Censo revela que Estados cujas populações mais cresceram foram os mais “vazios” — os do Norte

Cada mergulho nos resultados do Censo de 2010 traz uma revelação, tal a riqueza do trabalho realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Entre os dezenas de milhares de resultados interessantes, chamo hoje a atenção para um: graças à abertura de novas fronteiras agrícolas e, em muitos casos, também minerais, dos cinco maiores índices de crescimento populacional ocorrido na última década nas unidades da Federação, quatro ocorreram justamente nos Estados mais “vazios” de população, todos situados na Região Norte.

Ou seja, independentemente de impactos ambientais, da qualidade de vida e da oferta de serviços públicos na região, ocorreu uma importante ocupação de território por parte dos próprios brasileiros.

A exceção, entre as cinco unidades da Federação, é o Distrito Federal, cuja população engordou 25%, atingindo marca próxima de 2,6 milhões de habitantes.

A população do Amapá cresceu impressionantes 40%

O campeão de crescimento nos últimos 10 anos, entre os Estados “vazios”, foi o Amapá, com impressionantes 40%, levando sua atual população à casa dos 668 mil habitantes – ainda assim muito pouca gente para uma área de 142 mil km2, quando se compara com um Estado como o Ceará que, com seus 148 mil km2, abriga 8,4 milhões de brasileiros.

Segue-se, em segundo lugar, Roraima, outro ex-território transformado em Estado pela Constituição de 1988, com salto percentual quase idêntico ao do Amapá: 39%, que fez sua população atingir 451 mil habitantes. Como no caso do Amapá, contingente ainda pequeno para seus 224 mil km2. Como comparação, tome-se o Piauí, com área não muito maior (251 mil km2), e uma população de 3,1 milhões.

O terceiro Estado que mais cresceu foi o Acre: vigorosos 31%, resultando numa população de 732 mil habitantes, superior à dos outros dois Estados semi-“vazios”, mas igualmente pouco significativa para a área: 152 mil km2, quase do tamanho do já citado Ceará, com seus 8,4 milhões de habitantes.

Finalmente, vem o Amazonas que, com os atuais 3,5 milhões de habitantes, aumentou em 24% sua população em dez anos. 3,5 milhões é população para ninguém botar defeito em lugar algum do mundo, não fosse o tamanho descomunal do Estado: 1,57 milhão de km2, um pouco maior do que a Colômbia — com a diferença que a Colômbia tem 46 milhões de habitantes. O Amazonas continua sendo um Estado escassamente povoado.

As capitais do Norte, também campeãs

Acompanhando o que se passou com os Estados, também as capitais do Norte foram as que mais cresceram no Brasil. A campeã é Palmas, no Tocantins, com impressionantes 66% e 228 mil habitantes. Seguem-se Boa Vista (RR), 42% e 284 mil habitantes; Macapá, com 40% e 397 mil habitantes; Rio Branco, com 33% e 336 mil habitantes e Manaus, com 28% e 1,8 milhão de habitantes.

Excetuando-se Manaus, eram cidades há não muito tempo acanhadas, sem recursos e de população rala que, rapidamente, adquirem porte médio – mais um sinal, entre tantos, de um Brasil em veloz transformação.

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5 Comentários

  • Paulo Bento Bandarra

    Não sei se é coisa para se comemorar, considerando que o Planeta se expandiu 0% nos últimos dois milhões de anos! Por enquanto estamos como qualquer bactéria que come tudo pela frente até o esgotamento do meio.

  • Priscila

    Para mim não me parece algo bom, afinal, não só existe o problema do desmatamento que só piora com mais habitantes na região, mas também há problemas de outros recursos como água, educação, saúde. E economico. Sei não, prefiro que o país cresça em qualidade do que quantidade.

  • ALBERTO SANTO ANDRE

    ESTES DADOS SO FAZEM CRER,QUE MESMO ASSIM O BRASIL CONTINUA SENDO UM PAIS DOS JEITINHOS, OU SEJA NEM MESMO NO CRESCIMENTO POPULACIONAL EM AREAS ESCASSAMENTE HABITADAS ,CONSEGUEM FAZER ALGUM CRESCIMENTO MINIMAMENTE PLANEJADO.

  • Laís

    Ai que povo mala!!!

  • Jvitor

    Bom ver os estados do Norte crescendo cada vez mais.