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O logo da campanha

Em quase toda a União Europeia, como em muitos outros países do mundo, a tecnologia de internet sem fio, também conhecida como wi-fi, é uma realidade já bastante assimilada. Isso inclui, no caso da Espanha, as redes escolares.

No entanto, no que depender de uma campanha encabeçada por três associações ambientalistas ativas no país, este panorama deveria mudar consideravelmente.

O alerta que motiva o manifesto “Escola sem Wi-Fi”, lançado pela Organização para a Defesa da Saúde, que opera globalmente, com apoio das associações espanholas Vivo Sano e Fundação para a Saúde Geoambiental não chega a ser novidade: uma exposição prolongada às radiações emitidas pelo wi-fi teria efeitos nocivos à saúde.

Mais de 1.000 horas de radiação por ano

 

Crianças-internet-sem-fio

O que nem todo mundo sabe é que, na Espanha, por exemplo, as crianças e adolescentes, especialmente vulneráveis por estarem em processo de desenvolvimento, se expõem demais aos riscos (entre os quais, o aumento das chances de contrair câncer): seis horas por dia, ou 132 horas ao mês, ou 1.188 a cada ano.

No Brasil a discussão sobre o assunto existe, mas ainda não há números que ilustrem as consequências da tecnologia móvel no âmbito escolar.

Os dados espanhóis, compilados em recentes estudos (o site Bioiniciative armazena diversos), impulsionam a campanha nacional, apoiados em informações que chegam de outros países europeus, como Suécia, França e Reino Unido, que já começam a sacar ou reduzir os dispositivos wireless não só dos colégios, mas também de alguns museus e bibliotecas.

Restrições

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O advogado Agustín Bocos (Foto: Kim Manresa – La Vangardia)

Agustín Bocos, 56, advogado ambientalista madrilenho e fundador da ONG Juristas Contra o Ruído, vem defendendo fervorosamente causas semelhantes desde que, há dez anos, se detectaram cinco casos de leucemia na escola de sua filha, vizinha de um edifício lotado de antenas de telefonia celular. “Ganhamos o caso, mas uma das crianças morreu”, disse em recente entrevista.

Agora mirando especificamente o wi-fi, Bocos pede maior implicação dos governos no controle nos microwatts por centímetro quadrado de potência das emissões. Quanto a soluções práticas que podem ser incorporadas pelos usuários, ele recomenda o uso do velho e bom cabo – não seria melhor dizer “velho e ruim”? – ou que pelo menos os aparelhos sem fio devam ser desligados durante a noite.

Bocos cita levantamentos estatísticos que relacionam essa modalidade tecnológica a um aumento de dores de cabeça, hiperatividade e distúrbios no sono de crianças.

Quebra-cabeças

É evidente que o problema existe e as organizações envolvidas na campanha contra o wi-fi, bem como o advogado Bocos, estão bem intencionados.

Mas, realisticamente, deve-se levar em conta que essa tentativa de frear a disseminação do wi-fi, além de trombar com os interesses das megaempresas interessadas neste negócio gigantesco que não tem volta, também pode encontrar resistências na própria sociedade, que, principalmente nos países adiantados, já está mais do que acostumada com os comodismos e a velocidade de uma internet sem fio.

Um quebra-cabeças difícil de montar.

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10 Comentários

Milton em 02 de janeiro de 2012

O pior cego é aquele que não quer enxergar. Por que as pessoas se oporiam ao wi-fi se ele só trouxesse benefícios?? Bibliotecas na França estão desativando seus wi-fis por reclamações de mal estar entre clientes e funcionários; professores fazem greve contra o wi-fi na inglaterra. Porquê???? só para aparecer?? Eu digo que por dois anos tive problemas sérios na vista por ter o olho irritado e seco demais, sofria com insonias. Só foi desligar o wi-fi e tudo melhorou. Séculos foram necessários para que fosse comprovado que o cigarro provoca câncer, e mesmo assim, temos uma grande parcela da população que fuma mesmo com as horrorosas ilustraçoes que acompanham os cigarros. Cegos ou não querem enxergar?? O dinheiro investido em novas tecnologias é infinitamente maior do que o gasto em estudos para as reações adversas que os mesmos podem trazer em nossas crianças. A nossa Ciência evoluiu mas não é suficiente para explicar as várias mazelas que nos atingem. Olho aberto!!!

Angelo Losguardi em 16 de outubro de 2011

Concordo. Deviam banir também o rádio e a tv (afinal de contas, vai que a radiofrequência não está fritando aos poucos a nossa carne). De quebra, deviam banir também as máquinas fotográficas (como é lógico e sabido, elas roubam pedaços da alma).

wilson em 15 de outubro de 2011

E a superstição tecnológica! Deve ser muita dieta a base de capim verde.

patricia m. em 15 de outubro de 2011

Reynaldo-bh: exato, ONG's financiadas com dinheiro que nunca eh declarado, atendendo a interesses escusos que nao aparecem sob a luz do dia... Vai saber qual eh a agenda desses caras, Deus me livre. Eu tenho por lema nao doar um centavo sequer a ONG nenhuma. Mas pior do que tudo sao as ONG's brasileiras, aqueles organismos nao governamentais mas que recebem dinheiro apenas do governo. Eh de rachar de rir.

Reynaldo-BH em 15 de outubro de 2011

Caro Reynaldo, atendendo a seu pedido, não publico o comentário, mas fico feliz com o que você relata -- poucas coisas são tão gratificantes como estar feliz no trabalho em que a gente desempenha -- e agradeço seu interesse ali mencionado. Um abração e bom fim de semana.

Reynaldo-BH em 15 de outubro de 2011

Setti, sem ser chato, mas defendendo a pesquisa nacional (é verdade, por aqui a gente também faz, especialmente quando é um centro de pesquisa não vinculado a governo federal ou outros...) segue o link do estudo a que me referi. A apresentação está no site do Inmetro, data de 2005, tendo sido inciada a pesquisa em 2003. Continua sendo atualizada, Os resultados do Hospital da Unicamp foram de ZERO risco. Abraços. (CpqD nasceu da Telebrás, foi transformada em Fundação e é obrigada por lei a reinvestir 100% do lucro obtido em novas pesquisas. Detém mais patentes internacionais que qualquer universidade brasileira. Disponibiliza os resultados das pesquisas para parceiros nacionais.) Segue o link do estudo:http://www.inmetro.gov.br/painelsetorial/palestras/Apresenta%C3%A7%C3%A3o%20da%20FCPqD%20-%20BioEletromagnetismo.pdf ............ E com MUITO ORGULHO de fazer parte do team, te mando um vídeo de apresentação deste Centro de Pesquisa tão desconhecido no Brasil. Pena. http://www.youtube.com/watch?v=WXEenaUKEjo Obrigado pelo link e pelo vídeo. Vou dar um jeito de fazer um post para colocar o vídeo no ar, a instituição é sensacional. Quando dirigia o JB em São Paulo, após a saída do Augusto, e, depois, no Estadão, sempre mandava repórteres lá para ver as novidades e divulgá-las. Realmente sensacional. Deve ser muito bom trabalhar num organismo assim. Abração

Reynaldo-BH em 15 de outubro de 2011

Setti, este tema é recorrente. Posso afirmar que NÃO HÁ PROVAS (sequer evidências) que as RNI´s (Radiações Não Ionizantes), emitidas por (ERB´s (Estações Rádio Base - que são as antenas de Telefonia Celular)causem as doenças ALERTADAS pela OMS como passíveis de serem adquiridas. A partir de uma analogia com radiações difusas, a Organização Mundial de Saúde lançou um alerta para um risco para a saúde humana (que a OMS não definiu e muito menos afirmou!)nos mesmos moldes dos que derivavam de equipamentos hospitalares. De onde vem esta minha certeza? Diversos institutos de pesquisa NO MUNDO já tentaram identificar os efeitos de radiação não ionizante (sem uso de radioisótopos, como nos aparelhos de Raio X e bombas para tratamento de câncer) dentro da perspectiva e malefício. A pesquisa sempre é focada na abrangência das radiações em regiões circunvizinhas (a partir de 1 metro a kilometros) a Antenas e ERBS. Obviamente que a tecnologia wi-fi para estações de trabalho (PCS) e handsets (IPAD, Galaxy, ect) (seja ela de que natureza for, WIMESH, WIMAX, e outras que não cabem aqui detalhar) é da mesma natureza das utilizadas pelos telefones celulares. A principio, uma rede de dados e voz (baseado em IP - Internet Protocol)é ainda menos "agressiva" que uma antena de celular (ERB) que é dividida em seis setores, cada um com 60 graus e abrangência, de modo a disponibilizar sinal de celular em todo o entorno das mesmas. O número de acessos simultâneos e o atendimento às demandas d e uma ERB (que inclui até Internet) faz com que esta seja bastante mais "nociva" nesta visão catastrófica e sem respaldo. E uma destas pesquisas, eu acompenhei. Foi feita pelo CPqD, que é o maior centro de pesquisa da América Latina, tendo atuação internacional na área de Telecom e Tecnologia da Informação. Inclusive fazendo parte de pesquisas conjuntas na Espanha, Portugal, Holanda e USA. No Brasil, já fizemos testes em 600 antenas de telefonia celular em quase todas as operadoras do país. Em NENHUMA delas foi identificado qualquer risco. Significativo ou não! Risco ZERO. Segue o link do sistema e paper do CPqD sobre o assunto. http://www.cpqd.com.br/solucoes-e-produtos/327-cpqd-monitoracao-rni.html http://www.cpqd.com.br/laboratorios/servicos-de-campo/4539-rede-wireless-rni.html ......... Enfim, estas preocupações ambientalistas podem até ser bem intencionadas. Mas sempre me assusta que por trás de cada uma, há uma ONG que sobrevive com recursos que ninguém sabe ao certo de onde vem. E não apresentam estudos ou financiam pesquisas. Só fazem um proselitismo que tende a assustar a todos, quanto maior for a distância do conhecimento da população em geral do tema em foco! Abraços e espero não ter sido chato com explicações mais técnicas. Tentei ser o menos "tecnicista" possível.

patricia m. em 15 de outubro de 2011

Ah, chamo a atencao para uma frase infeliz: "eh evidente que o problema existe". Nao eh evidente nao, se nao ha provas. E depois nao sabemos se o tal advogado eh bem intencionado ou nao. Nem todos os "verdes" sao bem intencionados, assim como nem todas as empresas sao mal intencionadas. Pelo seu texto, temos essa impressao. Vide os "bem intencionados" "verdes" que querem nos levar de volta à idade da pedra... E que fazem parte de mega ONGs que apitam em todo o globo.

patricia m. em 15 de outubro de 2011

Ha estudos cientificos dignos do nome que provam que wi-fi causa cancer? Algum troço serio publicado na Nature ou outra revista cientifica? Parece gritaria estupida dos "verdes". Nao conseguiram provar ainda que celular causa cancer, quanto mais wi-fi. No minimo nao ha tempo suficiente ainda (desde a descoberta da tecnologia) para que pesquisas serias aparecam... . Como eu disse, gritaria estupida de gente atrasada. Tipo a revolta da vacina no Rio de Janeiro do inicio do seculo 20.

Marga em 15 de outubro de 2011

Muito estranho. Wi-fi está nas ruas, nas cidades e não somente dentro de salas de aula. E aí, como é que faz?

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