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Nicolas Sarkozy e François Hollande: nem um só tema fútil ou irrelevante em discussão

Da campanha brasileira de 2010, todos nos recordamos. Foi uma sucessão de trocas de acusações que incluíam se o tucano José Serra foi ou não atingido por um objeto capaz de feri-lo durante caminhada no Rio, se a petista Dilma Rousseff mantinha ou retirava declarações anteriores sobre o aborto, quem rezava mais que o outro, quem era mais amigo de infância do eleitorado evangélico — e por aí vai.

Os reais problemas dos brasileiros passaram longe dos debates, fraquíssimos, entre os candidatos.

Fazendo uma rápida comparação com o que tenho visto na França, vejam os temas em discussão:

# Que mecanismos e medidas adotar para reduzir a dívida pública francesa, que chega a 89% de seu Produto Nacional Bruto de 2,2 trilhões de dòlares.

# O que fazer com o parque nuclear francês, responsável por 75% da energia elètrica produzida no país.

# Que caminhos adotar para reconstruir o ensino médio francês, outrora admirável por sua eficiência mas hoje em crise.

# Quanto investir e que decisões adotar para que a França — país que exporta aviões, automóveis, material bélico, satélites e outros produtos de alta tecnologia — não fique para trás no campo da pesquisa e do desenvolvimento.

# Até que ponto deve a França avançar no caminho da integração da Europa? Propugnar por um governo econômico europeu mais poderoso? E quanto â integração no setor de defesa? Se for pelo caminho de uma real integração, qual seria o papel da force de frappe — a capacidade de dissuasão nuclear com seus próprios mísseis e bombas, de que a França tanto se orgulha?

# O papel do Estado francês, tradicionalmente grande e pesado, e da iniciativa privada na criação de empregos.

# A França e sua postura diante da “primavera árabe”.

Os temas não se esgotam aí.

Mas creio que deu para perceber o grau de diferença entre o debate político lá e “neste país”, não?

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Vicente Lino em 29 de março de 2012

Imposssivel esperar melhores debates. No momento assistimos as manobras para substituição de Sarney por Lobão ou Renan Calheiros.Esperar o que de nulidades como os três acima, mais Colllor, Barbalho, os 40 mensaleiros, Ideli Salvat etc.etc.etc.

Odivaltencir Peixoto em 28 de março de 2012

Verdade mesmo. Para ver como esta' o nivel do debate eleitoral no Brasil, da' uma olhada nos videos da Weslian Roriz ! Um show de incompetencia e oportunismo. Uma vergonha para todos nos.

Varlice em 28 de março de 2012

Infelizmente, é forçoso admitir, cada país (leia-se povo) tem o governo que merece, escolhido à sua imagem e semelhança. É só dar uma rápida olhada no canal francês (de televisão paga) para ver que tipo de programação é apresentada. São debates e entrevistas com auditório participativo. O mesmo acontece com a televisão italiana. Não é preciso dizer mais.

alberto santo andre em 27 de março de 2012

OS POLITICOS, SAO UM ESPELHO DA POPULACAO DE UM PAIS ,A INTELECTUALIDADE E INTELIGENCIA DO POVO ,SAO PROJETADOS EM SEUS POLITICOS ,SENDO ASSIM, O QUE TEMOS NO BRASIL NADA MAIS E QUE A PROJECAO DA MEDIOCRIDADE DE UM POVO ALIENADO E QUE ADIMIRA QUEM ROUBA MAIS ,DESDE QUE SE DIGA POBRE E TRABALHADOR, EMBORA A HISTORIA ,ESTA DESCONHECIDA DA GRANDE MAIORIA DOS BRASILEIROS ,SEJAM MACULADAS PELAS ESTORIAS E PROPAGANDAS INSTITUCIONAIS DE UM BANDO DE LADROES ASSENTADOS NO PODER .

Nara em 27 de março de 2012

Lamentável e vergonhoso.

Jam em 27 de março de 2012

Sem dúvida o discurso é outro! Gostaria de ter ouvido tudo isso aqui no Brasil..Faz Falta! Mas não acho irrelevante um politico ser questionado sobre o sua posição em relação ao aborto! Os grandes temas que inclui a ética universal,a moral e as coisas do "espirito" são os que realmente inspiram uma sociedade, onde os eleitores podem se identificar com uma causa, um tema e quem sabe participar mais da vida cívica..tão desacreditada por todos nós! Os grandes temas, incluindo os espinhosos, deveriam ser discutidos sem medo. Não acho que isso desqualifica um debate. Quanto mais transparente as posições politicas, economicas e éticas(morais,espirituais) de um politico melhor a sua qualificação.. Já a bolinha de papel..isso sim é papelão! Um abraço grande Setti

Gilberto em 27 de março de 2012

Depois de oito anos de Lula (o descobridor do "Brasil maravilha"), e da eleição de Dilma (a gerentona do PAC empacado), fica claro o tipo de governante que o povão quer. Os mal informados (incluindo a multidão de semianalfabetos) e os mal intencionados estão satisfeitos. Fazer o quê??? Só a educação de qualidade pra mudar este triste rumo.

SergioD em 27 de março de 2012

Ricardo, acompanho você num choro compungido. Meus sentimentos.

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