Participei de edição do “Roda Viva”, da TV Cultura, exibida em 6 de fevereiro de 1995, quando eu dirigia a Playboy. Heródoto Barbeiro comandou a bancada formada também por Pedro Cafardo (O Estado de S. Paulo), Marco Damiani (Istoé), Marcelo Parada (Rádio Nova Eldorado AM), Josemar Gimenez (O Globo), Leão Serva (Jornal da Tarde), Dora Kramer (Jornal do Brasil) e José Roberto Toledo (Folha de S. Paulo).

Perguntei a Bresser Pereira sobre José Sarney, alvo de suas críticas à época de sua saída do governo, e que no momento da entrevista ocupava a Presidência da Câmara dos Deputados. Ele começou a resposta enumerando três “papéis muito positivos” de Sarney quando presidente: “ele fez o acordo com a Argentina, que mudou as relações econômicas internacionais do Brasil e deu a base para o Mercosul. E ele teve um papel importante na consolidação da democracia no Brasil – o que não estava fácil naquela época -, dando apoio à Constituinte. E ele brigou muito com o caráter populista da Constituinte”.

A seguir, o ministro listou os defeitos do ex-chefe. “Ele não conseguiu enfrentar o problema da inflação”, apontou. “O clima era muito populista. Eu, quando assumi o Ministério, falei que queria fazer o ajuste fiscal. Na semana seguinte, havia um movimento violento dentro do meu partido [ PMDB] para me expulsar, porque eu era amigo do FMI. Era um clima totalmente diferente do que o de hoje. O Brasil avançou brutalmente nestes sete anos”.

Em outra passagem do programa, o entrevistado falou sobre as mamatas na aposentadoria de funcionários púbicos, citando como exemplo a existência de mais de 300 coronéis como reservistas assalariados da Polícia Militar, quando apenas 22 se encontravam na ativa. Também mencionou professores que se aposentavam integralmente com 43 anos e mandou: “a Constituição de 1988 fez uma barbaridade: tornar 400 mil funcionários que eram celetistas [regidos pela CLT], por ordem e graça do Espírito Santo, funcionários estáveis e com direito a aposentadoria integral, além de poderem tirar seu fundo de garantia por tempo de serviço. Isso foi uma violência contra o contribuinte”.

Bresser Pereira também abordou o episódio em que aceitou, a contragosto segundo setores da imprensa, cargo no governo de FHC. “Eu disse a ele que minha preferência era [o Ministério] de Relações Exteriores, mas que minha segunda preferência era ser ministro da Administração Federal, porque achava que esta função era extremamente importante”, desconversou, garantindo que não enxergava motivos para que o Itamarty o vetasse no cargo diplomático.

(Assista à íntegra do programa aqui)

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