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A esposa de Abbas foi operada numa sala cirúrgica como esta, no Centro Médico Assuta, nos arredores de Tel Aviv (Foto: Roni Schutzer/Flash90)

A vida sempre surpreende. Pouco antes dos ataques de Israel para silenciar os foguetes disparados da Faixa de Gaza contra seu território, da destruição, dos mortos, do sangue e da enorme repercussão internacional, médicos israelenses haviam realizado uma cirurgia — cujos detalhes não foram divulgados — em uma das pernas de Amina Abbas, esposa do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

A cirurgia ocorreu no Centro Médico Assuta, uma clínica particular no bairro de Ramat Hachayal, nos arredores de Tel Aviv, a maior cidade de Israel. Ramat Hachayal é uma área conhecida pela concentração de empresas de alta tecnologia, inclusive na área médica.

O governo de Israel providenciou um forte esquema de segurança na clínica e arredores durante as 48 horas da internação da senhora Abbas, e a direção da clínica, que não deixou vazar o fato para outros pacientes, instruiu seus funcionários a não dar declarações à imprensa.

Embora pouca gente saiba, mesmo dentro de Israel, o governo volta e meia admite que políticos palestinos ingressem no país para obter tratamentos médicos não disponíveis nos hospitais da Cisjordânia e mesmo da Faixa da Gaza.

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O principal dirigente do Hamas, Ismail Haniyeh, e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas: pessoas de suas famílias foram atendidas em hospitais de Israel (Foto: Reuters)

Antes do caso da senhora Abbas, no começo de junho, Israel permitiu que a sogra de ninguém menos do que o principal dirigente do Hamas, Ismail Haniyeh, uma senhora de 68 anos de idade cujo nome não foi revelado, deixasse a Faixa de Gaza para receber tratamento contra o câncer no hospital Augusta Victoria de Jerusalém.

Em relação a Haniyeh — que segundo Israel, os Estados Unidos e a maior parte dos países europeus dirige uma organização terrorista –, houve outro precedente, em novembro de 2013: sua netinha Amal Haniya, de 1 ano de idade, acometida de grave infecção no trato digestivo que afetou seu sistema nervoso, obteve autorização para ser atendida num hospital israelense. Posteriormente, porém, de volta a Gaza, a criança acabou morrendo.

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14 Comentários

PEDRO SÁ em 19 de agosto de 2014

Por que você não some daqui? Sua ausência preencherá uma lacuna.

katia em 05 de agosto de 2014

E lamentavel a posição da midia com relação a esse grupo terrorista que monta bases militares dentro das casas da população destroi seu areporto e usa as doações contra seus doadores, so lamento

Helio em 05 de agosto de 2014

Sandra, Hoje a faixa de Gaza não tem um aeroporto. Tinha há 10 anos, construído pelo Arafat, mas o Hamas o transformou em base de mísseis e ele foi destruído creio que em 2006. Desde então, em vez de usar o concreto enviado por Israel e pela a Europa para reconstruí-lo, o usaram para construir tuneis de ataque a Israel. Assim que eles só podem sair pelo aeroporto de Israel. Para isso, necessitam de autorização dupla, de Israel (mais facil, quando não se trata de terroristas, e seguramente em casos humanitarios) e também do Hamas, que evita que qualquer pessoa que não seja de sua liderança saia do país. Na Autoridade Palestina, do Mahmoud Abbas, também falta um aeroporto, mas eles utilizam o aeroporto Ben-Gurion de Israel com bastante liberdade, até mesmo para sair de férias no exterior. Ainda há necessidade de autorização previa, mas isto é como o procedimento de tirar um passaporte.

Helio em 05 de agosto de 2014

Para RONALDE, Essas bases são todas conhecidas, e todas as bases possíveis (cerca de 70% delas) foram destruidas. O problema é com bases que estão dentro de casas de população civil no centro da cidade de Gaza, dentro de escolas da ONU, e dentro do campus do Hospital Al-Shifa. Israel avisou para os habitantes dos bairros periféricos que saíssem de suas casas para destruir as bases destes bairros, mas o efeito colateral é terrível... você bombardeia uma casa e caem 5, de tão mal-construidas que são. Fazer a mesma coisa no centro de Gaza colocaria uma população de mais de 1 milhão de pessoas sem ter para onde ir, e isto Israel não quis fazer.

Helio em 05 de agosto de 2014

Não surpreende. Os dois únicos países arabes que estenderam a mão para Israel receberam um acordo de paz em poucos meses, que incluiu devolução de terras como o Sinai, que se não me engano é maior que o próprio Israel. Esses acordos são totalmente mantidos até hoje. A própria Autoridade Palestina (cujo presidente Abbas não pode assinar um acordo de paz com Israel porque o matariam no dia seguinte), vive num cessar-fogo informal com Israel que também é totalmente mantido. A única guerra lá é de palavras, e qualquer problema com população extremista lá é tratado em conjunto pelas forças israelenses e palestinas. Infelizmente, com os terroristas do Hamas não há muito o que fazer. Todavia, Israel todo o tempo faz tudo para aliviar, inclusive tendo criado um hospital de campanha na fronteira de Gaza, do lado de dentro, para a população. O problema é que o Hamas não permite à população chegar a este hospital, e quem chega o faz escondido.

sandra em 04 de agosto de 2014

Um Palestino poderia pegar um avião e se tratar por exemplo no Egito, na França, no Brasil???? Sempre fico com essa dúvida. Parece que os Palestinos estão presos na faixa de gaza. Eles precisam de autorização para viajar ????

GEROLDO ZANON em 04 de agosto de 2014

LULA e a DILMA já estão de viagem marcada para ISRAL querem saber porque ISRAL esta matando todos seu amigos terrorista do HAMAS

Tucson58SP em 04 de agosto de 2014

EITA SER HUMANO!! Enquanto uns constroem hospitais moderníssimos para salvar vidas, outros constroem túneis para acabar com vidas... Como arbitrar essa dicotomia a não ser pela arma? Por diálogo e inteligência não é possível.

Anselmo em 04 de agosto de 2014

É triste a situação. É só morte e previsão zero para que isso acabe. De um lado um poderiu bélico top do outro as artimanhas das emboscafas e o uso de civis para encobrir os canalhas. É difícil.

Paulão em 04 de agosto de 2014

Prezado Setti, Será que esses dirigentes judeus nunca ouviram aquela fábula, a do lenhador que acolheu em seu peito uma víbora que estava morrendo congelada e do resultado disso?

RONALDE em 04 de agosto de 2014

Há uma questão que necessita ser explicada. Israel bombardeia incessantemente Gaza para destruir túneis. Pois bem, o Hamas continua lançando misseis sobre Israel, as bases desses mísseis não vão ser destruídas? Essas bases não foram encontradas?

Wagner em 04 de agosto de 2014

Prezado Setti, Foi dado destaque ao fato de serem personalidades ligadas ao Hamas. Porém, seja do Hamas ou de qualquer instancia venha, o que importa é o quanto pague pelo serviço. Trata-se no caso de clientes com poder e, claro, dinheiro. Afinal, são clinicas particulares, não é? Ideologias politicas? Zero! O nome do jogo é O PODER DO DINHEIRO. O resto? Trevas!!!

Glória Maria em 04 de agosto de 2014

São esses gestos humanos e humanitários que ainda dão esperança de que as coisas um dia mudem por lá. Houve também o caso célebre de um pai palestino que autorizou a doação do coração do filho morto em acidente para uma garota judia ortodoxa.

Turibio Santos em 04 de agosto de 2014

Prezado Setti, o nome disso é CIVILIZAÇÃO. O resto? Trevas!!!

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