Amigos do blog, vocês certamente viram, na home page do site de VEJA, a queda nas bolsas e as demais encrencas na economia internacional que a crise da dívida pública na Grécia está causando.

Talvez se recordem, também, de post que publiquei recentemente mostrando que, além dos objetivos estratégicos fundamentais para a União Europeia, a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy tinham um um motivo menos transcendental e mais urgente para se preocupar, mobilizem seus governos e parlamentos e pressionar seus demais sócios europeus na questão do resgate financeiro da Grécia: dos 125,4 bilhões de euros (313,5 bilhões de reais) que a Grécia deve a bancos privados, os maiores credores são bancos franceses (56,9 bilhões de euros, ou 142.2 bilhões de reais) e alemães (23,7 bilhões de euros, ou 59,2 bilhões de reais).

Um inacreditável 4º lugar entre os mais expostos

O difícil é explicar o que acabo de descobrir: no rol da exposição dos bancos europeus à dívida grega – ou seja, das instituições que mais têm a receber o dinheiro muitíssimo incerto da Grécia –, os bancos de um pequeno país, em situação quase tão difícil quanto a grega, ocupam um inacreditável quarto lugar, depois de franceses, alemães e britânicos (este com 14,6 bilhões de euros em empréstimos, ou 36,5 bihões de reais).

Adivinharam?

Pois, amigos, trata-se de Portugal. Sim, Portugal. Com tradição de competência bancária, algo deve ter ocorrido aos bancos lusos para juntarem um crédito, superproblemático, de 10 bilhões de euros (25 bilhões de reais) com a esfrangalhada Grécia. Provavelmente a pressão por lucros e a atração que os juros mais altos pagos pelos gregos representavam.

Mais ricos se expuseram menos

O fato é que bancos de países muito mais ricos do que Portugal acumulam quantias muito menores, como os da Holanda, por exemplo (5,2 bilhões, ou 13 bilhões de reais), do país banqueiro por excelência, a Suíça (3 bilhões de euros, ou 7,5 bilhões de reais) ou da Bélgica (2 bilhões de euros, ou 5 bihões de reais).

Para não mencionar nações sólidas como a Suécia ou a Dinamarca, cujos bancos, espertamente, têm a haver apenas 100 milhões de euros (250 milhões de reais), respectivamente, das exauridas burras do Tesouro grego.

Não é por acaso, portanto, que em julho passado a agência americana de qualificação de riscos Moody’s rebaixou a classificação de quatro bancos portugueses que pouco antes haviam superado com sucesso as provas de solvência diante de cenários adversos impostas pelo Banco Central Europeu.

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Reynaldo-BH em 07 de outubro de 2011

Setti, como este é um post mais antigo, creio que ninguém o lerá. Mas hoje, 07/10/2011, a agência Moody´s rebaixou a nota de 6 dos 8 bancos portugueses que estavam em analise. Lá como cá, vão atacar o carteiro ao invés de lerem a carta! A Standard & Poors, Moodys, etc (e não os defendo NUNCA) não são causadores de desastres. Só tiram as fotos dos escombros. Quem investe na Grécia, paga o preço da especulação. Cassino é assim. Por vezes dá o vermelho22. Outras, o preto 7! Assumam o prejuízo! Abraços

Abílio Santos em 06 de outubro de 2011

Querido Petista arrependido, nós, no país irmão (como você nos chama) não ficamos bravos por nos chamarem burros. Preferimos factos e evidências. Relativamente ao tema do Ricardo, vc tem efetivamente alguma razão: não tenho duvida que houve alguns interesses escusos dos bancos que pensaram especular), combinado com algo que os relatórios já evidenciam mas a história acabará por demonstrar - parte destes problemas decorrem diretamente da política da UE (veja uma amostra no atual debate sobre o envolvimento dos privados no resgate à Grécia). Nunca esqueçam que a UE não possui governo federal pelo que há muitas políticas e decisões que são implementadas por influência ou pressão dos países mais poderosos. O balanço da adesão à UE de muitos dos países mais frágeis é claramente pouco benéfico do ponto de vista económico. Basicamente, os países mais fortes investiram seguro(através de transferência de fundos estruturais) e os menos fortes assumiram o risco. No meio de toda esta crise, o único conforto, é saber que a maior parte dos fluxos financeiros dos últimos anos estão investidos em infra-estruturas e serviços de utilidade (comunicações, rede de transportes, educação, saúde, etc). Quando saírem da crise, países como Portugal ou Espanha, podem concentrar todo o esforço de investimento no crescimento, e isso é uma enorme vantagem comparativa face aos BRIC, onde todo esse investimento está por fazer. Daí, aqui na Europa, as mensagens do Brasil, nesta fase soarem a... tolice e deslumbramento. Mas, provavelmente, como sou portugues nada disto faz sentido. É burrice. Abraço

Petista arrependido em 04 de outubro de 2011

Ricardo, Quando o brasileiro faz piada sobre o país irmão,eles ficam bravos. Ou eles são burros realmente ou tem interesses escusos nesse empréstimo.Vai saber!!!

Paulo Bento Bandarra em 04 de outubro de 2011

Financial Times diz que conselhos de Dilma para a crise são hipócritas . O jornal Financial Times afirmou nesta terça-feira que os conselhos do Brasil para a crise econômica soam hipócritas e irreais. Segundo um artigo publicado pelo jornal, os avisos da presidente Dilma Rousseff sobre o perigo de a União Europeia adotar impostos restritivos neste momento são contraditórios. O jornal cita o fato de o país estar na 152ª posição do ranking do Banco Mundial por ter carga pesada de impostos. . . O conselho de Dilma teria sido feito nesta última segunda-feira em sua primeira visita à Europa como presidente do Brasil. "No nosso caso, políticas fiscais restritivas extremas apenas aprofundaram o processo de estagnação e de perdas de oportunidades", teria dito a presidente em referência à crise da América Latina nos anos 80. "É difícil sair da crise sem aumentar o consumo e o crescimento". . . Segundo o veículo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, é um dos pioneiros nesta relação e sugeriu, no mês passado, um pacote "excêntrico" dos Brics para socorrer a zona do euro. O FT ressalta que Mantega falhou ao consultar os países do Brics, como a China que possui a maior parte das reservas estrangeiras do bloco. Segundo o jornal, até mesmo os outros países ficaram surpresos pela sugestão de o Brasil socorrer países como a Itália, que possuí riquezas em serviços e produtos per capita três vezes mais do que o próprio país. . . "Não há dúvidas de que o Brasil agora sente que tem o direito de distribuir tantos conselhos - apesar de tolos", finaliza o jornal.

Paulo Bento Bandarra em 03 de outubro de 2011

Pois é, Reynaldo-BH. Estes empréstimos foram feitos quando? Quem empregou mal o recurso solicitado? Os bancos ou o Governo Grego? Na verdade todo o dinheiro emprestado é de risco. Não existe empréstimo 100% garantido. Pode se usar as instituições de risco ou aval do FMI para diminuir os riscos, mas não existem garantias. O drama da Grécia é que não se salva nem dando o calote. O pior será o desemprego em Portugal do que na Grécia. A Grécia especulou e torrou os recursos solicitado.

alex de oliveira em 03 de outubro de 2011

ricardo desculpe usar este espaço mais tenho que falar e muita covardia, esse governo safado não pagou a premiação de metas ate hoje, mas faz propaganda, e o dinheiro é do governo federal...esta insuportavel ser da PMERJ...se eu pudesse pedia baixa....

Reynaldo-BH em 03 de outubro de 2011

A dita troika (FMI, BCE e CE) já está em Portugal desde setembro auditando os 8 maiores bancos do país, a saber: Caixa Geral de Depósitos (CGD), Banco Comercial Português (BCP), Santander Totta, Banco Espírito Santo (BES), Banco Português de Investimento (BPI), Montepio, Crédito Agrícola e Banif. Estão sendo analisados os 50 maiores empréstimos de cada um dos mesmos. Até porque parte substancial das primeiras tranches do empréstimo, foi destinada à banca. O valor da dívida grega aos bancos assusta. Pelo risco desmedido e - creio eu - pela certeza de socorro que sempre aconteceu. No governo do PS (José Sócrates) o socorro dado à banca incluiu a estatização do BPN, literalmente quebrado. O atual governo de Pedro Passos Coelho vendeu o mesmo por 40 milhões de Euros para o BIC. E foi bom negócio! A tradição da banca se mantém! Os dados mais assustadores são: a dependência da banca lusa ao BCE, aumentando em 12% frente a 2010, chegando aos 46 BILhÔES de Euros! depois, a dívida OFICIAL do Estado portugues junto aos mesmos bancos: 50 BILHÕES de Euros, sendo 26 BILHÕES em empresas mistas do Estado, com o Metro de Lisboa e Porto além da CP (Caminhos de Portugal), etc. Vive-se uma situação quase surreal. Se não se socorre a banca, Portugal quebra! Por outro lado, pedem-se sacrifícios à população e se dá atenção (aos olhos leigos e atentos) aos causadores (um dos...) do desastre: ou seja, os bancos. Isto acontece na Grécia (com 30.000 funcionários públicos demitidos, etc) e acaba por fazer uma cortina de fumaça para os desvios evidentes que estes welfare sates fakes trazem de décadas. A banca tem responsabilidade? Óbvio que sim! Este exemplo do "risco assumido" (vamos no popular, ESPECULAÇÃO!) da banca portuguesa com a dívida grega, prova isto. Se correr o bicho pega! Se ficar o bicho come! E de crise em crise, A Alemanha e França bancam a sobrevivência do Euro. Contra tudo e todos. E - lógico - a favor deles mesmos! Triste futuro para Portugal!

Paulo Bento Bandarra em 03 de outubro de 2011

Quem sabe Portugal também não tenha como reserva Títulos do Governo Grego?

José Augusto em 03 de outubro de 2011

Interessante a notícia... em questão monetária, vale seguir os suiços.

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