As alegrias de um eterno perdedor de eleições

O senhor Fidelix, um profissional de eleições — graças à bondade de nossas leis (Foto: levyfidelix.com.br)

Está reconhecendo a figura?

O sorriso mecânico, invariável, como se fosse de plástico? Os cabelos e bigodes permanente e eternamente negros como as asas da graúna?

Provavelmente você está reconhecendo, sim. Porque se trata de um profissional de eleições. Tem eleição, Levy Fidelix está lá.

Ninguém sabe o que ele faz, o que ele é, o que ele quer – exceto implantar, na remotíssima possibilidade de ser eleito para um cargo executivo, um certo “aerotrem”, que seria a solução milagrosa para os problemas de transporte do país.

O senhor Fidelix é o exemplo perfeito e acabado dos piores defeitos da legislação eleitoral e partidária do Brasil.

Uma legislação que permite que legendas sem qualquer representatividade social tenham guarida oficial, minutos gratuitos para propaganda na TV e dinheiro público do Fundo Partidário.

Uma tremenda moleza.

O feliz proprietário de um partido

Não é por acaso que o senhor Fidelix, há longos 26 anos, não faz outra coisa a cada dois anos a não ser candidato – a qualquer cargo.

Ele é o feliz proprietário de um partido, um certo PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro). Um partideco, como diria o falecido ex-governador Leonel Brizola. Que serviu, entre outras coisas, para que um outrora maltido e desterrado, o ex-presidente Fernando Collor, voltasse à cena política, elegendo-se senador por Alagoas.

Collor, que de bobo não tem nada, logo pulou para um partido mais robusto, o PTB, porque fidelidade partidária no Brasil também é piada.

Mas voltemos ao senhor Fidelix.

Ele começou sua longa carreira de não-eleito com partidos alheios, candidatando-se a deputado federal, em 1986 – eleições à Constituinte – pelo PL, e em 1990 por outro partideco, o PTR. Logo percebeu que era melhor possuir sua própria legenda.

E lá foi ele, em 1994, com seu partido debaixo do braço, ser candidato a… presidente da República. A votação minúscula, ridícula, apesar de martelar diariamente eleitores de todo o Brasil pela telinha, não o desanimou.

Assim sendo, lá veio ele: em 1996, candidato a prefeito de São Paulo.

Em 1998, a governador de São Paulo. Em 2000, a vice-prefeito. Em 2002, de novo, a governador. Em 2004, baixou bem a bola: nem presidente, nem governador, nem prefeito, nem vice. Que tal vereador? Uma vez mais, nada de se eleger.

Em 2006, pela terceira vez, uma cadeira de deputado federal. Nada feito, novamente.

2008: que tal de novo a Prefeitura? O homem do aerotrem passou longe de qualquer possibilidade, mas obteve o grande resultado de sua carreira: 0,09% dos votos! 2010: presidente de novo. Dilma Rousseff teve 47,6 milhões de votos no primeiro turno, ele alcançou 57 mil. Mas estava lá.

O aperto de mãos antes inimaginável: Lula, derramando-se em sorrisos, com o Demônio em pessoa — e Haddad no meio. O que não valem minutos e segundos de tempo na TV… (Foto: Folhapress)

Tal qual se apresenta, agora, em sua décima-segunda tentativa de se eleger para qualquer coisa, como candidato a governador de São Paulo.

Mole, mole, o senhor Fidelix vai receber 1,1 milhão de reais do Fundo Partidário. E os preciosos segundos na TV sempre podem ser, digamos, negociados politicamente, via alianças, num segundo turno, ou mesmo no primeiro – quem sabe?

Afinal de contas, Lula não foi, sorridente, abraçar aquele que era Belzebu em pessoa para o PT nos velhos tempos – Paulo Maluf – em troca de 1 minutos e 43 segundos de tempo na TV do partido malufista, o PP, para seu candidato a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad?

Se o PT vendeu mais um lote de sua antiga alma por esse tempo na TV, alguma coisa valerão – politicamente, é claro — os 30 segundos do senhor Fidelix, não é mesmo?

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Nenhum comentário

  • JCB/RJ

    Bom Ricardo, seguindo o exemplo dessa re$erva moral da nossa política, tentei criar um partido para defender os trabalhadores da aviação.Escolhi um nome que gerou esta sigla:
    Partido
    Único dos
    Trabalhadores
    Aeronáuticos

    Não decolou….

  • Tuco

    .

    E pensar que ainda existem doidos
    a imaginar que o Brasil pode se
    tornar uma Nação séria.
    De minha parte entendo que mais
    vale dar um voto ao PUTA, do Nobre
    Comentarista JCB/RJ – 24/07/2012 às 16:34,
    vai que decola…


    .

  • Nelson Valente

    Senhor Ricardo Setti,

    li e reli com atenção sua “matéria”: As alegrias de um eterno perdedor de eleições.

    Senhor Ricardo,

    a leitura, com o tempo e a prática vira êxtase, é semelhante a um transe. A boemia dos verbos é que mutilam a boa ordem das frases. Há que lhes perdoar. Não se desgrudam da ideia de movimento. Afinal de contas, atrás de sua “matéria” aparecem outras perguntas: – Quais serão os seus motivos?

    Senhor Ricardo,

    sugiro-lhe, amistosamente, uma consulta a qualquer psicanalista.

    Senhor Ricardo,

    o seu “jornalismo” é de péssimo mau gosto, com ataques pessoais e com objetivos explícitos.

    Atenciosamente,

    Nelson Valente

    Meus “objetivos explícitos” são mostrar que certos partidos só existem para… existir. Não representam nada nem ninguém.

    Meu “jornalismo”, que o ilustre leitor coloca entre aspas, só tem menos mau gosto do que sua motivação.

    Dispenso suas recomendações sobre minha vida pessoal, mas recomendo que estude melhor o idioma. “Péssimo mau gosto” é de doer.

  • Nelson Valente

    Senhor Ricardo Setti,

    infelizmente, não divido com seu otimismo. Do jeito que as coisas vão, acabaremos por não ganhar qualquer pão, preservado o nosso direito de suar à vontade.

    Senhor Ricardo Setti,

    aqui, não participo do seu pessimismo, nem leio pela sua gramática latina.Convido-o a não impor lemas ao futuro na expectativa de que ele se revele generoso, à hora de compor os nossos epitáfios.

    Senhor Ricardo Setti,

    Não entendi a sua “matéria”. Pressinto-a sutil como o próprio interpelante.

    Senhor Ricardo Setti,

    metas não fazem um bom Governo. Um bom Governo realizará as que se proponha, ou as que os antecessores lhe deixem como acervo, como espólio, talvez como fadário?

    Atenciosamente,

    Nelson Valente

    Estamos empatados. O senhor não entendeu meu post, e eu — e acredito que inúmeros leitores — não entendi patavina de seu comentário.

    Saudações

  • Nelson Valente

    Senhor Ricardo Setti,

    conforme seu texto: ” O sorriso mecânico, invariável, como se fosse de plástico? Os cabelos e bigodes permanente e eternamente negros como as asas da graúna?”. Prezado Senhor, não estamos num concurso de beleza.

    Senhor Ricardo Setti,

    De que importam as legendas neste país? O que significam elas? Têm conteúdo programático, ideológico ou filosófico?

    Senhor Ricardo Setti,

    segue seu texto: “Está reconhecendo a figura?” Que falta de respeito pela pessoa.Não só os impulsos hostis agressivos e sexuais, mas tudo o que é recalcado pode ser projetado para os demais. “Não sou eu que o amo… mas ele que me procura…; não sou eu covarde, indiscreto, desonesto, ladrão, imbecil, etc., mas ele sim …; não sou eu que o odeio, mas ele sim que me odeia…” “Não desejo atacá-lo, é ele quem deseja atacar-me.”

    Em casos extremos, esta atitude atribui aos outros qualidades totalmente inventadas, como nos delírios de persecução dos paranóicos; outras atribui aos outros as qualidades que ele mesmo tem; em casos mais leves basta exagerar as qualidades dos outros, para disfarçar as próprias.

    A esposa, por exemplo, esquece seu próprio ódio, ou seu ciúme e acusa o marido destes defeitos; o marido, por sua vez, pode disfarçar seu desejo inconsciente de enganar a esposa, acusando-a de traição.

    Atenciosamente,

    Nelson Valente

    Prezado senhor Valente,

    O senhor trabalha para o PRTB?

  • Tuco

    .

    O último comprimido de Gardenal
    caiu debaixo da cama – e o NValente
    não o encontra…
    Viu só, Grande RSetti, o que dá
    tentar levar maluco a sério?


    .

  • Marcio

    Ninguém pode negar: esse é brasileiro! KKKKKKKKKKKKKKK..

  • Ricardo

    Nas fotos acima,quem tenta ser o mais esperto:O Lula,que não vende a mãe porque ninguém compra,ou o tal Fidelix,que recebe milhões do nosso suado dinheiro na moleza?
    Pra mim são maçãs podres que vivem no mesmo balaio.

  • Nelson Valente

    Senhor Ricardo Setti,

    no imaginário popular, o que importa é como a mídia descreve, interpreta, fotografa e divulga o mundo. A mídia pauta o mundo e forma ou deforma mentalidades. Se não saiu na mídia não aconteceu.

    No mundo midiático, digital, instantâneo, a informação é cada vez mais estilizada, pasteurizada, e os fatos recortados da realidade sem nexo, sem contexto, sem passado, sem história, sem memória, numa destruição clara da temporalidade, como se o mundo fosse um eterno videoclipe. Dessa forma, mais confunde do que esclarece e mais deforma do que forma.

    Senhor Ricardo Setti,

    na leitura crítica da mídia, a linguagem, constituída a partir de um “mundo” editado, passa por inúmeros “filtros” – pela observação dos fatos e pelo relato da declaração do outro – na construção da notícia. É preciso ficar atento à ideologia presente em cada fala, porque todo discurso é ideológico e reflete a realidade que a retrata.

    Senhor Ricardo Setti,

    já faz anos que exploro o mundo dos códigos e dos signos pelo estudo da linguagem, da comunicação, da psicanálise, do saber e de muitas outras formas. No entanto, nunca defini meu objeto! Porque cada linguagem propõe um paradigma de mundo diferente. Quando jovem, meu professor de Semiótica, Naief Sàfady, afirmou: “Nascemos apenas com uma ideia na cabeça e não fazemos outra coisa senão desenvolvê-la ao longo de toda a nossa existência”. Então, eu disse para mim mesmo: “Será que não é possível que haja uma mudança de vida? Que reacionário!” Perto dos 64 anos de idade, entendi que meu professor tinha razão: de fato, durante toda a minha vida persegui tão-somente uma única ideia. O único problema é que não sei que ideia é essa!

    Creio que estou chegando lá. De tanto me dedicar à Semiologia, estou cada vez mais convencido da possibilidade de que o mundo não existe, de que ele nada mais é do que um produto da linguagem.

    Houve momentos, no decorrer do século passado, que a filosofia se recusou a falar do mental sob o pretexto de que não podia vê-lo. Hoje em dia, com as ciências cognitivas, as questões do conhecimento – o que quer dizer conhecer, perceber, aprender? – tornaram-se centrais. Os progressos da ciência permitem tocar naquilo que antigamente era invisível, o que obriga a Semiótica questionar: como é que a linguagem estrutura a percepção que temos das coisas?

    Nem sempre foi esse o caso. A linguagem de Pascal ou de Descartes é simples e corriqueira. O próprio Bergson, que trabalha com conceitos difíceis, fala sem tecnicismos. Na segunda metade do século passado, as coisas mudaram. Por que o francês de Lacan parece difícil? Porque sua sintaxe não é francesa, é alemã! De fato, nos anos 60 houve uma verdadeira invasão alemã na filosofia francesa. Daí a ruptura entres os dois continentes. Isso criou uma barreira enorme entre a filosofia insular e a continental.

    Os anglo-saxões Locke e Berkeley falam como todo mundo. Wittgenstein, quando começou a pensar em inglês, utilizava uma linguagem simples. Eis a razão por que os americanos gostam tanto de Gramsci – porque ele não se valia do jargão alemão – e por isso eles não se deixaram contaminar pela fenomenologia, por Heidegger, que lhes é incompreensível. Todavia, cederam diante dos franceses germanizados, que influenciaram sua literatura e, depois, sua filosofia. Já é difícil traduzir Lacan em “francês”, imagine em inglês! No Brasil também aconteceu a mesma coisa: basta que um termo seja alemão para que seja considerado com seriedade.

    Senhor Ricardo Setti,

    os limites de sua linguagem denotam os limites de seu mundo. A neurose é importante, mas não ao ponto de transformar-se em esquizofrenia.Por gentileza, faça uma leitura do ponto de vista da Semiótica ou da psicanálise, por contiguidade ou similaridade, que V.Sa., vai entender meus comentários.

    Atenciosamente,

    Nelson Valente

  • Nelson Valente

    Senhor Ricardo Setti,

    todos nós somos, mais ou menos, suscetíveis à vaidade. O que espero é não desapontá-lo, permanecendo sujeito à minha consciência, e submetido, só, às minhas ideias, para que V.Sa., aceite ou rejeite:
    Concordo,que há uma descrença generalizada. Os escândalos no Congresso, as falcatruas no governo, a falta de lisura em alguns membros do Judiciário, tudo isso faz crer que a ética está em pane, promovendo a prevalência da tristemente famosa “Lei de Gerson” (a vida é dos espertos).
    Uns afirmam que o Brasil, apesar de tudo, está progredindo. E eu direi que não é o país que está progredindo, mas alguns cavalheiros que estão prosperando à custa do Brasil.
    Acredito na juventude, particularmente na brasileira. Descresse dela, a minha atividade de professor universitário restaria sem sentido, objetivo, inane e estulta.

    Senhor Ricardo Setti,

    não entendo as agressões verbais em seu texto, ao Senhor Levy Fidelix. Por quê?

    Senhor Ricardo Setti,

    não entendi sua resposta: “Estamos empatados. O senhor não entendeu meu post, e eu — e acredito que inúmeros leitores — não entendi patavina de seu comentário.

    Saudações”.

    Senhor Ricardo Setti,

    ” patavina”? O que me agrada é a identidade de nossos pensamentos e prefiro levar à conta de sua generosidade. Mas, por favor, não insista porque, de repente, acabam acreditando.

    Atenciosamente,

    Nelson Valente

  • Nelson Valente

    Senhor Ricardo Setti,

    certos erros de linguagem que aparecem na mídia impressa, falada, audiovisual e mesmo na letra de músicas são rápida e inconscientemente assimilados e usados pelo público, que chega mesmo a considerá-los modelos. Frequentemente ouve-se: “a TV diz assim”, “o locutor fala deste modo” , “a letra da música é assim” , “o jornal publicou” , “vi no cartaz, no outdoor”, etc.

    Infelizmente, esta é a realidade em que vivemos, tratando-se da relação público e linguagem dos meios de comunicação de massa.

    Diante desta real e preocupante situação, urge fazermos tudo o que está a nosso alcance para preservar a pureza desta língua tão bela e tão sonora, falada há quase um milênio, merecedora, portanto, de ser resguardada das distorções grosseiras a que é submetida,frequentemente, na mídia.

    Vejamos alguns exemplos de incorreções colhidas aleatoriamente nos meios de comunicação e que poderiam ser facilmente sanadas:

    – “Faz o que eu digo, mas não faça o que eu faço.” (Faze o que eu digo…)
    – “Obedeça seu velho. Gaste bem sua mesada.” (Obedeça a seu…)
    – “Diga-me com quem andas e eu te direi quem és.” (Dize-me com quem…)
    – “Fi-lo porque quilo.” (Fi-lo porque quis)
    – “A nível de administração.” (Em nível de ..)
    – “Ao meu ver.” ( A meu ver…)

    Os cartazes, os anúncios, a imprensa, a letra de música populares refletem o desenvolvimento cultural da sociedade da qual todos fazemos parte. Cabe-nos denunciar os maus uso da língua nessas formas de comunicação, para que seus erros não venham a ser motivo de vergonha para nós.

    Entre as incorreções que destoam no uso da língua, são frequentes pequenos descuidos, até perdoáveis, mas há casos de barbarismo contra a pureza da língua nos aspectos sintáticos, regenciais, ortográficos, sem falarmos de troca tão comum de tratamento, como também de organização ilógica de ideias, o que acarreta, frequentemente, ambiguidades e interpretações errôneas de pensamento.

    Contudo, neste momento em que os países lusófonos se unem no fortalecimento da Comunidade Linguística da Língua Portuguesa: em que se luta para que o português seja reconhecido também como língua oficial da ONU: em que o português vai alcançando o 4º lugar entre as línguas mais falada no planeta. Não podemos deixar que ela se desfigure e se deturpe de maneira tão galopante, como está acontecendo nos meios de comunicação.

    Senhor Ricardo Setti,

    em geral, o erro linguístico depõe contra quem o cometeu. Vamos preservar a “Língua nossa de cada dia”. Concordo com Vossa Senhoria.

    Atenciosamente,

    Nelson Valente

  • Nelson Valente

    Senhor Ricardo Setti,

    de uma feita, em visita a Israel, assisti a uma velha senhora aprendendo a ler. Estava diante de um computador e provinha do norte da África, embora falasse espanhol, dados conhecimentos do ladino.

    Aproximei-me dela e perguntei se estava progredindo nos estudos. Ela me olhou com interesse e disse-me de pronto: “Na minha idade é muito difícil. Tenho cabeça dura”.

    É claro que protestei. Para o aprendizado, não há limite de idade. Pode-se registrar o que ocorre no Japão nos dias de hoje, em que a expectativa de vida alcança os 80 anos para homens e 82 anos para as mulheres. Eles estudam até o fim dos seus dias, às voltas com as novas tecnologias e o processo acelerado de informatização.

    O processo de reeducação, que se faz a partir dos 50 anos de idade, recicla para o trabalho, abrangendo inclusive novas funções. O importante, como afirma o professor e escritor Arnaldo Niskier, é não deixar o cidadão alijado das atividades produtivas, pois isso seria mortal.

    Trabalha-se no Japão praticamente até o fim da vida, há fortes indicadores de reingresso nas universidades e adultos frequentam com assiduidade cursos de pós-graduação e reciclagem, numa belíssima volta às aulas. Tudo isso convivendo com alterações de grande significado, como a redução das jornadas de trabalho e a ampliação obrigatória do tempo destinado ao descanso e ao lazer, modificando-se a cultura do desprezo por essas atividades.

    Havia uma certa lógica na repulsa ao lazer, se estava erigindo uma sociedade obcecada pelo trabalho e pelo aumento da produtividade a qualquer custo.

    Todos esses elementos nos dão a convicção de que o Japão aprendeu a prestigiar a chamada educação continuada ou permanente, para tanto empregando mecanismos das modernas tecnologias educacionais, que hoje convivem com a mentalidade de valorização dos recursos humanos sem qualquer limite de idade.

    Atenciosamente,

    Nelson Valente

  • Nelson Valente

    Senhor Ricardo Setti,

    cada língua propõe um modelo de mundo diferente. Por isso não é possível tentar instituir uma língua universal. É preciso, portanto, tentar passar de uma língua para outra. Eu sou a favor do polilinguísmo. A diversidade das línguas é uma riqueza. Esse é um fato indiscutível, ligado, provavelmente à natureza humana. Durante séculos, não desfrutamos desse tesouro, porque sempre houve uma língua que predominava sobre as demais: o grego, o latim, o francês, o inglês. Creio que, dentro de uma geração, teremos uma classe dirigente bilíngue. Desconhecer as línguas sempre produz a intolerância. Conhecê-las, porém, não é garantia de tolerância. Nos Bálcãs, os sérvios e os croatas entendem-se, e, contudo… No passado, os que se revoltavam mais ferozmente contra o colonizador haviam estudado na metrópole. Pode-se massacrar uma população conhecendo-se perfeitamente sua língua e sua cultura.

    Senhor Ricardo Setti,

    o conhecimento torna-se, então, um elemento de irritação ou de rejeição, do mesmo modo que um marido e sua mulher podem acabar brigando cada vez mais a medida que vão convivendo. A língua tem razões que a própria razão desconhece. Minha filha, que é bilíngue, pediu à sua mãe uma noite dessas: “Mamãe, conte-me uma Geschichte.” Para ela, Geschichte é o conto, a história de Chapeuzinho Vermelho. Para nós, é História em 12 volumes.

    Os franceses fazem de conta que brigam com o inglês, mas têm medo mesmo é do alemão. Desde a queda de Berlim, a Europa do Leste transformou-se num bolsão de poliglotismo alemão e há muita probabilidade de que o alemão se imponha na Europa! Nunca, no mundo, alguém conseguiu impor a língua estrangeira dominante.

    Os romanos foram mestres do mundo, mas seus eruditos conversavam em grego entre si. O latim se tornou a língua europeia quando o império romano desmoronou. No tempo de Montaigne, o italiano era o vetor da cultura. Depois, durante três séculos, o francês foi a língua da diplomacia. Por que o inglês, hoje? Porque os Estados Unidos ganharam a guerra e porque é mais fácil falar mal o inglês do que falar mal o francês ou o alemão. O que não impede que os franceses falem de uma “colonização” de sua língua pelo inglês.

    Senhor Ricardo Setti,

    o acordo ortográfico de unificação da nossa língua não passa de 2% desse total, estaremos diante de aproximadamente oito mil vocábulos para serem apreendidos pelos que usam o idioma como ferramenta de trabalho, como é o caso de professores, escritores e jornalistas.

    Segundo o acadêmico, Arnaldo Niskier: “É preciso, porém, ainda mais agora com a decadência do ensino e a enormidade de erros veiculados pelos meios de comunicação, distinguir o que pode ser (ou vir a ser) que agride o vernáculo, transfigurando-o, impregnando-o de palavras e expressões alienígenas, absolutamente dispensáveis, tolos modismos e até mesmo erros crassos”. A unificação chegou em boa hora.

    Atenciosamente,

    Nelson Valente

  • Osvaldo Aires Bade - Comentários Bem Roubados na "Socialização"

    O que é esse Nerso da Capitinga e sua Valentia?
    Abraço a Todos
    Osvaldo Aires