Amigos, como sabe todo mundo que precisa viajar de avião, o Aeroporto de Congonhas, apesar de ampliado, renovado e modernizado, está no limite.

Viajei na noite de quinta-feira, 11, para Brasília, onde estou. Mania de repórter: em 23 viagens anteriores nos últimos dois anos e meio, minhas anotações mostram ter sido essa a 21ª vez que o portão de embarque para meu vôo mudou em cima da hora.

Todo mundo que conheço em São Paulo e que embarcou em Congonhas diz a mesma coisa: por alguma razão inexplicável — e que talvez seja bagunça, pura e simples, da estatal Infraero –, em quase todos os casos o portão de embarque é alterado, “em razão do posicionamento da aeronave”, conforme a ridícula explicação de sempre.

A ampliação e modernização que começou a ser entregue em 2005, e que incorporou 12 pontes de embarque (fingers) antes inexistentes, amplas áreas de espera, escadas rolantes, lojas, restaurantes e outros confortos, já não dá mais conta dos mais de 14 milhões de passageiros anuais e mais de 600 vôos diários — não precisa ser técnico ou engenheiro para dar o diagnóstico, basta ir lá e ver.

Tente o amigo do blog que mora em São Paulo guardar seu carro no gigantesco estacionamento inaugurado em dezembro de 2005, com 3.400 vagas: além das vagas autorizadas, centenas de automóveis ocupam todas as rampas de acesso aos cinco andares da garagem e qualquer outra área disponível que não bloqueie carros alheios.

Isso em dias mornos da semana.

DESATIVAR O AEROPORTO É SÓ UM SONHO — E Congonhas é um absurdo em si mesmo: um enorme e movimentadíssimo aeroporto incrustrado em área populosa da Zona Sul da maior cidade brasileira, cujo barulho e movimento afetam a vida de mais de 1 milhão de pessoas e as faz correr riscos reais, como provam acidentes pavorosos que nem é preciso relembrar.

Não existe em qualquer país civilizado caso de um aeroporto dessas dimensões estar instalado em malha urbana tão populosa.

Administrado pelo governo federal desde 1981, Congonhas juridicamente guarda laços com os governos municipal e estadual de São Paulo, cujos titulares não tiveram até hoje a coragem e a vontade política de dizer que é preciso criar uma alternativa que permita a progressiva desativação do aeroporto, inaugurado em 1936. Isso seria feito à medida em que um novo aeroporto, em região mais adequada, fosse erguido — já que autoridade alguma conseguiu conter a favelização que impede a ampliação do Aeroporto Internacional Franco Montoro, em Guarulhos.

Com um novo aeroporto em funcionamento, a gigantesca área de quase 2 milhões de metros quadrados de Congonhas poderia, então, ser transformada num imenso parque de que a população usufruiria.

Mas aí já é sonhar demais.

Só que a Copa de 2014 está no horizonte, e as Olimpíadas de 2016 também. Quero só ver no que vai dar.

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Asciudeme Joubert em 28 de dezembro de 2010

Como já disse um leitor. Foi a cidade que chegou onde está Congonhas. Trem Bala já.

Cheferson em 01 de dezembro de 2010

Ricardo, Se existe um dinheiro para fazer um trem expresso, teria-se dinheiro para fazer desapropriações também. Aliás pode sair até mais desapropriar do que fazer uma linha expresso até um novo aeroporto. Dizem que existe um terreno para se fazer um novo aeroporto em SP na região de Suzano. De qualquer forma, o que adiantaria isso a curto prazo? A obra é viável e a extensão de 1.000 metros na pista de Congonhas deixaria o aeroporto mais seguro e tiraria do entorno do aeroporto milhares de imóveis que, infelizmente, o poder público permitiu que se instalassem ali numa região aonde não se pode ter casas. Sem contar que um aeroporto novo + trem expresso para lá demoraria no mínimo 6 anos para ficar pronto... Congonhas uma ampliação de pista + espaço no aeroporto levaria no máximo 2 anos... algo totalmente viável para a ponte SP/Rio. Cheferson.

Ricardo em 24 de novembro de 2010

Eu sei o que vai dar:quando a coisa ficar preta com a copa chegando e nada realizado,a petezada porá a culpa no FHC,claro.

Cheferson em 19 de novembro de 2010

Congonhas deve ser ampliada a pista, as casas e comércios do lado do Jabaquara desapropriadas pelo poder público para dai sim termos uma pista mais segura. Talvez ampliar o número de fingers também seja uma ótima opção para dar conta do movimento intenso que tem em Congonhas. Quanto à tirar o aeroporto da zona sul, esqueça meu amigo. Eu amo Congonhas e acho que quem deve sair das imediações são alguns dos moradores, pois o poder público permitiu que as casas se instalassem por lá e isso já nos anos 80! Quem chegou primeiro foi o aeroporto e não as casas... parece que o pessoal se esquece um pouco disso... afinal, ter um aeroporto tão bom quanto congonhas perto de casa é muito bom! Fui! O fato de você "amar" Congonhas e de ser perto de sua casa não elimina os problemas que o aeroporto encerra. As desapropriações que você menciona são inteiramente inviáveis: milhares de residências, edifícios comerciais, hotéis e outros imóveis teriam que ser incluídos. Nunca haveria dinheiro para isso, e não se justificaria a medida quando é muito mais racional ter um aeroporto fora de centro urbano adensado e ligado à cidade por um trem expresso, por exemplo, ou um ramal de metrô.

Ronaldo em 13 de novembro de 2010

É questão de tempo pro governo petista colher os resultados de sua gestão, pois até agora só colheu a gestão de FHC...

alvaro em 12 de novembro de 2010

Cumbica também está uma bagunça infernal. Especialmente na chegada em que as esteiras estão ao lado da alfândega e do free-shop. Fica uma confusão que ninguém se entende. Conheci o novo aeroporto de Joanesburgo, é "apenas" cinco vezes maior do que Cumbica. Acho que teremos dois problemas importantes para a realização da Copa. O maior deles é a questão dos aeroportos, o outro são os hotéis. Somente a cidade de São Paulo conta com uma rede hoteleira satisfatória. Você tem toda razão sobre a Copa. E também sobre o aeroporto de São Paulo-Guarulhos. Tenho pavor sobretudo de regressar do exterior por lá. Minha filha e meu filho vivem e trabalham na Espanha e sempre que possível viajo para vê-los. É um tormento a volta por Guarulhos, a confusão é tanta com o congestionamento do free-shop à saída da área de recolher bagagens que já vi sair briga de soco entre passageiros. Abraços

Milton em 12 de novembro de 2010

Caro Ricardo, estou certo de que os problemas com os aeroportos no Brasil ainda lhe renderão muita inspiração...e por um longo período, pois no ritmo que estamos, não vejo solução no curto prazo. abraços. Infelizmente, eu também não. Abração

Paulo Santos em 12 de novembro de 2010

Setti, não tem o menor cabimento esse aeroporto quase no centro de SP, essas coisas só acontecem no Brasil mesmo!

Silvio em 12 de novembro de 2010

Nós também fazemos muito mais parte do problema do que da solução. Explico: Quando há 3/4 anos ocorreu aquele terrível acidente com o vôo da Tam, houve uma justa grita generalizada para que, não só Congonhas,como Guarulhos e outros aeroportos,recebessem investimento em sua infraestrutura visando aparelhá-los melhor visando a redução de riscos de novos acidentes. O então Ministro da Defesa, Nelson Jobim,homenzarrão decidido,veio a público e no melhor estilo Figueiredo,(bato e arrebento),diz que vinha para arrumar a casa, trazendo à tiracolo sábias soluções que implantaria de imediato.Avisando ainda, que quem não compartilha-se de sua filosofia de trabalho estaria fora de sua pasta. O tempo passou, nada foi realizado,os problemas e os riscos aumentaram, e nós cidadãos nos calamos por quase todo esse período,deixando de cobrar do ministro bravateiro, da então chefe da Casa Civil( a mãe do PAC) e por último do palanqueiro mor. Esse último julga que no país das maravilhas em que vive, nossos aeroportos são um sucesso,tal qual o exame do Enem.Nós como cidadãos responsáveis e contribuintes temos que fazer a parte que nos cabe,cobrando de nossos representantes que cumpram com suas obrigações.

cacalo kfouri em 12 de novembro de 2010

caro setti, não se pode, na minha opinião, responsabilizar só o poder público (que é inepto, sabemos todos). há que haver bom-senso, insisto no ponto de que as pessoas que lá foram morar sabiam da existência do aeroporto, e disso se aproveitaram. a mesma coisa ocorre no entorno de cumbica e viracopos (com a diferença que aqui são invasões de gente sem recursos).

Corinthians em 12 de novembro de 2010

Realmente Setti, a situação está beirando o insustentável. Mas isso não é somente no aeroporto de Congonhas - acontece em outros aeroportos por todo o país. A falta de investimentos do desgoverno Lulla é gritante. As obras que foram feitas é só "para inglês ver", ou seja, só para o povão achar que realmente foi feito alguma coisa, quando na verdade nada foi feito. Seria uma utopia desativar Congonhas, como seria utopia não ter trânsito em São Paulo. Quando foi construído e por muitos anos após sua construção, a área em volta do aeroporto não era ocupada com moradias. Ao invés de respeitar as normas de segurança e deixar uma área para ampliação do aeroporto, o governo tupiniquim sempre age em favor dos que estão quebrando a lei. E bem observado, o mesmo está acontecendo com o aeroporto de Cumbica. Por que não construir um terceiro aeroporto perto da cidade ? Existem áreas disponíveis para isso, só falta o governo federal resolver investir... Mas só vão falar disso quando ocorrer algum outro acidente que poderia ter sido evitado simplesmente por ter uma área de escape. Só vão voltar a falar do falido sistema de monitoramento aéreo quando outro avião cair. Esse é o Brasil, que a cada dia me faz ter mais vergonha.

Luiz Henrique Melo em 12 de novembro de 2010

Ricardo, Ontem estava saindo do Congonhas e ouvi uma entrevista na Bandnews de um dos diretores da ANAC "garantindo" que na Copa e nas Olimpíadas não ocorrerão problemas. Eles não garantem regularidade nem em feriados, onde ontem Congonhas estava um caos, 1 dia antes do feriadão. Gostaria de saber baseado em que dados podem assegurar esta promessa !!! Fiquei surpreso de um assunto tão importante como este, o qual se refere a logística do país não ter comentários. O ENEM (eu não estudo mais) está com IBOPE mais alto provavelmente. Saudações

jefferson em 12 de novembro de 2010

A prefeitura de são paulo é a responsavel pelo loteamento de areas residenciais próximas ao aeroporto. Quando foi construido toda aquela área era desabitada.

Markito-Pi em 12 de novembro de 2010

Falou tudo, Setti. Congonhas é uma excrescencia, só comparável ao KaiTak em Hong Kong. Eles, pelo menos podem ter a desculpa( ha dez anos . fantasiosa..) que na ilha não cabe mais nada.E toda a gentalha que adora dar entrevistas inescrupulosas, vão dizer que Congonhas é indispensável. Mentira total. Basta meter mais 3 aeroporto, rapidinho,

Douglas Correa em 12 de novembro de 2010

Concordo que "hoje" Congonhas é um risco a população pois qdo de sua implantação não foi reservada uma area de segurança. O mesmo ocorre com o Santos Dumont. Cumbica é outro caso , qdo da implantação a area não possuia edificações em seu entorno , hoje criou-se uma favela e em breve virão demandas para que se retire o aeroporto do local face aos riscos e incomodos que traz a população, alem do fato que hoje seu estacionamento é ruim e pouca possibilidade de acesso caso não seja de carro e "em breve pelo trem bala" . Mas o caso dos aeroportos é recorrente.Sta Genoveva,Viracopos são outros exemplos. Em recente reportagem o MP em Ribeirão Preto pedem a saida ao aeroporto do local onde se encontra pelos riscos........ Qdo de sua implantação era muiiiiiito distante da ultima edificação . Diante disto vejo a possibilidade de qdo da implantação de um aeroporto desaproprie-se talvez 10km em seu entorno ou "aeroporto movel" deslocavel a medida que as pessoas se instalam em aerea proxima , SABENDO DO RISCO E DESCONFORTO e qdo obtiveram um bom numero de "incomodados" passem a reividicarem mudança. Isso tambem seria aplicavel a construções em areas de preservação,manaciais etc ... primeiro constroem em areas proibidas e depois reividicam "uma moradia digna para mudar" e em alguns casos indenização pelas "benfeitorias". O poder publico tem culpa por não tomar medidas qdo do inicio da ocupação , porem não me arriscaria a construir uma casa dentro do Parque do Estado, Ibirapuera, Serra do Mar, etc pois sei ser proibido/risco.

cacalo kfouri em 12 de novembro de 2010

caro amigo, permita-me discordar de você num ponto: quando o aeroporto foi instalado lá, só havia mato nas redondezas. e muitos dos que hoje reclamam do barulho compraram terrenos mais baratos nos arredores justamente pela proximidade do aeroporto. não há nenhum desavisado por ali. abraço, E o poder público, caro Cacalo? E a necessidade de se desapropriar uma larga área em torno do aeroporto, logo no início ou nos primeiros anos? Abração

Marco em 12 de novembro de 2010

Caro R. Setti: Agora não viajo mais tão seguidamente, mas sempre fui fã do aeroporto de congonhas pela sua praticidade. Na minha modesta opinião, poderia evitar essa acumulo de fluxo cobrando a mais para quem quer ter essa praticidade, do aeroporto. Então está em Brasília, sabia q tu iria para a posse da Dilma. Como diria um amigo meu, não perca ou não perda !!!!!!!!!!!!! Abs. Não vim para a posse da Dilma, não. Ela só vai ocorrer daqui a 50 dias. Fico alguns dias e volto à base. Abração

bereta em 12 de novembro de 2010

Lembremo-nos de que foi a cidade que cresceu até a região do aeroporto. E não o contrário. Errado está sendo demorar tanto tempo para que a decisão correta seja posta em prática. Mas... peraí! Ela não havia prometido um novo aeroporto?

Ivelyse Ferraz em 12 de novembro de 2010

ONTEM em MOÇAMBIQUE a Luis Inácio liberou através do BNDE trilhões para aquele aeroporto... E os nossos se F..... FORA LULA. FORA DILMA. FORA PT.....

Natale em 12 de novembro de 2010

Como sou adepto ao pragmatismo, vou propor esta discussão: 1-)Problemas(...apenas alguns que podem ser causas de tragédias...) no setor aéreo: 1.1-)Passagens aéreas mais baratas, em rotas de lotação completa, que passagens de onibus; 1.2-)Manutenção e renovação de frota aérea precária e negligente; 1.3-)Aumento de usuários de aéreas em média de 17% nos últimos anos, para este ano a previsão é de até 25%. 1.4-)Sobregarga de trabalho, "estouro" de horas de trabalho, dos aeroviários; 2-)Solução de um pragmático:Triplicar o preço da passagens aéreas; 2.1-)Consequências:Aumento do faturamento bruto das empresas aéreas; Redução significativa no custo operacional da empresas aéreas; Tempo para planejar e executar novo modelo de transporte aéreo para o país(renovação de frota e novos aeroportos).

Marcel Sakamoto em 12 de novembro de 2010

Talvez o título mais apropriado seria: "Só o Governo não percebe: o aeroporto de Congonhas está no limite". Tenho certeza de que os passageiros conhecem bem a situação há muito tempo. E não é só o de Congonhas, o de Guarulhos é uma vergonha - principalmente por ser a principal porta de entrada do país.

Marcos Aarão Reis em 12 de novembro de 2010

Cada vez que eu chego lá, olhando pela janelinha, a instantes do pouso, eu penso que vou tomar um banho de piscina.

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