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A “banana” de Cristiano Ronaldo ao meio-campo Javi Martínez, do Athletic (que não aparece na foto): preço pode ser alto (Foto: reprodução TV La Sexta)

No politicamente corretíssimo futebol espanhol, no qual uma falta mais dura, daquelas que se cometem às dúzias numa partida no Brasil, faz o estádio se levantar escandalizado, manifestações mais entusiasmadas ou mais exaltadas custam caro.

A dança do lateral Daniel Alves e do meio-campo Thiago Alcântara, do Barcelona, ambos brasileiros, comemorando um gol na partida em que o melhor time do mundo goleou o Rayo Vallecano por 7 a 0 na quinta-feira, 29, pelo Campeonato Espanhol, custou uma reprimenda imediata do capitão do Barça, Puyol, a reação escandalizada da imprensa esportiva e até rumores de que “desvios de comportamento” de Alves — um dos melhores laterais do mundo — poderiam levar à venda de seu passe.

Os dois jogadores se desculparam depois pelo Twitter e o técnico Pep Guardiola fez o mesmo na entrevista que se seguiu à partida.

Imaginem, então, o que significou a “banana” que o atacante Cristiano Ronaldo dirigiu ao meio-campo Javi Martínez, do Athletic Bilbao, na partida em que o Real Madrid do craque português se sagrou campeão da Espanha ao derrotar o time basco por 3 a 0.

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O capitão do Barça, Puyol, interrompe a festa de Thiago Alcântara e Daniel Alves: depois, pedidos de desculpas dos dois brasileiros e do técnico (Foto: zimbio.com)

O comentário geral nas emissoras espanholas de TV após o jogo era que o gesto de Cristiano — obviamente, nada elegante — poderia custar-lhe pontos preciosos na disputa que trava com o supercraque Messi pela Bola de Ouro da FIFA como o melhor jogador da temporada.

Acredita-se que Cristiano, que está dois gols atrás dos 46 de Messi na tabela de artilheiros do campeonato e vem seguidamente sendo passado para trás pelo melhor jogador da atualidade na disputa pelo troféu da FIFA, possa ter chances este ano porque, além de ótimas atuações e grande poder de fogo, finalmente seu clube conseguiu passar o Barça e voltar a vencer um certame de que estava em jejum há três anos.

“Tonto, tonto”

O jogador português foi vaiado intensamente pelos torcedores do Athletic desde o começo da partida, quando perdeu um pênalti. O coro de “tonto, tonto” — pouca coisa para quem, como eu, ouvi muitas vezes milhares de vozes gritando “filho da p….” para Pelé — o perseguiu durante quase todo o jogo, durante o qual ele se estranhou e trocou gentilezas com Javi Martínez.

No final da partida, quando Cristiano sinalizava para a torcida hostil que era campeão espanhol e mostrava o escudo do Real, aparentemente o meio-campo basco recordou que ele, diferentemente do português, é campeão do mundo (pela seleção espanhola de 2010).

Seguiu-se a banana. No Brasil, é feio e pode merecer cartão amarelo ou vermelho. Na Espanha, é mais do que isso. E, tendo-se em conta o empenho da FIFA no fair play (dentro de campo), também.

A banana de Cristiano Ronaldo carreou pontos para seu rival Messi.

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6 Comentários

Cleverson Sigarini em 06 de maio de 2012

Estimados leitores; eu também gostaria de fazer uso deste espaço para apresentar minha idéia sobre este tema. É certo que a adrenalina é parte indispenssável deste esporte, e que um campo de futebol com torcida hostil é um osso duro de roer, mas eu creio e apoio os esforços da FIFA e da UEFA em incentivar o "fair play". O Cristiano Ronaldo, é um dos melhores jogadores do mundo, ganha uma fortuna por fazer seu trabalho (coisa que faz muito bem por sinal), e como consequencia disso é alvo de todos os olhos praticamente no mundo inteiro. É inegavel o fato de que uma pessoa que recebe tanto protagonismo como ele, passa a ser admirado e odiado praticamente na mesma proporçao. Essa situaçao se torna um problema quando os gestos, atitudes, excessos etc.. transcendem o campo do meramente esportivo, e começam a trazer concequencias no dia a dia do cidadao comum. O Real Madrid é o time da extrema direita espanhola, o time do finado ditador Francisco Franco. A ala sul estádio Santiago Bernabeu estra pragada de skin heads e radicais de maneira geral e etc... A Espanha é um país em crise com mais de 4 milhoes de desempregados. Um país que discute mais sobre futebol que da sua situaçao econômica. Um país socialmente fragmentado e em constante estado de tensao social (bascos, catalaes, galegos, castellanos, valencianos, andaluzes...), e o gesto do principal jogador do time da direita extremista espanhola, sim que transcende muito mais que os limites desportivos. O futebol europeu é o mais rentável e visto do mundo, e se a FIFA e a UEFA tentam impor limites aos gestos "deselegantes" de 22 milionários que estao na mira de meio mundo, nao vejo nada de mal nisso. No Brasil o futebol, (pelo menos sob o meu ponto de vista), é arte, abilidade e diverçao, na Europa isso nao é assim. Em espanhol há um dito popular que diz: "Él futbol no es una question de vida o muerte.... es mas importante que eso." É incrivel a influencia que pode ter na sociedade esse esporte. Hoje mesmo 06/05/2012, eu vi num bar um menino de uns 8 anos, mais ou menos, mostrar uma "banana" pra avó dizendo "Toma.... como Ronaldo". Um gesto como esse sim que escandaliza uma sociedade com um alto nível de educaçao que tem conciencia de que o menino mimado no campo de futebol que nao pode se controlar, ganha milhoes de euros por ano para fazer aquilo que ama, enquanto o cidadao comum tem que suar a camisa para ganhar o suficiente para viver. Que Cristiano pague essa "banana" a preço de ouro, melhor dizendo a preço de "Bola de Ouro". PS: Independente de tudo isso, Messi é muito melhor jogador, e muito mais completo que Cristiano Ronaldo. Obrigado.

Shiori Higurashi em 04 de maio de 2012

Meu Deus,nunca vi tamanha puxaçaõ de saco para o time Culé. Gente,isso é exagero demais, o lance foi simples.O proprio Martinez adimitiu ter ofendido a maãe do Cristiano Ronaldo.Por favor,leitores não se deixem manipular por sensacionalismo. Porque o que o ocorreu já foi resolvido entre o CR7 e Martiniez,ambos dizem deixar o fato no passado. Essa notícia nesse dite,me desculpem, é tremendamente favorecivel ao Messi ao Barcelona.Não é necessário DESMERECER um para favorecer outro.afinal,o que conta o FUTEBOL e profissionalisomo ou o lado PESSOAL. Eles disputam a BOLA DE OURO e não o PREMIO NOBEL DA PAZ.

Marco em 03 de maio de 2012

Dom Setti: Como gosto de jogador sanguíneo, vou discordar 2 vezes de ti, primeiro no futebol não existe lugar para pipoqueiro, os jogadores são estimulados a ter atitude. E a 2 sobre o Daniel Alves, ainda acho um anãozinho. Assisti só o 1 tempo do Coringão e gostei do q vi. Principalmente do Willian e do Scheik, jogadores q eu gosto, batalhadores. E não esqueça q eu avisei q o Cássio, vai ser o goleiro em 2014. Abs.

Caio Frascino Cassaro em 03 de maio de 2012

Prezado Setti: Só para terminar, veja na internet o segundo gol do Boca no jogo de ontem contra a Union Espanhola do Chile, pela Libertadores. Assista a comemoração do atacante "boquista". Segundo esses babacas, o cara certamente ofendeu alguém com sua postura altamente agressiva na comemoração. Quer saber? Acho que esse povo devia mais era ir jogar gamão, xadrez ou tômbola na quermesse do bairro... Um abraço

ari alves em 03 de maio de 2012

Sei que aqui não é local adequado, mas mais uma vez aproveito do espaço democrático do blog para defender a punição dos comuno-lulo-petistas que atropelaram a lei, a começar pelo falso heroi, o "delegado" Protógenes.

Caio Frascino Cassaro em 03 de maio de 2012

Prezado Setti: Acho essa história toda, com o perdão da palavra, uma tremenda babaquice. Qualquer um que tenha jogado futebol sabe da adrenalina que envolve uma partida. E, não raro, essa adrenalina se transforma em atitudes não muito louváveis. Uma "pegada" em um adversário mais folgado, uma troca de "elogios" entre contendores, enfim, tudo isso faz parte do universo futebolístico. Querer que a "boleirada" se comporte como um bando de golfistas é colocar uma focinheira em um leão, vira um troço meio castrador, na linha do "politicamente correto" que eu tanto abomino. Uma época, um dos gênios que administram o futebol, um idiota qualquer do "board" da FIFA, queria que, após o gol, a comemoração usual fosse abolida e só se permitisse um aperto de mão entre os companheiros. Acho que essa história tem muito a ver com isso. Querem transformar o futebol em algo meio insípido, meio reprimido. Ataque, defesa, adversário, campo inimigo, enfim todo esse vocabulário remete o futebol àquilo que realmente ele é: uma versão mitigada da guerra. Sim, o futebol é isso: uma batalha entre adversários que reúne habilidade, técnica, tática, estratégia, preparo físico e, muitas vezes, a sorte. E muita, muita emoção. Não é lugar para normalistas ou freiras. Quem pensar diferente, deve praticar ou assistir esportes como tênis, golfe, xadrez, volei ou qualquer outro em que não haja contato direto entre adversários, nem envolva algo tão complicado quanto a feitura de um gol. Sim, a felicidade suprema, o orgasmo, a catarse, a euforia, o clímax do gol, obra ao mesmo tempo individual e coletiva, momento supremo que coloca os homens no nível dos deuses. Quem já jogou bola e já fez um gol, sabe do que estou falando. E, para finalizar, nada mais gostoso do que, em um Palmeiras x Corinthians, na hora que o verdão faz um gol, gritar pela janela de casa "Chuuuuuuuuuupa, Curingão!!!!!!!!!!!!!". É bonito? Não. É educado? Nunca. Mas é gostoso demaaaais!!! Um abraço Grande Caio, não poderia concordar mais com você sobre os exageros politicamente corretos que cerceiam emoções no futebol. Sem elas, o futebol não seria o que é, uma metáfora da guerra -- felizmente sem seus efeitos. Abração

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