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Ricardo Teixeira, 23 anos à frente da hoje CBF: a família comandando por 41 anos o futebol brasileiro; Havelange, que lá permaneceu 18 anos, depois entronizou o genro (Foto: Wilton Junior / AE)

Millôr Fernandes escreveu uma vez que se deve sempre ler a seção dos obituários dos jornais, porque “às vezes, temos surpresas agradabilíssimas”.

Pois aconselho a que se leia sempre que possível as informações da Agência Senado, porque ali, volta e meia, surgem boas notícias.

Vejam abaixo a notícia a que se refere o título — se é que a nefanda “bancada da bola” não vai acabar com as boas intenções do projeto, que evitaria barbaridades como João Havelange reinando por 18 anos à frente do futebol brasileiro e mais tarde colocando o próprio genro, na época um joão-ninguém, Ricardo Teixeira, que lá permaneceu por mais 23 anos. Quase meio século de nepotismo:

 

Da Agência Senado

Projeto que impede a reeleição ilimitada de dirigentes de federações e confederações esportivas e restringe a quatro anos a duração máxima de um mandato está em análise na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado (CE).

A proposta (PLS 253/12) do senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) também proíbe a nomeação de parentes para ocuparem cargos nas instituições. De acordo com o parlamentar, muitas das associações são comandadas por “verdadeiras dinastias” que se perpetuam por décadas no poder.

“A candidatura de parentes de ocupantes de postos diretivos é beneficiada pelo prestígio decorrente do parentesco. Para tanto, prevemos que as hipóteses de inegibilidade se apliquem aos cônjuges e parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do dirigente eleito para o mandato com exercício imediatamente anterior às eleições”, explica Cássio.

O projeto altera a chamada Lei Pelé (Lei nº 9.615, de 24 de março 1998) que estabelece hipóteses de inelegibilidade para cargos e funções eletivas ou de livre nomeação de dirigentes de entidades desportivas.

“A alternância no poder, além de procedimento de cunho democrático, pode prevenir a prática de abusos continuados, assegurando a igualdade entre os candidatos em disputa”, argumenta o senador no projeto.

Proposta similar

Outro projeto que propõe a limitação dos mandatos de presidentes de federações e confederações também está em análise na comissão: o PLS 328/10.

Conforme a proposta, de autoria do então senador Alfredo Cotait, “os clubes, federações, confederações e outras associações esportivas não poderão receber subvenções e quaisquer outras verbas do orçamento federal e de empresas sob controle estatal federal se os mandatos de seus presidentes e outros diretores excederem a duração de quatro anos, admitida a reeleição para período de idêntica duração em um único mandato subsequente”.

Se passar pela CE, o projeto, que tem como relator o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), será encaminhado à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), sendo que nesta em decisão terminativa [ou seja, não precisará passar pela votação de todos os senadores, salvo se houver requerimento neste sentido.].

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Nenhum comentário

jose catunda em 28 de julho de 2012

Que bom.Uma PLS melhor ainda,seria a de baixar os salários e mordomias do distintos Parlamentares.

carlos nascimento em 27 de julho de 2012

Ricardo, O Senado quer acabar com o nepotismo do esporte, hum.....e quando será que vai acabar com o seu próprio nepotismo.....hum..... ai é querer demais... fala ai ?

nei Brasil cada vez melhor... em 26 de julho de 2012

Eu espero o fim do Senado. Ele custa muito caro para para o cidadão, não vale a pena, o saldo não compensa. 3 Senadores no Acre, com 600 mil habitantes, a população da Ilha de S. Vicente????? Menos, menos....

Luiz Pereira em 26 de julho de 2012

Setti, Isso será muito salutar, caso haja viabilidade. Mas, como impedir isso, legalmente, na CBF, clubes, etc., que são entidades privadas? A CBF recebe subvenções? Os clubes? abs É a mesma coisa que me pergunto. Está todo mundo dependurado no INSS e em outros órgãos públicos, mas são entidades privadas. Recebem subvenções aqui e ali, disfarçadas -- como por meio de IPTU das Prefeituras e outras benesses --, mas, tecnicamente, são privadas. Vou tentar descobrir mais sobre a fundamentação do projeto e sua legalidade, caro Luiz. Muito boa sua observação. Obrigado por ela. Um abraço

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