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Se o prefeito não vetar, pneu velho pode render passes de ônibus, e ainda vira asfalto macio

Amigos, não tenho o menor apreço pelo PT e pelo lulo-petismo, como qualquer leitor do blog, mesmo recente, já terá percebido.

Não tenho também o mínimo apreço pela atuação política da família Tatto, que controla segmentos do PT paulistano e tem integrantes em diferentes cargos.

Mas o vereador petista Arselino Tatto conseguiu aprovar, na Câmara Municipal de São Paulo, um projeto excelente, que pode ajudar a cidade a se livrar de um dos produtos industriais mais poluidores que existem: os pneus velhos. Uma prova a mais, se necessário fosse, que boas ideias não têm — ou não devem ter — ideologia. Segundo o projeto de Tatto, pessoas que possuam ou recolham pneus velhos e os entreguem à Prefeitura receberão, em troca, passes de ônibus.

Os pneus usados são uma batata quente no mundo todo. Há países ricos que pagam a países pobres para recebê-los. Há tantos espalhados pelo meio ambiente, em toda parte, que as obras do governo estadual paulista para desassorear a calha do rio Tietê em seu trajeto pela capital chegaram a recolher, em apenas um ano, 200 mil dessas carcaças.

O projeto de Tatto foi aprovado em primeiro turno de votação, e falta ainda o segundo. Se o prefeito Gilberto Kassab (PSD) não o vetar, como se espera, a Prefeitura se encarregará de armazenar e dar destinação final a esse terrível entulho. Felizmente, encontrou-se uma utilização para os pneus usados que não seja a fabricação de chinelos e outras atividades artesanais incapazes de dar conta da montanha de entulho que eles representam: moídos e misturados em determinada proporção ao asfalto, tornam ruas e estradas mais silenciosas e com maior capacidade de adesão, e ainda por cima desgastam menos os pneus novos que circulam sobre elas.

Asfalto misturado a pneu moído vem sendo utilizado pela Ecovias, concessionária responsável pelas ligações de São Paulo com o litoral Sul. No exterior, a tecnologia é cada vez disseminada. Barcelona, na Espanha, está aos poucos recapeando toda sua rede viária para diminuir o ruído.

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9 Comentários

Corinthians em 04 de agosto de 2011

Franco, Gostei disso é uma opção. Hoje acho que já existem fabricantes que recolhem os pneus velhos quando trocados - mas para carros de passeio só. Acho realmente que essa do passe de ônibus é meio impraticável - meu carro velho transportaria uns 5-6 pneus velhos (que eu não tenho aliás, tem 2 aqui em casa). Daria 6 passes de ônibus. Ir para a prefeitura, gastando tempo e gasolina, para ganhar 6 passes de ônibus não vale a pena.

Franco em 04 de agosto de 2011

A iniciativa tem méritos. Primeiramente porque a intenção é ótima, despoluir e evitar mais poluição. Em segundo lugar, porque utiliza um mecanismo de incentivo e não um de punição. Em terceiro, porque a destinação do pneu é de ordem prática, benéfica a muitos e de grande demanda. Mas a moeda de troca não é tão boa. As trocas de pneus são realizadas em sua maioria em lojas. Se pneus velhos fossem trocados por dinheiro ou algum tipo de crédito, os comerciante do ramo teriam grande interesse em recolhê-los, e poderiam repassar parte do benefício para os clientes na forma de desconto.

Jefff em 04 de agosto de 2011

Que chato ter se justificar toda vez que vai elogiar uma ideia de um petista. R7 sabe bem o tipo fanatismo anti-petista dos que frequentam o site da veja. Tem quase que pedir desculpa...lamentavel.

Markito-Pi em 04 de agosto de 2011

Permita-me assinar em baixo de todo teu texto.

JT em 04 de agosto de 2011

Se prestarmos atenção no termo "reciclagem", ele na prática dificilmente é adotado. Em tese, produto reciclável é aquele que pode ser manejado várias vezes. O ouro, por exemplo, ao se derretido pode ganhar outras formas e outros usos - foi assim que os espanhóis "reciclaram" as jóias usurpadas dos aztecas e maias. Agora, usar garrafas PET para fazer fios do tecido da camisa da selação brasileira (e fazer publicidade com isso...), não é bem uma reciclagem, pois a própria camisa, depois de velha e gasta, não terá outro uso. Trata-se na verdade de uma postergação do problema. Pneus e garrafas PET tinham que ser biodegradáveis! Se não dá para derreter, deixem a terra comer.

Diocleciano em 04 de agosto de 2011

Concordo com o Corintians, deveria se trocar os pneus por dinheiro e não por passe de ônibus. Exigir do cidadão que leve montanhas de pneus à prefeitura para ganhar "passes de ônibus" é chamá-lo de otário. O projeto Nota Fiscal paulista, implantado pelo governo tucano, é um bom exemplo a ser seguido: premia o cidadão com dinheiro se ele exigir a nota fiscal do estabelecimento em que efetuou compras.

Inácio em 03 de agosto de 2011

Setti, com certeza o vereador Arselino, se não era, após seus elogios vai se tornar leitor assíduo de seu blog. Quero então mandar um recado a ele. Arselino, tente criar um projeto de lei que torne obrigatorio a coleta de lixo reciclável pela prefeitura. Um dia da semana caminhões de lixo só recolheriam lixo reciclável, seria algo como o dia da "coleta verde". Criar multas pesadas para o cidadão que não colaborar com essa medida. Só com medidas duras as pessoas, em sua maioria, saem de sua letargia e passam a colaborar. Foi assim com a lei do cinto de segurança; só passaram a usá-lo para não correrem o risco de serem multados. Se conseguir emplacar esse projeto acho, Arselino, que vais ganhar muitos votos na proxima eleição.

Corinthians em 03 de agosto de 2011

Setti, Muito interessante - só acho que dar passe de ônibus não seria a melhor maneira de tratar o assunto. Deveria ser dado dinheiro para quem não quisesse o passe de ônibus (como eu por exemplo). Também deveriam ser realizados multirões periódicos para recolher estes pneus velhos. Por enquanto, do jeito que está descrito, isso não vai pra frente - ninguém vai se interessar em gastar duas conduções (ou gastar gasolina) para levar uns poucos pneus velhos para a prefeitura - afinal para levar uma quantia considerável é necessário ter um caminhão de grande capacidade.

Paulo Bento Bandarra em 03 de agosto de 2011

Na BR101 tem um trecho em teste com esta mistura. Chinelos e outras atividades artesanais na verdade apenas prolongam o uso e não solucionam em definitivo. Existe também a reciclagem em fabricação de tapetes para parques de diversão. Mas o reaproveitamento e reciclagem total ainda é um desafio, pois mesmo as pistas um dia terão que ser renovadas e o produto velho colocado em algum local!

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