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A reunão do Copom desta semana, com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, à cabeceira da mesa: bons sinais de independência em ano eleitoral (Foto: Elza Fiúza / Agência Brasil)

É claro que é uma má notícia a elevação de meio ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, decretada na reunião do Conselho de Política Monetária do Banco Central (Copom) encerrada na quarta-feira.

Juros maiores significam crédito mais caro nos bancos e financeiras, e portanto menos procura por crédito, e por consequência menos atividade no comércio e na economia como um todo, e a decorrência disso acaba sendo, lá na frente, menor crescimento econômico e, na ponta da linha, menos oferta de emprego.

Mas, ao lado das medidas relativas ao câmbio e alguns elementos mais de um elenco reduzido, a administração da taxa básica de juros nos moldes em que funciona o Brasil é crucial no combate à inflação – esta, sim, praga que precisa ser evitada a todo custo, pois roi os salários, diminui o poder de compra da maioria da população, leva ao descontrole da economia e a uma desorganização generalizada da sociedade. É um câncer maldito, que foi controlado em 1994 e dá sinais inquietantes de recidiva.

Trata-se, portanto, de uma boa notícia no seio da notícia ruim o fato de o Copom não mostrar receio de atirar com fogo pesado. O “mercado” esperava uma elevação de 0,25 ponto percentual na Selic, e veio o dobro disso.

A maior desenvoltura do Banco Central e de seu presidente, Alexandre Tombini, são bons sinais da disposição de combater a doença pertinaz.

Boa notícia, talvez, acima dessa, seja constatar que o Banco Central e o Copom resistiram à tentação de não atravessar a barreira psicológica dos 10%, da mesma forma como não havia tido problemas – contrariando uma expectativa de boa parte dos especialistas – em voltar aos simbólicos e para muitos assustadores dois dígitos na última reunião do ano passado, a 27 de novembro.

Na mesma ocasião, decretou-se a sexta elevação consecutiva da taxa.

Como o governo da presidente Dilma e seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, vinham e vêm fazendo malabarismos para esconder a inflação debaixo do tapete – sacrificando a política de preços da Petrobras, por exemplo, ou interferindo à antiga nas empresas elétricas –, havia grande preocupação de que o olho gordo do lulopetismo na reeleição de Dilma levasse a pressões que o Banco Central não pudesse tolerar, já que juros altos não dão votos.

Assim sendo, a constatação de que o BC está se aplicando no combate à inflação ao que tudo indica sem levar em conta o calendário eleitoral e, portanto, com autonomia e visão técnica, é um fato muito positivo. É mais importante, até, do que a medida adotada em si.

Se a presidente, por sua vez, estiver contendo pressões sobre o BC, será, também, ponto para ela.

Ponto, porém, ainda a esclarecer.

 

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Meia Verdade em 06 de junho de 2014

Minha previsão estava certa. O impacto dos juros começam a aparecer....menos consumo

moacir 1 em 17 de janeiro de 2014

Setti, Teria sido a inflação de dezembro ,SIM,a deixar aí o Copom de cabelos em pé e a majorar - não em 0,25% como se esperava - mas em 0,5% a taxa Selic.Estão projetando uma inflação superior a 6% para antes das eleições e,em consequência, altas mais enérgicas nos juros. Só que aqui em Banânia essa receita de juro alto para se ter uma baixa e até benéfica inflação, não funciona,não.Senão vejamos: Em janeiro de 2013 a Selic estava em 7,25% e a inflação de 2012 foi de 5,84%.Em janeiro de 2014 a Selic está em 10,5% e a inflação de 2013 foi de 5,91%.Como é que pode? Como o BC ,o Copom,o IBGE,o BNDS,o Congresso Nacional,o Mantega estão todos dominados ,o jeito é a gente perguntar para a Dilmona o que está acontecendo,mesmo sabendo que ela não terminou aquele mestrado.E aí D.Dilma? Como o Lula está de férias e a MandatáriA indo para Davos - com uma comitiva quilométrica! - para tentar convencer os marvado capitalista investidor istrangeru que tudo anda muito bem obrigadA neztepaizzzzz,eu mesmo respondo: O PROBLEMA SÃO AS VARIÁVEIS! Todos as cadeiras decisórias dezte desgoverno - incluíndo os 39 Ministérios! - são ocupadas por afilhados políticos sem qualquer formação técnica para fazer as tarefas básicas da pasta.O prezado Congresso Nacional vive em Neverland quando não está fazendo implante de cabelo.Impera a incompetência na condução das obras públicas e inexiste uma coisa desimportante chamada planejamento.1 em cada 4 brasileiros mama nas tetas do Estado Babá.A Previdência é um caos.Cobrem-se os rombos com novas dívidas - trilhões de dívida que geram bilhões de juros.Exporta-se soja,frango,minério de ferro e importa-se tudo mais - até mesmo aço chinês fabricado lá com nosso minério! - e gasolina que a Graça compra mais cara aos gringos do que vende aqui.As regras do Jogo Investimento são alteradas no meio da partida.A contabilidade é criativa.A corrupção deitou e está rolando em todos os círculos dantescos do Governo.A política externa - e os não acordos comerciais ! - é movida pela ideologia bolivariana ´que mora no lado esquerdo do peito dos embriões de caudilho cumpanheiros.Não temos mercados para os produtos que a indústria não produzirá,pois não confia nessa aula doida de pedra sobre como não gerar crescimento.O Mantega chuta ,chuta e chuta...na trave.Toda essa zona aí se transforma numa carga tributária escandinava traduzida em serviços saarianos.O custo Brasil é uma piada e desconhecemos,pois,a competividade.Um trabalhador brasileiro tem 1/5 da produtividade de um trabalhador americano.Banânia,entre 65 países testados pelo PISA ,ficou coma 59a posição em EDUKASSÃO.As contas públicas estão vermelho sangue,mas vai se continuar gastando o diabo pois 2014 é ano de eleição. Realmente é muita lenha na fogueira do dragão.Eu não preciso ser Einstein ou ter pos-doc em Economia pela FGV,pra sacar que ISSO não tem a mais remota condição de dar certo! Não tem Selic que segure!Inflação? É só uma das consequências. Acho que o buraco é beeeem mais embaixo. Um bom final de semana! Abraço

Meia Verdade em 17 de janeiro de 2014

Quando há um aumento da taxa selic o impacto não e imediato...esses últimos aumentos irão impactar a economia justamente próximo a eleição. Acho que esse governo está apostando, suas últimas fichas, na copa do mundo. Elevação de juros e redução de consumo aliado ao desemprego, dois pontos que o PT vinha se "gabando" em seu governo. Difícil mesmo vai ser desatar esses nós em 2015...coitado de nos.

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