Coluna “Galeria”, de Nirlando Beirão: Quércia e Collor

As formais, distantes relações entre o então governador Orestes Quércia e o presidente Fernando Collor podem não ter deslanchado por causa de um episódio ocorrido nos dias finais de montagem do novo governo, no começo de 1990.

Na ocasião, interessado em ter como secretário de Ciência e Tecnologia o físico e professor José Goldemberg e imaginando fazer uma gentileza ao governador, Collor instruiu seu futuro (e hoje ex-) ministro da Justiça, Bernardo Cabral, a pedir a Quércia que fizesse o convite a seu então secretário da Educação.

Quércia se negou, dizendo a Cabral:

— Você é meu amigo, está tudo muito bem, mas o governo não é meu, e não me cabe convidar ninguém para fazer parte dele.

O governador comentou com interlocutores próximos que também o presidente José Sarney lhe pedira para fazer um convite semelhante.

Era para seu então secretário de Ciência e Tecnologia, Ralph Biasi, ocupar o Ministério equivalente em Brasília.

Mesmo com Sarney sendo teoricamente do mesmo partido que Quércia, o PMDB, o governador disse “não”.

O próprio presidente acabou falando com Biasi.

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