultoria Mercer, responsável pela pesquisa que serviu de base à reportagem, chama a atenção um outro aspecto que nada tem a ver com o Brasil: várias cidades de países paupérrimos têm índice de custo de vida superior às de países ricos.

Que Luanda, capital de Angola, seja a cidade mais cara do planeta se entende: deve-se à bonança do petróleo e ao espetacular crescimento econômico propiciado pelo fim, em 2002, dos últimos resíduos da guerra civil que consumia o país há 27 anos. Mais difícil é entender porque N’djamena (3º lugar na lista), capital do miserável Chade, cujo território abriga parte do deserto do Saara, supera Sidney (14º), Copenhague (17º) ou Londres (18º). Ou ainda que Uagadugu, em Burkina Faso (28ª) custe mais do que Nova York (32ª) ou Estocolmo (39ª).

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8 Comentários

  • Tuco

    .

    Quanto às três cidades brasileiras, a conclusão
    é simples: com impostos escorchantes chega-se a
    esse índice com facilidade.
    E mais: como os impostos não são utilizados em
    benefício dos contribuintes, paga-se mais (e com
    altos impostos…) pelos serviços – e aí está a
    conhecida “bola de neve” tropical.

    .

  • Alline

    Setti,
    Penso que esta diferença de custo de vida seja própria da falta de industrialização. Não precisa ir muito longe: no Piauí o litro de leite em pó custa quase o dobro do que custa em São Paulo por conta do frete.
    Além disso, um parque industrial antigo ou em más condições de manutenção conta com fábricas pouco eficientes, gastando mais para produzir. Com isso o produto fica mais caro.
    Pode parecer incrível, mas as indústrias modernas poluem menos, produzem mais e mais barato. Assim, lugares mais modernos acabam apresentando um custo de vida menor.
    O Brasil tem essa mania de remendar, fazer gambiarras, instalar uma planta industrial com peças de outras plantas antigas. A fábrica acaba custando baratinho, mas ela é poluente, pouco eficiente e tem um custo operacional nas alturas. O custo disso tudo é repassado ao produto. É o barato que sai caro.

  • Think tank

    O problema tupiniquim não está só o MEGA impostos e MEGA juros que servem apenas para sustentar a farsa e a corrupção, mas as conseqüência destes fatores – falta de infraestrutura básica e segurança ZERO.
    Como pode uma cidade como São Paulo ou Rio ter esgoto ao céu aberto (Pinheiros, Tietê, lagoa de Freitas).

  • Paulo Toshiharu Watanabe

    Ricardo,
    Morei na região metropolitana de Tóquio, todo ano de 2009. Numa das, muita vezes, que fui comer no MacDonald, um cartaz de recrutamento chamou-me a atenção: PRECISA-SE DE ATENDENTE, y$ 800,00/HORA. Isto era quase US$ 9,00. Um “hamburger” simples custava Y$ 100,00. A minha família, em São Paulo pagava R$ 3,00, ou seja, na época US$ 1,60, só 33,3% à mais do que o meu.
    Mas o que me intrigou não foi a conversão do valor do sanduíche numa moeda comum, mas o fato de um simples ATENDENTE a cada 1 hora de trabalho poder comer 8 “hamburgers”. Pedi para a minha família que descobrisse quanto ganhava um atendente no Mac em São Paulo, mas não tive retorno. Acredito que até hoje,os “franqueados” do Mac de SP não estão cometendo a loucura de oferecer quase US$ 9,00/h. Agora, até que seria uma boa! Quem não gostaria de ser servido por ATENDENTES formados em diversas faculdades….
    Ah! O quilo da carne bovina de primeira, tanto lá quanto cá, estava em torno de US$ 12,00. Só que eu podia escolher entre o corte australiano, brasileiro ou canadense. A minha preferência era pela carne canadense, questão de gosto.
    Caro Paulo,
    Obrigado por sua visita e por seu comentário, tão ilustrativo.
    Volte sempre!
    Abraços

  • Paulo Bento Bandarra

    Isto é a chamada lei da oferta e da procura. Ser pobre não garante preços pobres. Dependendo da escassez, os preços sobem e fica acessível apenas a alguns.

  • Sandy

    É porque estamos nos avizinhando do terceiro mundo. Tókio, Nova York, Paris, Berlim e outros.

  • Petista arrependido

    Ricardo,
    Vou morar em Brasília,lá serei amigo do Rei.
    É a única solução…

  • Mateus Nagime

    Ricardo, achei o seu post por acaso na internet, então lhe explico o porque dessas cidades tão pobres estarem tão a frente na lista: O Ranking é feito exclusivamente para auxliar o cálculo de empresas (americanas) ao pagar o salário de expats, ou seja, conterrâneos que moram fora.

    Portanto, como o país é presumidamente pobre, violento e com infra estrutura ruim, as casas consideradas viáveis para esses estrangeiros morarem são caríssimas e além disso podem exigir gastos extras – seguranças, gerador, carro, restaurantes de hoteis, etc. Além de produtos “básicos” para os americanos serem muito mais caros em supermercados.