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Devidamente uniformizada (“Zoll” é alfândega em alemão), uma das cachorras busca dinheiro nas bagagens dos passageiros do aeroporto de Frankfurt (Foto: Associated Press)

Elas trabalham duro, duríssimo. São apenas três, e farejam em apenas 15 minutos 300 peças de bagagem — a média que contém o bagageiro de um jato médio de passageiros — em seu trabalho de ajuda à polícia. Aí têm uma folga de meia hora para se recuperar, mas voltam à ação e, em uma jornada de atividade, são capazes de farejar tudo o que trazem para o Aeroporto de Frankfurt, principal centro financeiro da Alemanha, oito jatos comerciais inteiros.

Trata-se de Dina, Anni e Alegría, três cachorras da raça pastor alemão que integram o batalhão de 40 cães farejadores do aeroporto — mas o que as torna especiais é que a partir de 1 ano de idade receberam um treinamento de 18 meses, com acompanhamento diário de veterinários, para farejar algo muito específico: dinheiro. Seus companheiros de trabalho identificam armas e drogas. As três, porém, são capazes de apontar as peças de bagagem que trazem notas de euros e dólares, em geral “negros”, ilegais.

“Quando eles se familiarizam com um determinado cheiro, são capazes de lembrar-se dele por quatro meses”, conta Uwe Wittenberg, chefe da divisão de cães rastreadores do aeroporto de Frankfurt. A cada dia, em média, elas detectam dinheiro em cinco malas, em geral abaixo de 10 mil euros. No primeiro semestre deste ano, as cachorras foram responsáveis pela prisão de 20 contrabandistas de dinheiro — o maior deles levava 200 mil euros dentro da mala de roupas.

No âmbito da União Europeia, os passageiros que portam mais de 10 mil euros (pouco mais de 30 mil reais) em espécie precisam declarar às autoridades. Muitos não o fazem, quando o patrimônio declarado ao fisco não comporta as quantias que portam, em geral repatriadas de contas na Suíça e em outros países fora da UE que mantêm contas bancárias secretas e fora do alcance das autoridades, como Mônaco ou Liechtenstein.

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Dinheiro escondido dentro de um pão, e embrulhado em alumínio: não adianta, os cães detectam (Foto: Der Spiegel)

Outros não querem pagar taxas pesadas, variáveis conforme o Estado alemão em questão, por se autodenunciarem como titulares de contas em paraísos fiscais para regularizar sua situação. Só no primeiro semestre deste ano, 14.512 cidadãos pediram anistia e pagaram multa — o dobro do total de todo o ano passado. Quem é flagrado com dinheiro negro não pode habilitar-se a anistia.

Não há dados completos de toda a Alemanha a respeito do quanto se arrecadou em multas, mas só os Estados de Baden-Würtenberg e Renânia do Norte-Westália, somados, embolsaram mais de 1 bilhão de euros de gente que se autodenunciou e pediu anistia desde 2010.

Os dirigentes da União Europeia têm trabalhado na elaboração, difícil, de um pacto destinado ao intercâmbio de informações entre os 28 Estados-membros sobre rendimentos obtidos fora da UE por seus cidadãos, como também um aperto geral nas regras do fisco e na eliminação de brechas leais que permitem a evasão fiscal. Ao mesmo tempo, há discussões com países europeus como a Suíça, Licehtensten, Andorra, San Marino e Mônaco para afrouxar seu sigilo bancário e facilitar o combate à lavagem de dinheiro.

Enquanto isso não ocorre, Dina, Anni e Alegría, junto com dez outros “colegas” especializados em farejar dinheiro que atuam em outras cidades, continuam seu trabalho.

Acredita-se que o que sensibiliza o extraordinário faro dos cães farejadores, no caso, seja a tinta utilizada na confecção de dólares e euros. Os euros mantêm a especificidade de terem cédulas feitas exclusivamente de algodão, sem a utilização de papel.

“O cachorro que muita gente tem em casa e que é capaz de fazer uma série de truques é equivalente a uma bicicleta”, diz Marc Behre, da alfândega da cidade portuária de Bremen, no norte da Alemanha, que utiliza um cão farejador de dinheiro. “Já o nosso aqui é um Porsche”, brinca.

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4 Comentários

anselmo em 22 de agosto de 2013

Aqui terão que treinar os K9 para achar dindim nas "cuecas"....hahahhahahhaha

RVQ em 21 de agosto de 2013

Caro RVQ, apesar de brincalhão e engraçado, infelizmente precisei deletar seu comentário. Compreendo sua irritação, mas não mais, como fiz durante bom tempo, coloco asteriscos em acusações sem provas (é o caso, não?), xingamentos, palavrões, ofensas ou coisas do tipo, que violam as regras do blog e a ética, transformam este espaço em algo que não desejo e, além do mais, podem trazer consequências criminais para você, para mim e para a Editora Abril. É perfeitamente possível fazer críticas, as mais pesadas, a um homem público -- um parlamentar, um governante, um magistrado etc -- sem lançar mão dessa linguagem. Peço que leve isso em conta da próxima vez, porque não publicarei mais comentários com esse tipo de impropriedades de forma alguma. Conto com sua colaboração. Consulte , se quiser, as regras para publicação de comentários no link http://goo.gl/u3JHm Obrigado

PAULÃO em 21 de agosto de 2013

Boa noite, Setti. Pois eu estou precisando ter um cachorro desses, para achar o dinheiro que me falta todos os meses, na hora de pagar as contas de plano de saúde, faculdade do filho, prestação do mini-apê, cartões de crédito, supermercado, etc, etc, etc, etc...

Marco em 21 de agosto de 2013

Don Setti, até por isso eles tem atração. Abs.

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