Candidato à Presidência em 1989 — por um triz não chegou à frente de Lula para a disputa do 2º turno com Collor –, o ex-governador Leonel Brizola (PDT) apregoava que, no Planalto, “tomaria providências” contra o que considerava excesso de poder da Globo.

Neste trecho do Roda Viva, da TV Cultura, que o entrevistou como candidato, pergunto a Brizola como, exatamente, ele faria isso. E que lei, precisamente, a Globo estaria violando.

O ex-governador fez o que mais sabia: dar voltas diante da pergunta, estender-se na resposta e… não dizer nada, objetivamente. Afirmou que a Globo detinha um “poder anômalo” no Brasil, um “poder completamente fora de qualquer consideração” (sic), que considerou “uma coisa excêntrica numa ordem democrática”.

Indagou se a Globo era uma empresa concessionária de um serviço público ou um partido político.

Diante da minha pergunta, dirigida a ele como sempre procuro fazer de forma cavalheiresca, sobre que lei ou leis a Globo violava, Brizola partiu para a generalização: “vou atuar em nome dos princípios gerais da Constituição e dos princípios gerais do regime democrático”. Dramatizando a resposta, o ex-governador sustentou que “essa situação [o poder da Globo] torna o país praticamente ingovernável”.

O programa foi ao ar no dia 9 de agosto de 1989, como parte da série de entrevistas com presidenciáveis. Teve como apresentador o jornalista Jorge Escosteguy (1946-1996), querido amigo morto prematuramente. Participaram da entrevista os jornalistas Fernando Mitre (TV Bandeirantes), Jorge Caldeira (Istoé/Senhor), Aloysio Biondi (Diário de Comércio e Indústria), Rodolfo Konder (TV Cultura), Alex Solnik (Folha da Tarde) e eu.

Também perguntei ao ex-governador sobre suas críticas e desconfianças em relação aos institutos de pesquisas de intenção de voto e aos veículos que publicavam seu resultado, indagando se havia, de fato, uma conspiração de milhares de pessoas contra ele — de jornalistas a pesquisadores de campo, de jornais, revista e emissoras de TV a pesquisadores de campo.

Vale a pena conferir a resposta.

(Assista à íntegra do programa aqui)

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