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A presidente Dilma com Patriota: punição terrível, que inclui ter que mudar de Brasília para Nova York (Foto: Dida Sampaio / AE)

É o Itamaraty…

Enquanto se discute como fritar e destruir a carreira do encarregado de negócios do Brasil na Bolívia, Eduardo Saboia que, dizendo-se movido por considerações humanitárias e de direitos humanos, trouxe para o Brasil, sem salvo-conduto do governo de Evo Morales, o senador boliviano Roger Molina, há 445 dias encerrado num cubículo na embaixada brasileira em La Paz, o governo já decidiu a punição terrível, insuportável que vai recair sobre o já ex-chanceler Antônio Patriota.

Ele será obrigado — queira ou não queira, é a carreira quem manda — a mudar-se de Brasília e a instalar-se na espetacular residência oficial do chefe da legação brasileira junto às Nações Unidas, em Nova York.

Esse insuportável exílio, do qual Patriota poderá fugir sempre que quiser vir ao Brasil, é a pena imposta ao chanceler por haver empurrado com a barriga durante um ano, dois meses e 20 dias a situação de Molina, a quem concedeu asilo político no Brasil mas cujo posterior salvo-conduto não conseguiu extrair do governo do companheiro Evo Morales.

O governo boliviano alega que Molina cometeu crimes e irregularidades. Há até uma condenação contra ele.

Do ponto de vista do Brasil, a menos que o mundo haja definitivamente virado de cabeça para baixo, o fato concreto é que o senador recebeu asilo político no país e foi abrigado (em péssimas condições, é verdade) na embaixada brasileira na capital da Bolívia. O próprio Patriota disse, ao informar sobre a concessão do asilo, que o Brasil iria “garantir” a vida e a incolumidade física do senador.

Molina é criminoso? É ladrão? É indesejável?

Se o governo visse a coisa desta forma e tivesse se arrependido da concessão de asilo – decisão que desagradara profundamente o companheiro Morales, amigão do lulalato –, então que assumisse o vexame diplomático e, como disse o próprio Saboia em entrevista ao jornal O Estado de SPaulo, cancelasse o asilo. E entregasse Molina a seus algozes — coisa que nem Pinochet, o falecido ditador assassino do Chile, chegou a fazer.

Além de meter os pés pelas mãos no caso — já que não resolveu nem para lá, nem para cá, muito pelo contrário –, Patriota mostrou ignorar solenemente o que se passava em seu território, enquanto o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, que já visitara a embaixada mais de uma vez, armava o esquema para trazer o senador “na marra” para o Brasil.

Por todas essas falhas é que o ex-chanceler recebeu essa punição horrorosa.

Ah, me esqueci: vai ganhar bem mais do que ganha — e em dólares.

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