Amigos desta coluna, até eu me surpreendo ao verificar que consigo concordar com um líder do PT sobre alguma coisa.

Mas é o caso da declaração do líder petista na Câmara dos Deputados, Paulo Teixeira (SP), que, após participar em São Paulo de um debate sobre a reforma política, comentou a criação do chamado “Partido Social Democrático” (PSD) pelo prefeito paulistano, Gilberto Kassab (ex-DEM), considerando-a “uma incongruência” do sistema político brasileiro e uma atitude “personalista” do prefeito.

“Por que ele precisa criar um novo partido?” – indagou Teixeira, com total pertinência. “Qual era a questão programática que diferencia o partido dele dos demais?” São perguntas que já fiz várias vezes aqui no blog.

Teixeira criticou a falta de exigências minimamente rigorosas para a criação de um partido político no Brasil. “É tão fácil formar um partido como é mudar de camisa”, afirmou. Nesse sentido, o tal PSD de Kassab seria um exemplo dessa frouxidão legal. “[A criação do partido] É um desejo personalista que não tem nenhum fundo programático”.

Daí por diante é evidente que discordo do deputado, que disse ver “com bons olhos” a aproximação de Kassab com a base aliada do governo da presidente Dilma.

Essa boa vontade para com o prefeito vira-casaca acaba anulando o que de correto disse o líder do PT sobre a bagunça que é nossa legislação partidária.

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Tito Livio Bereta Bereta em 23 de março de 2011

Pergunto: Se levarmos em conta a propaganda eleitoral e as baboseiras ditas pelos políticos que fazem parte do horário eleitoral, sem olhar a sigla a qual pertencem, seria possível distinguir um partido de outro? Afinal, todos se dizem salvadores da Pátria, todos estão aptos a nos redimir da miséria, da falta de saúde, de ensino, de segurança, de dinheiro! Oras, senhores políticos, deixem o Kassab em paz. Kassab é quem sabe! Vai que dá certo. Vai que ele consegue aglutinar o que existe de pior ou melhor na composição dessa corja e daí é só enfiá-los num saco, amarrar a boca e jogar no mar. Assim que se matavam ninhadas de gatos antigamente. Gatos ladrões, claro! Foi quando passou a vigorar o politicamente correto que os políticos incorretos arregaçaram as manguinhas. E tripudiam sobre nós diuturnamente.

Leandro Ribeiro em 23 de março de 2011

Caro "anonimo" (22/03/2011 às 14:38) Não compactuo com estes vigaristas, mas não confunda as coisas. Heloisa Helena fundou o PSOL após ter sido EXPULSA do PT - partido que ajudou a fundar. Foi na época do Mensalão quando exigiu medidas duras para os PeTralhas pegos com a boca na botija. Foi censurada pelo PT e acabou expulsa - o "Babá", ela e não lembro mais quem. Não vou ficar defendendo pessoas com idéias políticas mumificadas - como ela - mas vamos criticá-los pelos erros que cometeram e não pelo que não cometeram. Sobre o Kassab, espero que os paulistas se vinguem e nas próximas eleições não votem nele nem para síndico de prédio!

elionier em 22 de março de 2011

Kassab quer se unir a Dilma e como DEM ficaria mais dificil. Na politica tudo é questao de momento ou seja, qual partido é melhor agora, qual vai ser amanhã.

veiaco em 22 de março de 2011

E eu me surpreendo em ter que concordar com Marta Suplicy.

SergioD em 22 de março de 2011

Ricardo, será que no Brasil podemos, em relação aos nossos partidos políticos, aplicar a distinção esquerda e direita? Ou melhor, nos tempos de economia globalizada, onde até a China comunista aplica o capitalismo para promover o crescimento, podemos ainda discutir nos termos dessa velha dicotomia? Uma sociedade que aplique os velhos padrões comunistas, como Cuba e Coréia do Norte, está destinada ao fracasso total como podemos constatar. Hoje podemos ver o Vietnam, país símbolo nas lutas da guerra fria que confrontavam os dois sitemas, o capitalismo e comunismo, aplicando a economia de mercado para promover o desenvolvimento. Me pergunto atualmente se os EUA, a longo prazo e sem armas, não acabou sendo o vencedor dessa daquela maldita guerra que tanto o marcou nas décadas de 60 e 70. No mundo atual a única maneira de diferenciar direita e esquerda seria, numa adaptação livre do pensamento de Norberto Bobbio, dizer que os movimentos de esquerda buscam favorecer práticas que tendam a diminuir as desigualdades, tornas os desiguais mais iguais. Já os movimentos de direita implementam políticas econômicas voltadas para o desenvolvimento sem se preocupar muito com a redução das desigualdades sociais. Pergunto a você: dentro dessa definição de direita, qual partido político do Brasil se assumiria como tal? O DEM? O PP? Um abraço Caro SergioD, eu vejo direita e esquerda como conceitos ultrapassados mas, se quisermos utilizá-los hoje, tenderia a examiná-los sob a ótica de que papel reservam ao Estado. Simplificadamente, a esquerda tende a encarar o Estado como forma de solucionar problemas do país, criar emprego e riqueza, regulamentar as atividades, plenajar e planificar, e a direita liberal encara o Estado com desconfiança, como um empecilho ao desenvolvimento verdadeiro e uma ameaça à liberdade. Nenhum partido brasileiro hoje se encaixa no conceito de direita exposto por você ou exposto por mim. O DEM poderia partir para ser um partido liberal-conservador moderno, mas inventou que vai tentar sobreviver focando na "nova classe média emergente", seja lá o que quer que isso signifique. Abraço

PRISCILA CARNEIRO em 22 de março de 2011

Para muitos o Kassab era o queridinho de José Serra forte aliado ao PSDB em SP ,mas sabemos que as divergências dentro do PSDB entre Serra e Geraldo não são de hoje,e claro Kssab ficaria nas próximas eleições no meio de campo,e as coisas estão ficando feia para o SPDB em SP depois do falecimento do ex governador Orestes Quércia um dos maiores aliados do PSDB em SP ,que agora com Michel Temer no comando as coisas mudam de lado aqui também,uma vez que o PSDB cada vez mais vai perdendo sua força e seu espaço ,tanto é que o governo de Geraldo mal começou e já está tendo sérios ´problemas na área da Segurança Pública,e logo logo demais áreas começarão a dar com possíveis greves do funcionalismo em falência a mais de 16a nos no referido estado e governo PSDB,e com certeza o prefeito Kassab de bobo não tem nada ,já percebeu que as coisas estão indo de mal a pior com seus companheiros e aliados ,padrinhos,e decidiu mudar a casaca.Mas que me deixou surpresa a deixou,será que SERRA IRÁ COM ELE?

Rosa Maria Pacini em 22 de março de 2011

Setti, quer a gente goste ou não, ele tem razão, afinal, sendo bem objetiva, que partido político não gostaria de "receber de bandeja" a prefeitura de São Paulo? Claro, que no fundo é disso que se trata. O PT não consegue se eleger em São Paulo, mas o Kassab acena, mesmo que sem palavras, com a possibilidade de "dar um jeito nisso", ao passar a integrar a base aliada. E, claro, ele tem razão ao afirmar que não há nenhuma base programática na formação do Partido Sem Decoro, apenas o desejo de um garoto mimado que um dia "ganhou de presente do titio Serra" a prefeitura de São paulo para ele brincar. E como todo garoto mimado, a ele quer mais: a cidade de São Paulo é pouco para ele. Agora ele quer o Estado inteiro!

Vera Scheidemann em 22 de março de 2011

Pois é, Ricardo, às vezes de onde a gente menos espera sai alguma coisa... rsrsrs Vera

Tuco em 22 de março de 2011

. Ricardo, dei meu pitaco no Sanatório do Grande Augusto Nunes - e tomo a liberdade de transcrevê-lo neste valoroso espaço: # Tuco - 22/03/2011 às 13:37 . Se formos avaliar o atual quadro político, onde a falta de decoro, a roubalheira, a canalhice, a traição, a mentira etc. etc. são a tônica, convém reconhecer que esse pulha teve um repente de luz. . Obrigado! .

Marcelo F em 22 de março de 2011

Setti, cuidado! Pelo sintoma apresentado é melhor procurar um médico. Concordar com um petista pode ser indício de problema grave! Basta avaliar a indignação do indigitado parlamentar: “Qual era a questão programática que diferencia o partido dele dos demais?” Quem pode identifcar uma questão programática (efetivamente aplicada, não o que está escrito, que partido não é jogo do bicho) que diferencie o PMDB do PT, ou do PSB, ou do PSDB, do PTB? Como é que um partido que se intitula socialista pode aplicar uma política econômica liberal-conservdora, como fez Lula e faz a Dilma? Ou a Social Democracia tucana que impõe decisões da cúpula para a base sem dó nem piedade? Partidos poíticos no Brasil podem ser qualquer coisa, menos programáticos. Isso é ruim? É. Mas isso não vai mudar da noite para o dia. Ou, então, que se obriguem os partidos a seguir o que consta de seus programas partidários. E aí Dna. Dilma vai ter de pedir a revisão da dívida externa, a desapropriação dos latifúndios, a estatização dos bancos, etc. Tô errado? Sds., de Marcelo F.

anonimo em 22 de março de 2011

Ah, nem vem. Heloisa Helena 'abriu' o PSOL e não me lembro de esândalos. Personalistas são todos eles, os políticos.

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