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Os chineses: 18,5% da população do mundo não podem decidir sobre o número de filhos. A decisão é do Estado (Foto: Chine Briefing)

Já comentei no blog as práticas hediondas a que levou, na China, a política de controle demográfico denominada “um casal, um filho”, virtualente obrigatória no país desde 1979, como o aborto de fetos femininos ou a eliminação de meninas recém-nascidas e que produziu distorções como a existência, na população chinesa atual, de 117 homens para cada 100 mulheres.

Esse desequilíbrio populacional, por sua vez, criou novas práticas horrorosas, como a “compra” de noivas em países como o Vietnã, com a exigência de que as jovens sejam virgens e a garantia de troca, em caso de o interessado endinheirado não gostar da mercadoria humana.

Aspectos sinistros em segundo plano

A milagre econômico chinês e a progressiva dependência dos grandes países, sobretudo os Estados Unidos e a Europa, em relaçâo à China e seu imenso mercado de mais de 1,3 bihão de pessoas deixam frequentemente em segundo plano aspectos sinistros da ditadura comunista, como esse.

E fazem com que sejam encarados quase como algo normal a inacreditável declaração feita recentemente por uma figura eminente chinesa, Ji Baocheng, reitor da Universidade de Renmin e também membro do Congresso Nacional do Povo, o Parlamento biônico chinês, de quase 3.000 deputados, que se reúne durante poucas semanas durante o ano:

— Nós deveríamos encorajar uma criança [por casall, permitir duas crianças e proibir três crianças.

Ou seja, na China que faz o mundo boquiabrir-se com seu desenvolvimento econômico, com o progressivo enriquecimento de sua população e com seu avanço tecnológico — com o qual pretende colocar um homem na Lua dentro de nove anos –, o governo pode vir a “permitir” que os casais tenham dois filhos, e a “proibir”, pura e simplesmente, que queiram três.

Ou seja, pelo menos 18,5% da população mundial está submetida a que uma questão pessoal, íntima por excelência entre um homem e uma mulher, dependa de autorização ou não do Estado.

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Gustavo Ibraim Ceron em 24 de novembro de 2011

Ditadura é a absorção do poder legislativo pelo executivo. Como a China é uma república parlamentarista, o primeiro ministro é eleito pelo parlamento. Portanto, pode ser o pior país do mundo, sem liberdade, sem comida, sem saúde, sem emprego, sem universidades, sem nada, mas ditadura não é o sistema de govêrno lá existente.

alexandre em 14 de novembro de 2011

não devemos ficar boquiabertos com um comentario desses... pois esta visão foi feito de forma a agregar a cultura deste pais que as vezes queriamos algo similar em nosso pais... não podemos dizer que as pessoas possam fazer o que quizer... pois vemos mulheres e homens irresponsáveis colocando filhos no mundo sem nenhum planejamento e condições... deixando para o estado e a população ser culpados de seus atos...

Álvaro Torres em 10 de novembro de 2011

Não publico críticas a colegas blogueiros, diretas ou indiretas, uma vez que eles têm seus próprios espaços. Agradeço ao amigo Nassif pela deferência contida em seu comentário.

patricia m. em 10 de novembro de 2011

Tanto melhor para nos, ocidentais. Como a populacao economicamente ativa (PEA) da China vai entrar en declinio logo, eles nunca superarao o Ocidente em termos de nacao mais rica do mundo. Antes a India e o Bangladesh tivessem a mesma politica...

Álvaro Torres em 10 de novembro de 2011

Sabia disso. É o padrão Veja de ditadura! Não tem ditadura alguma aqui. Sou livre para escrever o que quiser, e como quiser. Apenas o seguinte: quando você tiver educação, poderemos discutir e trocar ideias de forma civilizada. Antes, não.

Álvaro Torres em 10 de novembro de 2011

Não publico e não respondo comentários agressivos e boçais como o seu.

Álvaro Torres em 10 de novembro de 2011

Que tal apresentar argumentos e dados ao invés de ofender, "jornalista"?

Lucas em 09 de novembro de 2011

Acredito que alguns valores deveriam fazer parte todas as constituições do mundo, principalmente a democracia.

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