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Assentamento israelense de Ofra, em território palestino ocupado: alto índice de fertilidade (Foto: Reuters)

Durante anos a sombra da “bomba demográfica” preocupou os dirigentes de Israel, atualmente perto dos 8 milhões de habitantes.

Tendo 1,6 milhão de árabes israelenses dentro de seu próprio território e ainda controlando desde 1967 parte considerável da Cisjordânia, o país acabaria tendo, num dia não muito distante, uma população árabe maior do que a judaica, devido ao alto índice de natalidade entre os palestinos, comparado aos israelenses.

Pois bem, a “bomba demográfica” virou miragem, segundo dados divulgados pelo Bureau Central de Estatísticas de Israel sobre a composição da população em Israel e na Cisjordânia.

Por fatores ainda não devidamente explicados, e talvez ligados, conscientemente ou não, ao constante temor de ver o país varrido do mapa por regimes muçulmanos radicais, o índice de natalidade dos israelenses subiu gradativamente ano a ano até atingir a atual e alta média de 3 filhos por casal, praticamente idêntico ao dos palestinos da Cisjordânia – 3,1 filhos por casal.

Entre os judeus ultra-ortodoxos, o índice é espantoso: 6,5 filhos por casal.

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Maaleh Adumin, “colônia” de judeus ultra-ortodoxos próxima a Jerusalém: índice de fertilidade muito superior à média da África (Foto: AP)

Os dados sobre os israelenses que vivem nas chamadas “colônias” judaicas na Cisjordânia – assentamentos em grande parte ilegais, que violam os tratados assinados entre Israel e os palestinos e são condenados pela ONU – são tão altos que invertem a “bomba demográfica”.

Hoje mais de meio milhão de israelenses povoam mais de centena e meia de assentamentos, alguns deles verdadeiras cidades de até 40 mil habitantes, guarnecidas por forças militares israelenses – e, nessas “colônias”, o índice de fertilidade chega a 5,1 filhos por casal em média, subindo para 7,7 filhos entre os ultra-ortodoxos que vivem em território palestino.

Só para comparar: na atrasada e pobre África o índice chega perto de 5 filhos por mulher.

Esse novo quadro não significa apenas uma mudança nas projeções que se faziam sobre a população do Estado de Israel, mas um obstáculo cada vez mais intransponível — e injusto — à criação de um Estado pelestino minimamente viável.

Pois esse pouco mais de meio milhão de judeus na Cisjordânia, além de já representarem uma enorme população diante dos 2,34 milhões de palestinos, estão espalhados em assentamentos que, de propósito — e de forma ilegal –, impedem que um eventual Estado palestino no futuro tenha a indispensável continuidade territorial no seu principal naco de terra (uma vez que a Faixa de Gaza, outra parcela de um futuro Estado, tem 40 quilômetros de território de Israel a separá-la do ponto mais próximo da Cisjordânia).

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Luciana em 06 de julho de 2014

Excelente texto. De fato, é praticamente impossível encontrarmos autores que revelem simples fatos que desagradam a muitos e geram grande repercussão como estes. O governo israelense patrocina a imigração de judeus da diáspora e a construção de novos assentamentos em velocidade ascendente, e nenhuma outra justificativa (como a segurança) explica o motivo de deslocar uma população para território ocupado em guerra. O que, aliás, é um descumprimento da Convenção de Genebra. Como os assentamentos ajudariam na segurança? Se você teme as ações de um povo inimigo, você se muda para onde ele reside? Por favor. Este texto não é parcial, ele é realista. A ocupação e colonização são fatos visíveis. Inclusive por meus próprios olhos. Grande abraço.

arilson sartorato em 23 de fevereiro de 2013

PARA MIM, NENHUM LADO É SANTO.

Corinthians em 23 de fevereiro de 2013

Setti, Claro que estamos falando de um conflito gigantesco. Concordo que estas taxas de natalidade são absurdas. Só que o que impede a criação de um estado palestino viável é pura e simplesmente o descontrole deste com seus radicais e terroristas, que semanalmente praticam ataques à Israel - seja à partulhas, seja atirando mísseis à esmo, seja com seus homens/meninos bomba. Não consigo concordar com o fato de que a presençá de judeus, que a presença de israelenses no território seja um impedimento para a criação de um estado. O estado à ser criado tem de ser democrático, e desta maneira deve acolher todos os cidadãos de maneira igual, independentemente de sua origem ou religião. Se a palestina é incapaz de controlar seus radicais nem de acietar o adverso, então realmente não merece o status de estado. Olhando a história recente, podemos ver que todas as vezes que Israel cedeu, foi punida com ataques terroristas horrendos. Não faz muito tempo e Israel anunciou um plano de reduzir assentamentos, eliminou os assentamentos ilegais - com imagens dos ultra-ortodoxos resistindo - e relaxou a restrição em Jerusalém - e tivemos ataques terroristas, Hamas, segunda Intifada. Aliás o próprio fato de vermos Hamas de um lado e Fatah de outro já demonstra o quanto a palestina não tem controle sobre si mesmo. Depois que Israel começou seu plano, unilateral, de erguer um muro em suas fronteiras, atacar os líderes terroristas na palestina e a reforçar a política de assentamentos, o número de ataques reduziu muito. Claro, são judeus, ultra-ortodoxos, os "radicais" de Israel - mas quantos homens bomba de Israel vemos explodir nas feiras palestinas ? Quantos Israelenses vemos dando entrevistas falando que a palestina é uma chaga no oriente Médio e deve ser exterminada ? Infelizmente a palestina é o maior entrave para o estado palestino. Enquanto não controlar seus terroristas, enquanto não punir seus criminosos, não vai haver viabilidade da criação do estado - com ONU ou sem ONU. A partir do momento que a Palestina virar um estado e sua população atacar Israel, o resultado será uma guerra. Uma guerra entre estados. E só tem a perder a mesma população que apóia o Hamas, que esconde seus terroristas, que enterra as armas e que vive a dizer "morte à Israel". Os assentamentos são somente o bode expiatório da hora.

Jeremias-no-deserto em 22 de fevereiro de 2013

anderson pimentel damian - 22/02/2013 às 14:01 Eu também já estou mais do que cansado de ouvir e ler comentários aqui e em outros lugares de indivíduos dissimulando sua natureza antissemita com comentários contra o "sionismo". Essas pessoas ( que mal sabem o que significa o sionismo) não têm condições de pregar "valores morais" a ninguém.

anderson pimentel damian em 22 de fevereiro de 2013

até que enfim a revista veja deu atenção para o que acontece de verdade na CisjordÂnia. é um crime o qeu israel faz com os palestina nesta região . se apropriam do que não é seu, por direito. e fomentam campanhas de discriminação. um terrorismo sob moldes nazistas. por favor, bublique mais sobre esta realidade nefasta, ricardo setti. eu já estou cansado de ver tantos sionistas ******* **** ***** subvertendo valores morais em prol de seus interesse de grupo.

Esron Vieira em 21 de fevereiro de 2013

Achei interessante a sugestão abaixo que coloca como exemplo a Bélgica e a Suíça (guardando as devidas Proporções). Enquanto Israel e Árabes quiserem manter Estados teocráticos ou étnicos, o convívio entre as diferenças jamais existirá.

Paulo em 21 de fevereiro de 2013

"Esse novo quadro não significa apenas uma mudança nas projeções que se faziam sobre a população do Estado de Israel, mas um obstáculo cada vez mais intransponível — e injusto — à criação de um Estado pelestino minimamente viável". Todos nós sabemos que é injusto, mas a humanidade foi construída encima da injustiça, logo, resta saber de quem é a culpa neste caso específico. Certamente não é somente dos judeos, os palestinos estão pagando pela arrogância e falta de visão de seus lideres, agora já é tarde, o tempo não volta.

Esron Vieira em 21 de fevereiro de 2013

Caro Setti, na posição que vc ocupa é raro alguém com esta coragem de mostrar estes fatos mesmo sabendo que pode despertar a ira de cegos radicais. Sempre fui a favor de um estado de direito tanto para Israel como para Palestina. Minha mãe me criou dentro de uma seita com fundamentos judaicos, daí que recebi um nome hebreu. Ela é defensora ferrenha de Israel, porém eu já sou mais ponderado e vejo que em uma guerra, os dois lados se odeiam e acham que o oponente que é o criminoso. Com isso vem a fraqueza humana de exterminar o inimigo. Este caso citado em seu artigo, só mostra a realidade desta guerra. O lado mais forte em décadas ou séculos, conseguirá fazer a limpeza étnica no território mesmo sendo de maneira camuflada.

alan em 21 de fevereiro de 2013

Pode não ter sido essa a intenção mas o texto é nitidamente pró- palestino colocando o estado de Israel como o único vilão desse eterno conflito. Nós que vivemos longe daquele inferninho torcemos por uma paz definitiva mas sabemos que enquanto houver influencia dos aiatolás sobre os palestinos a guerra continuará.

Walter Déda em 21 de fevereiro de 2013

Com todo o respeito, dentro do espírito do Blog, cheguei a conclusão de que “parece que os palestinos jamais tiveram uma chance…” do único parágrafo no artigo em que o assunto é tratado: "Esse novo quadro não significa apenas uma mudança nas projeções que se faziam sobre a população do Estado de Israel, mas um obstáculo cada vez mais intransponível — e injusto — à criação de um Estado pelestino minimamente viável." Não estou a afirmar que houve a intenção, oblíqua, de não revelar o ocorrido durante a criação do Estado de Israel, mas como você bem disse a uma comentarista abaixo, o intuito da matéria é de informação, mas o parágrafo acima reproduzido, é, sim, uma opinião, que para aqueles que desconhecem a História da região, pode interpretar que desde o início houve por parte de Israel o objetivo de impedir a criação do estado palestino. Muito obrigado pela atenção, gentileza e espaço.

Jeremias-no-deserto em 20 de fevereiro de 2013

Certamente não são os assentamentos judeus na Cisjordânia o grande empecilho à paz na região.Mesmo porque esses assentamentos são efeito e não a causa do conflito. A causa verdadeira do clima de guerra entre israelenses e palestinos são o radicalismo islâmicos de grupos como o Hamas, o Hisbollah e a Irmandade Muçulmana,entre os principais, grupos que não admitem a convivência com infieis não muçulmanos.A população civil de cidades como Tel Aviv, Haifa e outras mais ao Sul de Israel são bombardeadas diariamente com foguetes lançados pelo Hamas, fato tão corriqueiro que a imprensa mundial já não se preocupa em divulgá-los.Uma das primeiras cláusulas pétreas da constituição do Hamas, por exemplo, prega textualmente a extinção do estado de Israel e declara que jamais fará qualquer tipo de acordo com aquele país. Esses grupos recebem armamentos de países como o Iran e a Síria ( duas ditaduras, por sinal)os quais não pretendem solucionar o problema palestino.A agenda desses e de outros países islâmicos é a "satanização" do Estado de Israel, pois a ideía de um incômodo enclave secular ocidental não islâmico no Oriente Médio para eles é totalmente insuportável.A ONU foi totalmente transformada em uma agência que apenas repercute os anseios bélicos desse radicalismo e a imprensa mundial ( hoje quase toda dominada por grupos árabes)colabora com o mito propagado de uma nação dominadora e imperialista.Nada mais ridículo e inverosímel que essa ideia, quando olhamos o pequenino estado de Israel, do tamanho dos estados de Alagoas e Sergipe juntos, cercado por 300 milhões de árabes querendo a sua destruição. Não havia assentamos em 2000, quando o primeiro ministro israelense Ehud Barak ofereceu a Yasser Arafat praticamente a volta aos status territorial de 1967 e Arafat simplesmente recusou a proposta, exigindo em contrapartida o retorno de todos os refugiados "palestinos" e seus descendentes ao Estado de Israel.É preciso refletir sobre a questão e não imputar exclusivamente a israel a responsabilidade de paz na região.

moacir em 20 de fevereiro de 2013

Prezado Setti, Assino embaixo tanto do texto como dos comentários aos comentários. Eu também lá estive e como você tenho amigos de ambos os lados.E quando os lados ,pra gente,passam a ter rostos humanos,passam a ter vozes amigas,passam a ser pessoas decentes,com quem nós já dividimos uma refeição ,já bebemos uns copos,já demos risadas ,já conversamos sobre tudo e dividimos a vida, a coisa muda,torna-se pessoal,problema nosso. Não se pode ,então e nunca mais,tolerar as generalizações preconceituosas.A razão e a verdade não é monopólio de qualquer um dos lados.Há erros e acertos de ambas as partes que precisam ser superados. Da mesma forma que defendo o direito que tem Israel de viver na paz e na segurança que persegue obstinadamente há tanto tempo,causa-me espanto que o povo judeu que perambulou por tantas estradas e foi sem teto por séculos,sempre de um lado para outro, perseguido,injuriado,amontoado em guetos,expulso,covertido na marra e punido a cada passo e quase dizimado,não compreenda que o povo palestino também tem direito a ter seu endereço. Preocupa-me, de maneira profunda, essa incapacidade de diálogo. Abraço

Leonardo em 20 de fevereiro de 2013

Para mim, esse conflito jamais terá fim enquanto palestinos árabes e israelenses judeus forem radicais e extremistas uns com os outros. Há casos de países de pequena extensão territorial que abrigam povos de línguas e culturas tão diferentes entre si como Suíça e Bélgica, sendo o caso de Israel copiar estes exemplos bem-sucedidos de Federação ao invés de que cada lado simplesmente queira eliminar o outro lado rival do mapa.

André em 20 de fevereiro de 2013

Como disse o Ronaldo, Deixar de ser massa de manobra para os que amam odiar, Implicito os extremistas islamicos.... Já não é preciso dizer mais nada....

patricia m. em 20 de fevereiro de 2013

*a matanca de inocentes usando os foguetes atirados de Gaza.

patricia m. em 20 de fevereiro de 2013

Nao eh verdade. A ideia do texto eh ser pro-palestino e anti-Israel. Eh dessa forma que encaro o texto. Voce pode ser contra os assentamentos etc e tal - assim como eu sou contra os grupos terroristas palestinos, os homens-bomba e a matanca de inocentes - mas acho que colocar dessa forma, dando a entender de forma nebulosa que o Estado de Israel *incentiva* a reproducao em massa de forma a diluir os arabes, nao eh apenas informacao. Eh opiniao. . De mais a mais, foi um desses muculmanos extremistas que disse que eles conquistariam a Europa novamente usando o ventre de suas mulheres. Hmmmmm.... Espero que os europeus brancos se toquem e comecem a se reproduzir logo logo. A ideia esta dando certo em Israel, hehehe. Você rotula as pessoas com muita facilidade e com enorme irresponsabilidade. É maluquice, pura e simples, imaginar que meu texto insinue que o governo incentiva isso ou aquilo em matéria de natalidade. Se bem que -- não mencionei no texto -- existem incentivos materiais para famílias numerosas, ao que se acrescenta a convicção dos moradores dos assentamentos de que ter grande número de filhos é uma espécie de dever patriótico. Você fala aí dos EUA com todo o sossego e um bilhão por cento de pré-julgamento. Eu já estive lá. Tenho parentes em Israel. Tenho amigos israelenses e palestinos. Sou inteiramente a favor da existência segura do Estado de Israel, e inteiramente a favor de um Estado palestino. Não houvesse Rabin sido assassinado, hoje haveria ambos, e a paz com a Síria. E modere sua linguagem, recorrendo a sua eventual boa educação recebida, quando se dirigir a um jornalista sério como eu.

Walter Déda em 20 de fevereiro de 2013

Não discuto a ilegalidade dos assentamentos, muito menos sou a favor do "dente por dente, olho por olho", mas da maneira que está exposto parece que os palestinos jamais tiveram uma chance de ter seu próprio Estado. A proposição da ONU, em 1947, para criação dos Estados de Israel e da Palestina foi solenemente rejeitada pelo palestinos(árabes), que acreditavam poder varrer Israel do mapa logo assim que fosse criado. A História está aí mesmo para comprovar tamanha soberba e presunção. Não considero injusto o desejo, de agora, da criação do Estado, mas está na hora dos palestinos começarem a assumir o erro praticado, de tamanho proporcional a área então oferecida. Não sei de onde você tirou a conclusão de que "parece que os palestinos jamais tiveram uma chance..." etc.

patricia m. em 20 de fevereiro de 2013

Qual eh a ideia do texto, baixar uma lei proibindo os israelenses judeus de se reproduzir, ou colocando uma cota de filhos a la China? Eles sao livres para produzirem quantos filhos quiserem, ou nao sao? A ideia do texto é fornecer uma coisa chamada in-for-ma-ção. Já ouviu falar?

Ronaldo em 20 de fevereiro de 2013

A solução caminha para a de dois povos no estado de Israel construindo um dos países mais desenvolvidos do mundo: Israel. Os palestinos precisam acordar para isso imediatamente para assim ter um futuro em paz e com desenvolvimento. Deixar de ser massa de manobra para aqueles que amam odiar.

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