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Cabo San Roque (a partir da esquerda): Roger Aixut, Josep Seguí e Laia Torrents (Foto: El País)

Por Daniel Setti

Caso confirme as datas de uma turnê pelo Brasil ainda em fase de negociação, o trio catalão Cabo San Roque precisará resolver um problemão: como transportar a terras tupiniquins, desde seu galpão no bairro do Poble Sec, em Barcelona, as toneladas de parafernália que utiliza ao vivo.

Afinal, em se tratando de um grupo que já levou ao palco um conjunto de máquinas de uma fábrica de bolachas desativada, todo cuidado logístico é pouco.

Atualizadores de uma tradição de músicos que inventam e constroem seus próprios instrumentos – eclético leque que abrange desde os alemães do Einstürzende Neubauten aos brasileiros do Uakti -, Josep Seguí, Laia Torrentse  Roger Aixut, os integrantes fixos do Cabo San Roque (ampliado para um quarteto ocasionalmente com a adesão do baixista Oriol Luna), se juntaram em 2001 e hoje acumulam cinco discos lançados e 35 instrumentos de “fabricação caseira”.

Como diferencial em relação a outros cientistas malucos da música, os catalães apostam na transformação de qualquer componente elétrico e mecânico em novas fontes sonoras. Vale tudo: de um velho autorama cujos carros – munidos de palhetas de guitarra – ativam um pequeno violino (o “Scalextric”), a um violão tocado com a ajuda de um freio de bicicleta.

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Uma das criações do grupo: tirando som de máquina de lavar (Foto: Cabo San Roque)

Parte das geringonças é ativada manualmente pelos músicos, enquanto algumas são programadas por computador como robôs – algo parecido ao que andou fazendo o guitarrista de jazz Pat Metheny recentemente -, e a boa notícia é que o resultado costuma ser de alto nível musical.

Fábrica adaptada a laboratório musical

Um dos pontos altos da trajetória do Cabo San Roque foi justamente o projeto que envolveu a reutilização de máquinas de uma fábrica fechada no ano anterior.

O espetáculo em questão, exibido a partir de 2009 na Espanha, se chamava Torn de Nit (“Turno de Noite”, em catalão) e prestava homenagem conceitual aos trabalhadores noturnos. Para criar tal clima, empregou-se em cena praticamente todo o arsenal, juntamente com vídeos da atividade industrial, depoimentos de ex-empregados da fábrica e os músicos vestidos à caráter, como operários. Assistam a resumo de Torn de Nit:

Neste outro vídeo, os instrumentistas saem de cena e a engenhoca sonora toca sozinha:

Para mais vídeos, fotos, informações e detalhes sobre cada um dos instrumentos desenvolvidos pelo Cabo San Roque, clique no site oficial da banda.

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1 comentário

Reynaldo-BH em 14 de abril de 2012

Genial, Daniel! Nove minutos de pura criatividade (Torn de Nit). Não conhecia e terei o que "pesquisar" no fim de semana. Boa lembrança a dos nossos mineiros do Uakti. Continuam inovadores e cada vez mais, musicais. Abraços. O Uakti eu apresentei a meu pai já há muitos anos, eles são realmente ótimos. Fico feliz por você ter gostado. Um grande abraço Daniel

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