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O Centro de Simulação de Batalhas do Exército alemão (GÜZ): cenários altamente realistas e avançada tecnologia, de que a Rússia está muito necessitada  (Ilustração: Rheinmetall)

O valor não é grande coisa, nem para a Alemanha, nem para a Rússia: 120 milhões de euros (algo como 400 milhões de reais). Mas o Centro de Simulação de Batalhas que a Alemanha cuja venda e instalação a Alemanha acaba de cancelar em represália à anexação da Crimeia ucraniana à Rússia do ditador Vladimir Putin representa algo que os russos não têm e estão sedentos para possuir — alta tecnologia militar na área de treinamentos simulados.

Trata-se de um complexo e avançado sistema de computadores que permite simular batalhas envolvendo mais de 2.500 soldados e 500 veículos e até 300 sistemas de armas. O centro permitiria treinar até 30 mil militares por ano, dirigindo-se especialmente a soldados de infantaria e a contingentes de divisões de tanques.

Segundo a empresa fabricante — o braço para equipamentos de defesa do gigante de autopeças e componentes da indústria automotilística Rheinmetall –, o GÜZ, sigla em alemão para o complexo, ele permite treinamento tático altamente realista. A situação, posição e atividade de cada soldado e veículo que toma parte nos exercícios é rastreada por GPS, que transmite os sinais por sistemas wireless e “desenham” o cenário todo em um “mapa de situação” digital.

O mapa digital é incrementado com tecnologia de laser e efeitos pirotécnicos e óticos para conferir o máximo realismo aos combates com diferentes tipos de armas. Todo o exercício é gravado por outro sistema de computadores, o que inclui a evolução da situação no terreno, o comportamento dos diferentes atores e todas as comunicações de voz entre os participantes, e as gravações podem ser utilizadas para discussões e aprimoramento dos participantes e dos comandantes.

Putin vem fazendo grandes esforços para melhorar o status das Forças Armadas russas, ainda muito poderosas — sem contar o arrasador arsenal atômico –, mas com sérios problemas de manutenção de equipamentos e de defasagem tecnológica.

A chanceler alemã Angela Merkel, ao tomar a decisão de suspender a venda do GÜZ para os russos, anunciada publicamente pelo vice-chanceler e espécie de “superministro” da Economia, Sigmar Gabriel, representa um grande risco potencial para os enormes interesses econômicos da Alemanha na Rússia. Mais de 6 mil empresas alemãs têm algum tipo de representação na Rússia, com investimentos estimados ao equivalente de 65 bilhões de reais e dando emprego, na Alemanha, a 300 mil pessoas.

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10 Comentários

André em 31 de março de 2014

Ditador?! Como assim?! O cara só religou ao seu país uma região q outrora fora da Russia. Além do q, a maior parte da população é russa, concordou com o desmembramento da Ucrânia por insatisfação com o governo local e a UE. mas tbm, o q esperar de um colunista q é contra a obrigatoriedade de filhos de políticos estudarem em escolas públicas? http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/politica-cia/projeto-de-christovam-quer-obrigar-politicos-a-colocarem-filhos-em-escola-publica/ Tbm deixo um recado para os editores, colunistas e jornalistas: o monopólio midiático de vcs está acabando. Não precisamos mais de vcs para nos informar. Ou vcs mudam, ou perderam leitores massivamente E podem apagar e considerar "ofensivo" a msg. mto mais importante do q meu post é a mudança de comportamento de vcs partindo para um jornalismo sério E aliás... quem faz a censura mesmo? O marco civil da internet, ou vcs q escolhem o q pode ser comentado? Não dá para discutir com quem nega evidências claras como a luz da manhã. Se a Rússia for uma democracia, significa que a liberdade está definitivamente em extinção. Quanto a "monopólio midiático", acho que você precisaria consultar em dicionário, rapidamente, o sentido da palavra "monopólio". E informo, para sua tristeza, que VEJA está extremamente sólida do ponto de vista econômico, sendo uma das revistas semanais de maior circulação no mundo. Tem um milhão de assinantes, cuja permanência MÉDIA em carteira é de OITO anos.

Humberto Rodrigues em 28 de março de 2014

Ditador,estranho, ele foi eleito por sufrágio universal,não? Os mesmo que defendem a democracia, depois são os mesmo que a criticam,se este políticos usam lacunas no sistema democrático, mérito deles, não que eu defenda ditaduras, mas a democracia pode ser também a ditadura das massas. Adolfo Hitler se aproveitou para chegar ao poder, que eu me lembro e li,para se torna chefe de estado e chefe de governo por meios democráticos. Informe-se melhor, meu caro. Putin se elegeu, sim, mas sob enormes acusações de fraudes, jamais investigadas. Na Rússia não há liberdade de imprensa, não há respeito aos direitos humanos, não há Judiciário nem Ministério Público independentes, não há eleições para governos de enormes territórios que compõem o país. Opositores são perseguidos, presos e torturados sem intervenção da Justiça. Não há sindicatos que não sejam a favor do regime. Democracia é mais do que eleições a cada 6 anos, como é o caso das presidenciais russas.

Felipe AG em 27 de março de 2014

Fazer eleição (fraudada, sempre) não é critério único para aferir se alguém é ditador. Putin é ditador porque na Rússia não há liberdade de imprensa, nem Judiciário independente, nem liberdade plena de manifestação. ---- Ricardo, Conheço muito bem aquele país e posso dizer que você está errado. Todas as eleições de que participou Vladimir Putin, em 2000, 2004 e 2012 foram reconhecidas internacionalmente. Quanto a isso não há discussão. É fato. Quanto à liberdade de imprensa, houve uma queda sim em reação ao período Yeltsin, mas dizer que não foros de discussão também não corresponde à verdade, pois há imprensa de oposição na Rússia. Mas acho que o grande calcanhar de Aquiles da democracia - sim, democracia - russa é o sistema judiciário, tão ruim quanto o brasileiro. Abraço

Antonio Luz em 26 de março de 2014

A democrata Angela Merkel esta em seu terceiro mandato, imagina se fosse nos países fora do eixo EUA-EUROPA, seria ditadura.

Márcio Durães Alencar em 26 de março de 2014

Engraçado a reportagem chamar o presidente russo de ditador, eu queria saber qual é o critério para enquadrar como presidente e como ditador, pq até onde sei Putin foi eleito pelo voto democrático do povo Russo, chama-lo de ditador é leviano. Fazer eleição (fraudada, sempre) não é critério único para aferir se alguém é ditador. Putin é ditador porque na Rússia não há liberdade de imprensa, nem Judiciário independente, nem liberdade plena de manifestação.

otto em 25 de março de 2014

Concordo com o Silvio - 24/03/2014 às 16:49. A Alemanha é uma potência em vários setores industriais e jamais faria algo que afetasse seus interesses econômicos. Não acho que exista motivo pra tanto alarde

Martha em 25 de março de 2014

Será que as grandes potências ocidentais acreditam mesmo que os russos renunciaram ao seu desejo de subjugar o mundo? De vez em quando Putin gosta de exibir sua força. Dê-lhe o brinquedinho, e já, já, eles mostrarão sua face oculta.

Marco Antônio - Curitiba (PR) em 24 de março de 2014

Lembrei-me de uma anedota relacionada a um evento provavelmente fictício: século XVII, colonos famélicos trocam suas armas pelo milho dos índios norte-americanos. De posse das armas, os índios matam os colonos, curram suas mulheres e filhas e tomam o milho de volta. Imagino os alemães turbinando o poderio militar russo, povo belicoso governado por neofascistas e inimigo histórico do país.

Neusa de oliveira em 24 de março de 2014

Penso que esse é um risco que os países correm. Resta saber se essas empresas instaladas no território russo não são importantes para eles, que desde a desintegração da URSS não foram muito criativos para desenvolver grandes indústrias de base e foram em busca em outros países. É esperar para ver.

Silvio em 24 de março de 2014

Decisões envolvem riscos. A Alemanha não age por emoção e muito menos por revanchismo. Alemães,por natureza, são calculistas. Se tomaram a decisão sabem muito bem o que estão fazendo.

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