Nicolás Maduro, o presidente interino indicado pelo falecido caudilho Hugo Chávez, está eleito, como se sabe, para um mandato presidencial de seis anos — mas o que surpreendeu a opinião pública internacional foi a mínima diferença que o separou do oposicionista Henrique Capriles (50,66% dos votos para Maduro, 49,07% para Capriles), uma diferença espantosamente pequena, diante da colossal vantagem de que dispunha o candidato oficial, onipresente nos 8 canais estatais de TV e em virtual campanha eleitoral há pelo menos quatro meses.

Capriles teve míseros 10 dias para se dirigir ao eleitorado. Não por acaso, está contestando os resultados e exigindo uma recontagem de votos — tarefa inglória, uma vez que o Conselho Nacional Eleitoral, órgão responsável pelas eleições, é independente apenas no papel.

O resultado parece indicar uma complicada trajetória para Maduro — como conduzir e manter no poder o chavismo sem Chávez?

Para os muitos leitores que, constato, se interessam pelo fenômeno, acaba de ser lançado, com enorme oportunidade, um livro vital para entender a Venezuela e o chavismo, e para ajudar a imaginar como será o futuro sem o caudilho: Comandante – A Venezuela de Hugo Chávez (Editora Intrínseca, 304 páginas, 29,90 reais). É um livro raro, a começar pela isenção de quem o escreveu — o jornalista irlandês Rory Carroll, correspondente durante seis anos do jornal britânico de tom progressista The Guardian para a América do Sul, sempre baseado em Caracas.

Menos interessado em tomar partido entre chavistas e antichavistas, Carroll, jovem (40 anos) mas experiente jornalista que já viu quase de tudo na vida profissional — incluindo um sequestro sofrido no Iraque –, partiu para centenas de entrevistas com ideólogos do regime, ministros, estudiosos de todos os matizes, figurões caídos em desgraça, generais destronados, sindicalistas, integrantes de “conselhos populares” criados por Chávez, políticos de oposição e gente comum do povo.

Além das entrevistas, consultou centenas de cadernos de anotações que acumulara em caixas durante seus seis anos no país. Em vez de escrever um manifesto, contra ou a favor, alinhavou fatos e sempre indicou as fontes.

O resultado é, a meu ver, um retrato riquíssimo do Chávez caudilho (que inclui preciosidades inéditas sobre o Chávez pessoa), do chavismo e de como ficou a Venezuela após 14 anos de reinado do ex-coronel golpista.

Publico, a seguir, resenha desse grande, imperdível livro escrita pelo repórter David Blair, do tradicional jornal britânico The Daily Telegraph:

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Nem um heroico aliado dos pobres, nem um déspota demente

Existirá palavra que traga em si mais poder de intoxicação do que “revolução”? Quando um ativista carismático proclama o advento de uma “revolução socialista” num recanto apropriadamente exótico da América Latina, a tendência de não poucos analista do Ocidente é deixar de lado a racionalidade.

Assim foi com Fidel Castro e, talvez inevitavelmente, com Hugo Chávez, o autodefinido presidente “revolucionário” da Venezuela, que morreu de câncer no dia 5 de março passado. Para muita gente, Chávez foi de duas, uma: ou um heroico aliado dos pobres ou um déspota demente, com poucos conseguindo ficar no meio desses dois extremos.Comandante

A possiblidade de que Chávez possa ter sido uma figura complexa, um ser humano real capaz do praticar o bem e de fazer o mal perdeu-se entre personalidades como o ex-prefeito socialista de Londres Ken Livingstone, que o saudou certa vez como “amigo e camarada”, ou John Bolton, o rei dos neocons norte-americanos, que chegou a denunciar Chávez como uma “ameaça global”.

Na verdade, o ex-prefeito de Londres e o fiel escudeiro de George W. Bush tinham mais em comum do que qualquer dos dois quisessem admitir. Ambos julgaram Chávez com seus próprios preconceitos ideológicos e com a insustentável leveza de quem vive a milhares de quilômetros da Venezuela.

Rory Carroll, correspondente para a América do Sul do jornal britânico The Guardian baseado em Caracas, entre 2006 e 2012, realmente viveu o dia-a-dia venezuelano e tenta demolir a figura caricatural de Chávez como modelo de perfeição como vilão no livro Comandante – A Venezuela de Hugo Chávez. Carroll, irlandês, 40 anos de idade, consegue oferecer uma visão equilibrada e repleta das necessárias nuances de Chávez e sua “Revolução Bolivariana”.

Paralelamente a isso, porém, o autor consegue ir mais longe. Além de traçar um raro e detalhado retrato pessoal e político de Chávez, este livro extremamente bem escrito e dotado de fina percepção equivale a uma meditação sobre a natureza do poder, e os extremos de absurdo e corrupção que ele pode encerrar.

Na TV, Chávez anuncia: foi o “imperialismo” que destruiu a civilização que havia em Marte

No livro, o leitor vai se deparar com batalhões de subalternos de todos os matizes às voltas com os incontáveis dilemas que significam servir a um homem que se comportava como um monarca absoluto.

Para sobreviver na corte do Rei Chávez, os ministros precisavam “transformar as expressões faciais em máscaras, arranjar os traços em expressões apropriadas quando diante de uma câmera ou na linha de visão do comandante”, escreve Carroll. “Isto”, acrescenta, “era traiçoeiro quando o comandante fazia algo bobo ou bizarro porque a resposta requerida poderia contrariar o instinto”.

E ele, efetivamente, fazia coisas bobas ou bizarras. Chávez conduzia um programa semanal de TV intitulado Alô, Presidente, que tinha hora para começar mas nunca para terminar. Seu recorde foi permanecer nove horas e meia consecutivas no ar, ao vivo. Certa vez, num dos programas, ele anunciou que uma próspera civilização havia existido em Marte até que “o imperialismo chegou e destruiu o planeta”.

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Chávez ao vivo pela TV: seu recorde foi permanecer 9 horas e meia no ar, sem interrupções. E ali chegou a demitir altos funcionários expulsando-os de campo com um apito, como juiz de futebol (Foto: Palácio de Miraflores)

Como deveriam seus ministros reagir ao histrionismo do comandante? “Mesmo para veteranos na audiência, muitas vezes não ficava claro se se tratava ou não de uma piada”, escreve Carroll. “Então eles faziam cara de paisagem, à espera de que a situação se esclarecesse. Mas isso nunca acontecia: o comandante mudava de um assunto para outro sem parar”.

Esse tipo de dificuldade certamente contribuiu para que, durante seu reinado, Chávez tenha tido 180 ministros.

Com apito de juiz de futebol, e ao vivo, ele demitia ministros

Chávez lançava mão de seu programa de TV para anunciar demissões ou promoções, abolir ministérios inteiros, expropriar empresas e, em uma ocasião pelo menos, mobilizar as Forças Armadas contra a Colômbia.

[De outra feita, Chávez demitiu ao vivo, perante todo o país, figurões do governo, executivos graúdos da gigante petrolífera estatal PDVSA, sem avisá-los previamente. “Eddy Ramírez, diretor geral, até hoje, da divisão Palmaven [energia elétrica] (…), muito obrigado. O senhor está dispensado!” E soprou um apito, como se fosse um juiz de futebol mandando um jogador para o vestiário. O público ovacionou, e o ‘comandante’ continuou seguindo a lista: (…) “Carmen Elisa Hernández. Muito, muito obrigado, señora Hernández, pelo seu trabalho e serviço”. A voz destilava sarcasmo, e ele soprou o apito de novo: “Impedimento!“]

Carroll foi convidado do presidente no capítulo 291 do programa de TV. Ele teve a ousadia de perguntar a Chávez por que ele estava propondo ao Legislativo uma emenda à Constituição permitindo sua reeleição por um número indeterminado de vezes, sem contudo estender a mesma possibilidade a governadores e prefeitos.

“Ele lançou a pergunta para o mar, para além do horizonte [o programa se realizava numa pequena cidade do litoral], e a transformou numa arenga contra os males da mídia tendenciosa, da hipocrisia europeia, da monarquia, da rainha da Inglaterra, da Marinha Real, da escravidão, do genocídio e do colonialismo”, conta o jornalista.

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Chávez e sua multidão de seguidores: o “socialismo bolivariano” foi conduzido por um “autocrata eleito”, diz o autor do livro (Foto: patriagrande.com.ve)

A roubalheira, uma marca corrosiva

Enquanto isso, os ministros que trabalhavam para um homem que mandava gravar seus telefonemas e não raro os demitia por mero capricho tornaram-se figuras risíveis e dignas de pena. “O sucesso – conseguir uma posição cobiçada – acabava se tornando um inferno”, escreve Carroll.

Não é de admirar que tanta gente tenha optado por rechear seus bolsos com a renda do petróleo da Venezuela, juntando-se a um festival de corrupção que se tornou a marca mais corrosiva do reinado de Chávez. [O que o livro descreve em matéria de roubalheira, inclusive por parte de generais das Forças Armadas, faz o Brasil parecer um país de conto de fadas.]

Ainda assim, em meio a absurdos e excessos, o comandante continuou sendo um líder eleito, sujeito a constante crítica por parte de uma barulhenta imprensa de oposição. Carroll isenta Chávez de ser um ditador: ele, na verdade, apesar de tudo — sustenta o jornalista –, ganhou quatro eleições e não havia gulags ou câmaras de tortura na Venezuela.

Expurgo no Judiciário e lista negra

Mas Carroll descreve detalhadamente como Chávez feriu seus críticos, expurgou o Judiciário e utilizou uma lista negra com as 3 milhões de pessoas que assinaram um manifesto em 2003 pedindo um plebiscito revogatório — medida prevista na Constituição e que significa votar pela saíde de um político eleito.

Funcionários públicos que puseram seus nomes no fatídico documento foram demitidos, muitas outras pessoas foram caluniadas e perseguidas. Carroll acaba fazendo a Chávez a concessão de descrevê-lo como “um autocrata eleito”.

Um flerte com o suicídio

Ao longo de seu trabalho, o jornalista oferece uma memorável série de passagens. Como Chávez encurralado no subterrâneo do Palácio Miraflores durante um levante popular que acabou, via golpe de Estado, sacando-o do poder por efêmeras 48 horas. Durante um breve momento, ele fixou o olhar numa pistola e pensou em suicídio, voltando à razão após um telefonema de Fidel Castro.

Também ficamos sabendo como o general Raúl Baduel, o oficial que resgatou Chavez naquele momento de crise, congregando as Forças Armadas para restaurar o poder do comandante, foi mais tarde demitido de seu cargo de ministro da Defesa e jogado numa cela de prisão, por suposta acusação de corrupção.

O amigável âncora do programa de TV que construiu clínicas nas favelas, recheando-as de médicos importados de Cuba, acabou sendo moldado pelo poder em um dirigente cruel e vingativo.

Agora que o comandante morreu, Carroll terá que atualizar seu relato. Quando ele o fizer, este livro merecerá ser o trabalho definitivo sobre Chávez.

(Nota do colunista: tecnicamente, o jornalista Rory Carroll — hoje correspondente do jornal em Los Angeles, nos EUA — atualizou o livro nas páginas finais, descrevendo algo brevemente a doença e a lenta agonia de Chávez até  sua morte. O autor desta resenha, porém, se refere a como o chavismo sobreviverá à morte do caudilho, o que com certeza demandará algum tempo e merecerá alguns capítulos a mais na provável reedição da obra).

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22 Comentários

razumikhin em 28 de dezembro de 2013

Toda e qualquer boçalidade, suavizemos dessa forma, seria válida quando um líder comunista move sua nação em direção ao futuro douraado - que nunca chega e nunca chegará - do comunismo, onde todo trabalhador será um Leibniz, e toda mulher uma Helena. Viva Lula, o milionário.

NERVAL DA COSTA em 27 de dezembro de 2013

Infelizmente o povo do norte-nordeste, não tem conhecimento da politica imunda, suja, asquerosa, deste DESGOVERNO DO PT, que fazem destes nossos irmãos, trampolim para se perpetuarem no poder. Destino ingrato desses nossos irmãos, são maltratados, enganados, tem sido vitimas de LAVAGEM CEREBRAL, com estas cestas miseráveis, tendo que caçar RATOS, PARA SE ALIMENTAREM, ENQUANTO estes descarado, repugnante,corrupto desgoverno gasta mais de 15 BILHÕES DE REAIS, para A COPA DO MUNDO.

NERVAL DA COSTA em 27 de dezembro de 2013

Mesmo com todas estas adversidades, mesmo com todo estes sofrimento causados pelo menosprezo deste DESGOVERNO DO PT, que mente, que promete, e que nada faz para estes brasileiros menos afortunados. O que não PASSA PELA MINHA COMPREENSÃO é saber que mesmo assim, este povo ordeiro, trabalhador, ainda com todas estas adversidades que o PT lhes impõem ainda assim vota neste partido CORRUPTO, parecem que foram hipnotizados pelo MAL QUE REPRESENTA lula e dilma. Dificil de ACREDITAR,Meu DEUS

Passofundense em 27 de dezembro de 2013

Pois é! E para infelicidade do Brasil temos o nosso Chaves. O Lula só é um pouco menos espalhafatoso que o safado boliviano que virou múmia. Mas em matéria de ideologia e enganação em nada difere do Chaves. Só não entendo como é que a esmagadora maioria do povo, e até de pessoas com alto grau de cultura, se deixam levar por alguém de moral tão baixa, e sem qualquer ética como o Lula.

ROBERTO ORSINI em 27 de dezembro de 2013

Setti, isso é um governo ou uma piada???

marcelo em 17 de abril de 2013

Não era ditador? Eu acho que esse Carroll entra em contradição com o que ele mesmo relata. Quanto aos nossos generais, eles morreram pobres. Isso a esquerda festiva não perdoa...

selminha em 15 de abril de 2013

Setti, depois deste quase empate do Capriles, fiquei com inveja da Venezuela. O país realmente tem oposição, com propostas definidas, e um povo com consciência crítica, que não se deixa comprar por uma "bolsa-esmola". Aqui, não temos nem uma coisa, nem outra. É preciso muito mais jornalistas sérios, como você e seus colegas do site da Veja, para tentar melhorar este triste quadro.

Ismael Pescarini em 15 de abril de 2013

É sempre bom lembrar que Maduro foi empossado como presidente de forma ilegal e a exposição que teve na mídia amestrada e ajudou em sua eleição foi portanto também ilegítima. Não dá para falar que a eleição foi limpa como disse nosso observador o ministro do STF Dias Tofolli.

ricardo em 15 de abril de 2013

Se fosse o professor Lula,que tivesse dito que foi o imperialismo que destruiu a civilização em Marte,tudo bem..,afinal ele é um gênio né?Não foi ele que descobriu que a Terra é quadrada e nos informou sob aplausos dos presentes?????Ele sabe tudo,mesmo não vendo nada,nunca!,certo?E foi moscar nessa notícia que nem a Nasa pesquisando durante décadas sabia. Caramba..,o Lula precisa urgentemente se atualizar,com o agora "Chávez Passarinho,Piu,Piu". Só estou achando estranho,que nunhum professor uspiano tenha ficado iluminado com essa afirmação do Chávez.Será,que é porque foi o Chávez e não o Lula quem nos deu essa notícia em primeira mão? Acho que sim. É meus amigos,se fosse o Lula o portador dessa espetacular notícia,a Marilena Chau Chau estaria mais iluminada que árvore de natal.Como foi o Chávez,um companheiro fora da republiqueta,queimou o fusível e ela apagou.Não abriu a boca,nenhum pio,nenhuma tese à vista.Até agora,só estão pleiteando para o Lula,uma vaga na Nasa,ou na Academia de Letras,por conta da "Terra Quadrada".kkkkkkkkkkk,.....kk! Existe programa de humor melhor que um esquerdista no poder?Eles são ladrões,péééssimos administradores,caras-de-pau,roubam os feitos alheios,vão levar o Brasil pro buraco,etc,etc,mas....,mas,nos fazem rir pra caramba.É,ou não é PETEZADA SABIDA?? KKKKKKKK.

Marco Antonio (Curitiba - PR) em 15 de abril de 2013

Supondo-se que nas urnas houve uma vitória e não uma "vitória". A primeira evidência dessa segunda possibilidade é a recusa taxativa de recontagem mesmo com mais de 3000 denúncias de fraude. Por falar em fraude, afora os chavistas e demais bolivarianos, alguém mais testemunhou a chegada de Chávez vivo à Venezuela?

JC Brand dos Santos em 15 de abril de 2013

= VenezuEla: 50.3% bolivarianos X 49.7% *inteligentes e livres ! (*nao "escutam" o piu-piu d Chaves) A Historia nao acabou.

arilson sartorato em 15 de abril de 2013

Mais uma vez, o que é de pior em termos de governante,triunfa na América do Sul.como o zé povinho gosta destas porcarias.O Brasil é exemplo disso.

Jefff em 15 de abril de 2013

Boa dica de leitura Setti. Detesto livros que enaltecem ou demonizam uma pessoa. Li recentemente um livro de Franciso Franco que vai nessa mesma linha do livro a respeito do Chaves.

Ismael Pescarini em 15 de abril de 2013

Sua resenha está ótima, tão ótima que me deu até preguiça de ler o livro. Brincadeiras a parte, concordo plenamente com a definição de "monarca". Aliás, todos esses socialistas modernos não passam de ditadores com tendência ao absolutismo, crivado de corrupção e truculência. É o mesmo panorama de Cuba e da Coréia do Norte (lá é pior) mas aponta um perigosos caminho trilhado pela Argentina e admirado pelos petistas. Livra-nos do mal. Caro Ismael, obrigado pelas boas palavras, mas, depois da introdução, o que publiquei é uma resenha de jornalista do jornal britânico "The Daily Telegraph". Abração

Jo LIma em 15 de abril de 2013

A pior situação em um regime político extremo é que tudo fica dividido entre bons e maus, mocinhos e bandidos. O Brasil passou por isso no período do ditadura: todos que lutavam contra ela eram automaticamente santos e os que a apoiavam ou se mantinham neutros eram automaticamente demônios. Essa podridão do sistema político venezuelano não começou com Chavez. Antes dele, todos os presidentes se beneficiaram da corrupção - às custas de um abismo social que faz o Brasil parecer um cantão da Suíça. A diferença é que Chavez optou em distribuir uma pequena parte da riqueza do petróleo a uma grande parte da população que sempre foi esquecida. Só que o custo econômico disso é catastrófico:nunca a Venezuela dependeu só do petróleo - e, ironia das ironias, por causa disso nunca vendeu tanto petróleo aos imperialistas americanos. OU seja, na prática, o chavismo é bancada pelo bom e velho capitalismo norte-americano. Agora, um legado Chavez deixou: com seu assistencialismo em doses cavalares e investimentos em saúde e educação, trouxe uma grande parte da população para o jogo político. Seja quem for o governante da Venezuela daqui em diante, não poderá ignorá-la.

Felipe Goltz em 15 de abril de 2013

Bom dia, Ricardo Muito interessante este post, como de praxe neste blog. Hugo Chávez foi, e é ainda, uma figura tão diferente do usual no cenário político e tão polarizante – na Venezuela, ou fora dela, ou se ama ou se odeia o falecido –, que é raro ler análises limpas de paixões ideológicas. Muito raro. A sobriedade do nobre jornalista neste caso ajuda a desanuviar a cortina de fumaça, densa como nunca nestes últimos dias, que apoiadores e opositores ajudam a criar. O relato de Carroll, a priori alguém imparcial, é fundamental para entender o que se passa e o que se passou ao longo da era Chávez no país dono de uma das maiores reservas de petróleo do mundo. Leitura obrigatória. Obrigado pela dica valiosa. Abs, Caro Felipe, sou em quem tem que agradecer sua atenção e sua leitura. Um grande abraço Felipe

ricardo em 15 de abril de 2013

Sabe o que acontecerá depois dessa eleição?A Venezuela vai definitivamente pro buraco e não vou ficar triste.TODO POVO TÊM O GOVERNANTE QUE MERECE,PONTO.

moacir em 15 de abril de 2013

ERRATA 1- CarRoll 2- .Apesar 3- PulverizanDo 4- partido sem N 5- salários Desculpem

bereta em 15 de abril de 2013

E foi esse mesmo Chaves o grande amigo de nosso estimado líder. Como também o foi, de nossa estimada líder.

moacir em 15 de abril de 2013

Setti, Grande texto! Eu comecei a ler o livro do Caroll ontem.Quase não se pode interromper a leitura.Também acompanho blogs venezuelanos oposicionistas e leio o Universal quase que diariamente.apesar do sofrimento de los hermanos com a crise econômica e a descontrolada violência,ninguém!,jamais acreditou nisso.Todos estão surpreendidos com os números e nos blogs há quase um clima de vitória. Eu comentei por aqui,na post do Augusto,que a diferença entre Maduro e Capriles,em 4 dias,havia caído quase 10 pontos percentuais e o que vimos foi que as oposições conseguiram,em 10 dias de uma campanha feita praticamente só pela internet, o feito de quase ganhar essas eleições,pulverizano a vantagem de mais de 20% que o Santo de Assis tinha. Valentes esses venezuelanos. O voto,como você sabe,não é obrigatório na Venezuela.Então nesses últimos dias havia uma quantidade enorme - 200 mil? -de milicianos nas ruas,doutrinando de porta em porta,os cidadãos a votar...em Chávez.Pedindo que vizinhos telefonassem para o partindo,relatando quais vizinhos pretendiam ficar em casa,para que se pudesse "conversar" com tais ingratos...E ameaçá-los com futuras retaliações.Pois se o voto é secreto na Venezuela,os votantes são obrigados a deixar sua impressão digital numa máquina,ao lado da urna eleitoral,o que garante ao regime o conhecimento de quem votou ou não. Estou de alma lavada.Acompanhando o delírio religioso no qual se transformou o discurso chavista,acreditei que estavámos de volta a tempos de obscurantismo medieval.Hoje,acordei já mais adiante - no humanismo do renascimento... As oposicões,pelo menos na Venezuela,estão lutando! E isso é tudo o que se quer por aqui.Esperemos! O desempenho de Capriles forçou Maduro a prometer,nesses últimos dias de campanha,mundos e fundos.Um suposto aumento de 45% nos slários,por exemplo.Maduro terá grandes dificuldades em cumprir suas mirabolantes promessas,não tem o menor preparo para administrar os gravíssimos problemas do país e - e o povo já entendeu! - Chávez não vai voltar. Voltei a ter enormes esperanças e acho que você está certo - é só uma questão de tempo. Abraços Valeu, caro Moacir. Abração!

Bruno em 15 de abril de 2013

Caro Setti, . Depois de ler este artigo cada vez mais me convenço, em geral, que poder e loucura são duas variáveis que rumam para o mesmo lado. Quanto mais de uma, mais da outra ! . Desviando um pouco do tema, mas trazendo o Brasil para a cena, ontem ouvi um comentário interessante sobre Capriles: poderia não ser o melhor para a Venezuela, poderia também não ser o melhor que a Venezuela tem para oferecer, mas sem qualquer dúvida teve o mérito de agregar a oposição em torno da sua candidatura. . Eu vi aquela enchente em Caracas promovida por Capriles. Foi uma grande demonstração de força. Acredito que em breve a "saúde politica" na Venezuela irá melhorar. . No Brasil....na Argentina...na Bolívia....e por ai vai, os governos vão quase se perpetuando, com re-eleições, mudanças constitucionais, mensalões, e até eleições de "postes", pois a oposição está fraturada e não consegue se unir para mudar o rumo das coisas. . Dito de outra maneira, estes governos se eternizam menos pelos méritos de suas políticas e ações e mais por o desmérito daqueles que se lhes opõem - normalmente divididos. O único triunfo, assim, é o da fraqueza da oposição. . Abr, BR

maria luiza guião bastos em 15 de abril de 2013

Caro Jornalista, Caro Setti! vitória apertadíssima, um gôzo, rs - já diziam os experts que se a campanha se estendesse por mais uns 15 dias, o motorista de buzão perderia.....Esse resultado fará muita gente pensar.... mesmo porque o marqueteiro é...... (gostaria de criar um prêmio bem extravagante pra quem acertasse a resposta!). A segunda começa melhor, a semana, o futuro......... existem esperanças para aquele povo. E agradecendo a dica, esse livro citado deve ser mesmo um fascínio.........

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