Coluna “Caixa Forte”, de Miriam Leitão: Uma só negociação

Algumas das principais cabeças econômicas em torno do presidente Fernando Collor trabalham com uma idéia básica para a renegociação da dívida externa: quando se der, ela deve ser a primeira e a última da atual gestão.

Considera-se, nesses círculos, um “processo penoso” aquele em que o País está metido pelo menos desde 1982: a cada dois anos, em média, lá se vão ministros e presidente do Banco Central atrás dos credores.

Dessa vez, além de as autoridades brasileiras não pretenderem peregrinar pelo Exterior, pretende-se uma renegociação de prazo médio para longo. De todo modo, o governo vai fazer pé firme na limitação do pagamento anual a alguma percentagem fixa do PIB.

Cálculos preliminares que circulam em gabinetes oficiais indicam que a Alemanha, depois da derrota na I Guerra Mundial, transferia anualmente para o Exterior 2,5 % do PIB como serviço de sua dívida.

O Brasil, se pagasse o que os credores queriam, remeteria este ano 4% de seu PIB.

(Nota publicada no jornal O Estado de S. Paulo.)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

1 × um =