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María Dolores de Cospedal: um ensaio do que poderá fazer o PP no governo da Espanha (Foto: Partido Popular)

Se os conservadores do Partido Popular vencerem as eleições gerais do próximo dia 20 de novembro, como tudo indica, já se sabe do tamanho do choque econômico que imprimirão à Espanha, brutalmente combalida pela crise financeira mundial de 2008: ele será muito provavelmente uma versão, ampliada, do que acaba de ser definido pelo novo governo da comunidade autônoma (equivalente no país a um Estado americano) de Castilla-La Mancha, liderado pela secretária-geral do PP, María Dolores de Cospedal.

Entre outros pontos, ela cortou 20% do orçamento para este ano, que ficará abaixo dos 7 bilhões de euros (cerca de 16,5 bilhões de reais) e tomou medidas que tocam em privilégios que muitos consideram sagrados no país – mas causam horror a governos severos da Europa, como o da Alemanha.

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Paisagem típica de Castilla-La Mancha, terra de Dom Quixote e de Almodóvar

A possibilidade de que, com seus 2 milhões de habitantes, em Castilla-La Mancha – terra do cineasta Pedro Almodóvar e, claro, de Dom Quixote – se esteja produzindo uma miniatura do que ocorrerá na Espanha, 46 milhões de habitantes, com um governo do PP é grande: De Cospedal, uma loura bem apanhada de 46 anos, era uma política sem projeção nacional até 2008, quando o líder do PP e provável futuro chefe do governo, Mariano Rajoy, a designou para a secretaria-geral do partido, como parte dos esforços para renovar e adocicar a cara sisuda e velhusca do partido. É politicamente um carbono de Rajoy.

Como sempre ocorre quando há mudança de partidos no poder, De Cospedal queixa-se de ter recebido uma herança maldita do governo socialista que a precedeu: encontrou Castilla-La Mancha com uma dívida total de 7,455 bilhões de euros (cerca de 17,5 bilhões de reais), 2 bilhões em faturas vencidas, reconhecidas e sem pagar – e somente 36 milhões em caixa.

Ajuste duríssimo

Diante dessa situação, De Cospedal, que assumiu há 3 meses, baixou o porrete sem dó e programou um ajuste duríssimo, afirmando, porém, que a área social não será afetada. Exemplos de corte de custos e, em alguns casos, arrecadação de recursos:

* Serão extintas 9 das 10 empresas públicas de Castilla-La Mancha

* Serão fechadas 9 das fundações públicas existentes

* Para manter os gastos em saúde, será feita uma “racionalização”, que prevê a venda de edifícios da área, que passarão a ser alugados, com direito a futura recompra

* Todas as obras novas foram suspensas

* Não se contratarão novos funcionários

* Haverá cortes, não especificados, em todos os altos cargos do funcionalismo

* O cargo de Defensor do Povo (espécie de ombudsman) será extinto; vão evaporar-se os funcionários, os veículos e o orçamento da área

* As subvenções de qualquer natureza foram podadas em 10%

* Os gastos com a emissora de TV pública da comunidade foram cortados em 20%, deverão cair até um total de 50% em 2012 e será iniciado seu processo de privatização (as TVs públicas das comunidades espanholas são cabides de emprego e, em algumas delas, fomentadoras de nacionalismo separatista)

* Os professores deverão aumentar em 2 horas semanais sua carga horária

* Está extinta a mordomia de um ano sabático – um ano inteiro – a que faziam jus os professores com mais de 12 anos de atividade

* O governo venderá sua paraticipação em empresas privadas, imóveis ociosos e veículos.

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No mapa da Espanha (com suas ilhas), Castilla-La Mancha aparece em escuro

“O que era preciso ser feito”

Com tudo isso, a nova presidente da Junta de Castilla-La Mancha — este é título da governante — pretende reduzir, em menos de um ano e meio, o déficit público dos atuais 4,9% do PIB local para 1,3%, tal como exige o governo central (e, por trás dele, a União Europeia).

Mesmo no ambiente de feroz animosidade entre o PP e o ainda governista Partido Social Operário Espanho (PSOE), as medidas foram elogiadas pela ministra da Fazenda, Elena Salgado, como “o que é preciso mesmo ser feito”.

Os resultados das medidas, porém, não aparecerão antes das eleições, que se realizarão em 2 meses e meio. Assim, funcionarão, por ora, como uma espécie de vitrine da austeridade que os conservadores acenam como forma de tirar a Espanha da crise.

A ver.

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24 Comentários

Paulo Bento Bandarra em 09 de setembro de 2011

Caro SergioD, bancos não criam dinheiro, não é deles, é dos depositantes, empresas de todos tamanhos, acionistas, poupadores de várias quantias. Justamente, dinheiro nunca dorme, se não for aplicado, desvaloriza até virar pó. Por isto sua enorme força desinvolvimentista. Quando os compradores de casas não tinham condições, ou governos tiram do mercado dinheiro bom e destroem, o resultado é o mesmo. Não existe outra fonte para se gerar. A solução é aprender mais uma vez os fundamentos. Antes de abandonar o padrão ouro, nos acordos de Brenton Woods, em 1944, já tinha ocorrido a quebra da bolsa em 1929. Abraços.

SergioD em 09 de setembro de 2011

Paulo Bento Bandarra, examine a situação dos países hoje atolados em dívidas na Europa e veja que antes da crise de 2008 não pairava a menor dúvida quanto a sua solvência. Eles gastaram demais? Sim, mas não foi isso que detonou a crise atual. Desde que o padrão ouro, em sua segunda fase acertada nos acordos de Brenton Woods em 1944, foi detonado pela administração Nixon (um republicano) nem os EUA conseguiram manter um orçamento equilibrado. Reagan (outro republicano), com a sua Iniciativa de Defesa Estratégica (Guerra nas Estrelas) engrossou o caldo do déficit, mantido estável na administração Clinton (um democrata), e derramado de vez na administração Bush (mais um republicano). E agora querem culpar o Obama por tudo, apesar da encrenca que ele pegou, essa sim uma baita herança maldita. Mantenho o que disse: A crise atual, como a de 2008, foi causada pela alavancagem desmedida praticada pelos bancos, apoiados numa regulamentação frouxa associada a boa e velha ganância mesmo. Como disse o personagem de Micheal Douglas em Wall Street, o Dinheiro nunca dorme, Gordon Geko, The Greed is Good. O pior da coisa é que os bancos americanos foram salvos com dinheiro público e seus gestores e acionistas estão por ai com a burra cheia. Pior ainda é que todos sabemos que eles não podem quebrar, e se os governos permitirem eles vão sempre praticar essa chantagem com todo o resto da economia. Grande abraço

alexandre em 07 de setembro de 2011

Não vi nenhuma medida que afete os gastos sociais (seria interessante com a área de atuação dessas 9 empresas extintas). Pelo que li a maioria das ações são contra privilégios(corte de funções e fim do ano sabático). Resumindo, vendo de maneira superficial não achei um absurdo esses cortes na administração pública. Me pareceu mais cortes nos privilégios. Não coloquei no post, para não ser extenso demais, mas o plano lançado pela presidente de Castilla-La Mancha tem como título "Plano de Manutenção das Prestações Sociais" ou algo do tipo. Ela promete -- pelo menos, promete -- que não cortará os serviços sociais. Abração e obrigado por sua visita e por seu comentário.

Marcelo Bernardes em 07 de setembro de 2011

Oxala tivessemos no Brasil partidos como o PP espanhol!

Paulo Bento Bandarra em 07 de setembro de 2011

Pois é, as pessoas ainda não entendem o que é democracia de verdade. Livre mercado é a liberdade do povo decidir como faz com o voto. Ele que decide o que quer. Onde gostaria de trabalhar ou que profissão perseguir. Você pode não querer uma televisão de plasma. E isto é respeitado. Já no socialismo você pode querer um cachorro-quente e o governo decide por você que não tem direito de escolha, como ocorre em Cuba e nas economias socialistas dirigidas. Você quer votar num partido defensor do livre mercado e da liberdade de mídia. E o governo não permite a existência deste partido e determina o que você pode querer, consumir, pensar ou ouvir. . Você não quer consumir? Ótimo, os Amishs estão aí para mostrar que numa democracia você pode. Quer criar uma comunidade hippie? Você pode. Já no caminho múltiplo do socialismo e da economia dirigida, você não pode desfrutar de um cachorro quente, de um livro ou de um passeio fora da cidade, pois é proibido pessoas oferecerem isto para outros pois o estado é incapaz de fazer para todos. Tem gente que gosta e passa a vida inteira querendo impor esta falta de escolha para OS OUTROS.

Pedro Luiz Moreira Lima em 06 de setembro de 2011

ReynaldoBH: Quem decedi alternancia de poder é o POVO pelo voto.O PSDB vem sendo o PODER no Estado de São Paulo já não sei a quantos governos e pelo voto popular,decisão soberana do POVO - alternancia de PODER se o POVO quiser. No Governo Federal - Lula 2 vezes e Dilma - se a Dilma for reeleita será pelo VOTO POPULAR - podemos gostar ou não de governos,temos cada um 1 voto como qualquer cidadão - quem diz que uma alternacia de poder é bom ou não´- é a maioria. A quem voce se refere que não permite a alternacia de poder?Não entendi. Quem esta levando o mundo ao CAOS é o CAMINHO UNICO DO LIVRE MERCADO ABSOLUTO,isso desde dos anos 80. Mentira minha - são dos COMUNISTAS,Esquerdistas e Terroristassssss - como no final do filme Casablanca -"acusamos e predemos os de sempre."

Paulo Bento Bandarra em 06 de setembro de 2011

Veja esta Setti, já que você criticou os republicanos contra o pobre Obama: 44% dos americanos aprovam a atuação de Obama, mas 51% a reprovam. Ente os mil entrevistados, 44% disseram que pretendem votar num republicano nas próximas eleições, contra 40% que dariam mais um mandato ao democrata. Um povo que tem consciência dos mecanismo econômicos desaprova estes governos gastadores?

Paulo Bento Bandarra em 06 de setembro de 2011

SergioD está errado. A crise atual se deve a quebra dos estados que não podem pagar o que tomaram dos bancos e os bancos acabam não podendo devolver aos seus poupadores e investidores. Estes, sem recursos tomados pelos governos, que deram papéis em garantia, mas não podem honrá-los, não tem como manter a economia, investir, gerar emprego e renda. Veja a dívida interna do Brasil, e a dívida externa do mesmo. Dinheiro que o governo do país gastou e não devolveu, não honrou as promessas de devolver. No entanto aumentam salários, bolsas, aposentados, uma infinidade de bondades a fundos perdidos... Chega um ponto que a sociedade deve mais do que a sua capacidade futura de gerar os recursos para fazer frente às dívidas. Esta crise é de governos, que secundariamente se reflete nos bancos, do qual tomaram enorme volume de recursos emprestados, para dar benesses antes de estas serem geradas. Não é o caso dos governos salvarem os bancos, são os bancos que não conseguem mais sustentar os governos que não pagam os empréstimos. E estes empréstimos tirados da iniciativa privada impedem os bancos de investirem em produção, e impede esta de gerar renda e recursos. Não é uma coisa que o povo na praça irá resolver. Povo na praça não gera renda e nem paga dívidas.

Reynaldo-BH em 06 de setembro de 2011

Setti, que bom que você vai nos dar uma visão mais exata da Espanha! Eu acompanho, você sabe, todos os passos dados em Portugal. Por ligações profissionais e até afetivas. Lá também o Partido Socialista foi deslocado do poder pela coligação PSD-CDS, de centro-direita. O ex primeiro-ministro Sócrates "foi a votos", como por lá se diz, e doi fragorosamente derrotado. Obras faraônicas, sem justificativas, re-estatização (com custos!) de bancos falidos, benefícios sociais que não se sustentavam, leis de trabalho que nasceram no 25 de abril e não foram revistas (a demissão em Portugal é proibida! Simples assim!) e um aparelhamento brutal da máquina pública (para ter-se cargos no governo era necessário ser do PS!) levaram Portugal (país de somente 11 milhões de habitantes, menor que SP)à bancarrota. Aliado a isto, os concelhos (as juntas espanholas e estados brasileiros) podendo se endividar sem qualquer controle. Falta de transparência nos gastos, licitações fraudadas e sempre dirigidas a empresas amigas. (Entre elas, só como comentário, a Oingoing, que Zé Dirceu é consultor e "sócio" aqui no BR e a Portugal Telecom, outra cliente do afamado consultor!). Se o desemprego na Espanha hoje bate em inacreditáveis 40% entre os jovens em Portugal os jovens vão ás ruas nos protestos da Geração à Rasca (ao Abandono, em "tradução"). Esta alternância é saudável. Só os que querem perpetuar-se no poder não admitem a alternância. E a experiência socialista na Europa, por erros primários que hoje cobram um preço social imenso, está catando os cacos e revendo posições. Não tenho simpatia pelo PP de Espanha e nem pelo PSD-CDS de Portugal. Porém tenho respeito pelo voto popular. Sempre. Mesmo quando me desagrada! Tenho, como você, o mesmo respeito pelo resultado das urnas. Abração, caro Reynaldo.

junior ibitinga em 06 de setembro de 2011

Ora, Ora a veja bem alinha da com el país. Não me espanta! Bonito foi numa entrevista com o amigo Çerra viajando pelas aerolineas santander, desenbarca para entrevista no amigo jornal espanhol. Em dado momento, o desconhecido brasileiro é interpelado pela pergunta de um internauta desinformado, "se esse cidadão é o chefe do partido de oposição, porque não conseguiu se eleger em nada?" diria a ele "calma, não sabe o que é oposição anti-trabalhista, aqui ele não fala pelo partido. Aliás, ninguém mais pede opinião dele". Aí "veja" ( e seus blogueiros no front) já que está de olho nessa região, vire a cara quando o povo Espanhol execrar essa turma. Vão extinguir o "defensor do povo". Será que é pra poupar gastos? duvido. Caro Junior, como você escreve de maneira muito confusa, não entendi direito o conteúdo nem o objetivo de seu comentário. De todo modo, eu, que estou aqui na Espanha, não estou vendo o eleitorado espanhol "execrar essa turma" a que você se refere -- e que é, aparentemente, o partido conservador PP. O PP, goste-se ou não dele -- e eu não estou entre seus admiradores --, longe de ser "execrado", deve ganhar as eleições de novembro próximo, segundo todas as pesquisas de opinião feitas até agora.

Pedro Luiz Moreira Lima em 06 de setembro de 2011

Amigo Setti: Durante um longo período dos anos 80 até hoje,"O Fim da História","Choques de Cilizações" sempre com a visão "os cilizados-nós?" e os "bárbaros - eles?" - o Livre Mercado - livre mesmo!livre da justiça,livre da ética - livre e ABSOLUTISTA - mais uma vez emprego esse termo -LIBERDADE DE IMPRENSA ABSOLUTA,segundo o sindicato patronal ANJ,A LIBERDADE ABSOLUTA DO MERCADO sem nenhuma injunção de governos e MARCOS REGULATÓRIOS. O resultado é o caos ABSOLUTO nos ditos paises civilizados - suas guerras de conquista ABSOLUTA as riquezas dos outros - Iraque,Afganistão um fracasso total, o fracasso dos super jatos,super tanques,super foguetes,super jipes e o pior dos super homens,mortos diariamante por "barbaros fedidos,barbudos,piolhentos..."razão:uma só"Essa Terra é Minha!" na Libia entrarão,morrerão pelo mesmo motivo:"Essa Terra é Minha!" A Democracia,Liberdade,Direitos Humanos só existem e sobrevivem com a VERDADE ABSOLUTA,aí sim a palavra ABSOLUTA deve ser utilizada e defendida. Inglaterra,França,Italia,Grecia,Espanha,Irlanda...e agora timidamente a Alemanha e lá no Oriente Médio Israel - o inicio do CAOS,nome dado aos movimentos de "quebra-quebra" generalizado pela Grande Imprensa aos "Barbaros e Caóticos Movimentos" com manchetes assim - SINAL VERDE para a repressão do Estado! - Repressão do Estado - Que Estado? e por fim "Lei e Ordem para quem?" Os EUA com sua crise gigantesca e os mesmos bandidos dos mercados finaceiros - Livres e o Pior dentro da gerencia do Estado e gerenciando as mesmas instiutições bancária que levaram e continuam levando os EUA ao caos. Nos EUA a coisa é muito pior - todos têm armas,o preconceito racial é generalizado,a loucura religiosa extremada faz parte da cultura americana e coloca aí - uma crise de produção+de empregos e o fim do Sonho Americano Religioso - Somos os Escolhidos por Deus - para dominar o mundo. O caminho unico economico pregado nos anos 80 - foi um fracasso desde de sua implantação por sua OCULTAÇÃO DA VERDADE - não existe caminho unico para a HUMANIDADE e a ocultação da VERDADE ABSOLUTA impedirá a conquista da felicidade,justiça,igualdade e fraternidade pelo simples fato de não EXISTIR CAMINHO UNICO. Ao menos uma coisa poderá ser POSITIVO são os Donos do PODER que fazem o caminho do CAOS e os unicos responsaveis - dessa vez não poderão utilizar mesma acusações - COMUNISTAS,ESQUERDISTAS,TERRORISTASSSS"- será tragico mas também interessante, espero que sobrevivamos para ver o final "INTERESSANTE"

SergioD em 06 de setembro de 2011

Ricardo, como sei do seu interesse sobre o assunto, encaminho a apresentação do RAFALE feita na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal feita no mês passado. Não precisa publicar meu comentário uma vez que eu canso de enviar comentários que nada tem haver com o post. Um abraço http://www.rafale.com.br/pdf/senado_federal.pdf

SergioD em 06 de setembro de 2011

Faço minhas as palavras do Xará sergio.

sergio em 06 de setembro de 2011

Puxa!Quero o endereço da moça e convidá-la para transferir seu titulo. Vai ser minha distrital.

SergioD em 06 de setembro de 2011

Ricardo, entendo o que você diz quanto a leniência do governo Zapatero. No entanto gostaria de saber se esses gastos inúteis foram maiores com aqueles que o governo espanhol se comprometeu para o salvamento de seus bancos. Não discuto a necessidade de se fazer um aperto nas contas da Espanha. Mas, como o Pedro Moreira Lima disse, será que o povo espanhol vai aceitar um aperto ainda maior mesmo com o desemprego já batendo a casa dos 20%, sendo que na população jovem o percentual é muito maior? A Itália começa a ser sacudida por greves por conta dos efeitos que o pacote de cortes que o governo tenta implementar. Mal ou bem, com governos gastando mais ou menos, a crise foi detonada por malversação de ativos no sistema bancário, e mesmo países que seguiam a cartilha liberal, como a Irlanda, estão afundando devido a irresponsabilidade do sistema bancário mundial que embarcou na canoa furada dos títulos hipotecários dos EUA. Lembro que a crise de 2008, mãe da crise atual, se iniciou no setor PRIVADO, e sem a intervenção dos governos se armaria uma ecatombe de proporções mundiais. O povo desses países não se sente responsável pelo que aconteceu e sabe que vai acabar pagando o pato. Como diz o ex-Ministro Delfim Neto, milhões de empregos foram jogados no ralo por conta de patifarias cometidas pelos bancos. Bem, aguardo novos post sobre o assunto. Grande abraço a todos. O problema com os bancos, caro SergioD, é sempre o mesmo: se o governo os deixa quebrar, a economia vai para o buraco. E, bem ou mal, o dinheiro investido no socorro volta aos poucos aos cofres públicos, ou, então, o Tesouro fica proprietário de parte desses bancos. De todo modo, voltarei ao assunto várias vezes, já que a Espanha terá importantes eleições gerais em novembro. Um abraço

Markito-Pi em 06 de setembro de 2011

Eta inveja. A Espanha de meus avós produz estadistas. Nós temos martas, Idelis, Dilmas, Jaquelines, et caterva. Além , ou antes disso, La Pasionaria.Aqui, esquisitices como Vanessa Grazziotin.....

Paulo Bento Bandarra em 06 de setembro de 2011

Só discordo da opinião de que tenha ficado "combalida pela crise financeira mundial de 2008"! Se trata mais de gastar a mais do que se gera em renda em benefícios. Um dia a conta não fecha. Se o povo não aceitar? Aí se colocam a frente várias possibilidades!

Julian Matos em 06 de setembro de 2011

Ricardo Setti: Bastante preciso seu retrato da situação espanhola. Sua resposta a SergioD também é irretocável. Parabéns! Acho que a Espanha serve de exemplo ao Brasil. Períodos de vacas gordas devem ser aproveitado para economizar e aumentar gasto público em período de bonança significa plantar tempestades para o futuro. Saudações desde Barcelona, Julian

Pedro Luiz Moreira Lima em 06 de setembro de 2011

Puxa vida! vai resolver tudo,um probleminha só - o POVO ESPANHOL VAI ACEITAR?SE NÂO ACEITAR ALGUM PLANO NUMA NOITE DE TEMPESTADE,RESSUCITAR FRANCO COMO FRANKSTEIN?

SergioD em 05 de setembro de 2011

Ricardo, tudo isso que está sendo cortado pelo governo do PP foi criado pelo PSOE? Lembro que no tempo do Sr. Asnar o déficit público na Espanha não era tão pequeno quanto se está projetando agora. Lembro também que o déficit público espanhol aumentou, assim como em diversos países europeus, pelo necessário auxílio que os governos europeus tiveram de dar aos seus bancos atolados até o pescoço com títulos sem lastro. A farra foi boa, e na hora do vamos ver os governos tiveram que salvar a situação. Daí a situação calamitosa das contas públicas nos países menos ricos. Até mesmo países que seguiam a cartilha liberal, como a Irlanda, alcunhada de Tigre Celta, foram duramente atingidos. Portanto, não se pode afirmar que a culpa da situação atual ser apenas de governos de esquerda. Um abraço Por enquanto, caro SergioD, estamos falando do governo da pequena (em população) Castilla-La Mancha. Lá os socialistas fizeram realmente bobagens e desperdício. Na Espanha, Zapatero tentou reagir à crise com um brutal aumento no gasto público para a realização de obras que gerassem empregos, mas a burocracia -- necessidade de licitações e concorrências, falta de projetos complexos prévios -- levou a que se gastasse muito dinheiro, bilhões de euros, em obras pouco úteis nas circunstâncias, como embelezamento urbano, reforma de avenidas e de calçadas, arborização. Os empregos gerados foram temorários, o dinheiro se esfumaçou, o Estado se endividou e a crise continuou. Seu governo também foi muito leniente com o aumento do gasto público nas comunidades autônomas e municípios, e com malandragens como a "indústria do paro" -- pessoas que trabalham um determinado tempo e depois, de propósito, ficam na vagabundagem vivendo de seguro-desemprego por meses e meses a fio. Voltarei ao assunto da Espanha em outros posts. Abraços

sonia mesquita em 05 de setembro de 2011

Sr.Setty, não fica bravo comigo não? Mas não tem como o sr. mudar o assunto e a foto do Politica e Cia, tudo nesta página é lindo, mas esta senhora fazendo pose, ulala, prefiro aquele inseto lindo do Tema Livre, me entendeu? Por favor não pretendo ofende-lo, ah mas esta sra. ja tá cansado na página..ihih

wilson em 05 de setembro de 2011

Dinheiro não cai do céu, nem dá em arvore, lá já não tem mais onde sugar, aqui os governadores todos perdulários preparam mais um saque na jugular do povo o cpmf tá chegando.

Marcelo Bernardes em 05 de setembro de 2011

Triste de tudo isto eh que governos de direita ou menos a esquerda (vide o de FHC) tomam medidas duras mas corretas, sao sabotados pela direita (FHC e o atual Chile) e depois de tudo isto, com a casa consertada o povo entrega de novo o governo para a esquerda. Quem sabe um dia o povo aprende ?

marco loss em 05 de setembro de 2011

Nessa lista não vejo mais do q coisas lógicas. Sou o único a achar q se fosse feito algo do tipo no Brasil seria muito bom? Será preciso quebrarmos antes de acordarmos?

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