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Millôr Fernandes, morto hoje, no Rio: autodidata, cultura brutal, talentos múltiplos, um gênio (Wilton Júnior / Agência Estado)

Sim, sei que é um tanto óbvio dizer esse tipo de coisa, mas não há a menor dúvida de que o país ficou mais pobre com a morte dessa figura extraordinária, esse gênio polivalente que foi Millôr Fernandes, morto aos 88 anos de idade em sua casa, no Rio.

Humorista refinadíssimo, dos melhores em qualquer idioma — se escrevesse em inglês, seria aclamado mundialmente –, o Brasil sem Millôr é um Brasil mais triste.

Também cartunista, artista plástico, escritor, tradutor, homem de teatro e filósofo a despeito de si mesmo, era um intelectual que detestava o rótulo mas dono de uma cultura autodidata espantosa e invejável, além de cidadão corajoso, inoclasta e crítico invariável e ferino do poder e dos poderosos.

Millôr é literalmente insubstituível.

Não há, no cenário cultural do país, ninguém que mesmo de longe se aproxime da gama de assuntos que ele dominava.

O Brasil, portanto, ficou também consideravelmente mais burro com a partida Millôr.

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27 Comentários

Anti PT em 13 de abril de 2012

Não sei com a Veja deixou sair tão facilmente um gênio como o Millor e faz o possível para manter um medíocre como Diogo Mainardi

Mary Pedroso em 01 de abril de 2012

Profundamente triste com a morte do genial Millôr. Não resta dúvida que o Brasil ficou mais burro e não vejo como sanar tal perda. Millôr é único.

Bombou na Web em 31 de março de 2012

Junto com o Henfil, Millor era o mais genial do Pasquim. Por outro lado, Francis e Lessa eram os mais fracos, destoando do grupo. Achava genial especificamente essa frase do Millor : " O Capitalismo é a exploração do homem pelo homem. O Socialismo é o contrário " . Essa frase deveria ser daquelas clássicas, para serem repetidas em todo o mundo

nathalia scerni em 31 de março de 2012

Muita gente esquece que Millôr era também um grande tradutor de obras literárias de importância universal A morte de Chico Anysio fez com que a mídia desse pouco espaço para essa nova perda, também insubstituível. Tomara que essas duas mentes se unam, na outra dimensão em que se encontram, para ajudar na melhora intelectual do povo brasileiro. Sei que nenhum dos dois precisa, mas vou rezar por eles.

maria cecilia lima barbeiro em 31 de março de 2012

Ricardo, o Brasil já é pobre triste e burro o suficiente, não é a morte de Uma Brilhante Cabeça (que era para o consumo de poucos) que nos tornará mais indigentes. Sorte tem você que está vivendo à léguas daqui, podendo se dar ao luxo de só analisar à distância. Mesmo assim , e apesar de tudo amo essa inocente terra toda errada. Também amo profundamente o nosso país, Maria Cecília. Por isso me revoltam tanto as mazelas que afligem o Brasil e o nosso povo. E na verdade eu não vivo a léguas do Brasil. Por razões familiares, passo períodos fora -- trabalhando, sempre -- mas sempre volto, tanto a minha casa e meu pequeno escritório em SP como à Redação do site de VEJA. Sempre assistindo e lendo tudo o que se refere ao Brasil e seus problemas. Um abração

Marmo em 30 de março de 2012

Ricardo, então relembre o que ele dizia: A ocasião em que a inteligência do homem mais cresce, sua bondade alcança limites insuspeitados e seu caráter uma pureza inimaginável é nas primeiras 24 horas depois da sua morte. Millôr Fernandes

fpenin em 30 de março de 2012

Setti, O Brasil não ficou mais pobre, nem mais triste.O Brasil não ficou mais coisa alguma. O Brasil está menos TUDO...

Eleny Damacena em 29 de março de 2012

DEUS, que pena não sermos física e intelectualmente eternos, perdoe meu egoísmo! Millôr, uma sumidade que eterniza suas obras! Poesia matemática, minha preferida. Fica agora,uma eterna saudade de sua pessoa e seu intelecto. Siga em paz.

Corinthians em 28 de março de 2012

Realmente, mais um momento triste para o Brasil. Vá com Deus Millôr - sentiremos muito sua falta.

Luiz Pereira em 28 de março de 2012

Millor, RIP.

Caio Frascino Cassaro em 28 de março de 2012

Prezado Setti: A perda de dois gênios do porte de Chico Aníso e Millor Fernandes é um castigo demasiado grande, mesmo para o Brasil. Pessoas como eles funcionam em nossa vida como as bóias sinalizadoras para os navios. Quando se está meio perdido procura-se uma delas e pronto – ali está ela indicando a direção a seguir. Quer saber? Estou chateado com Deus. Tem gente que deveria ser proibida de morrer, pelo enquanto eu estivesse vivo. Um abraço

eunice vaz em 28 de março de 2012

Padecemos de uma burrice generalizada, mas nos ultimos tempos, piorou demais... Para as pessoas mais esclarecidas, fica um pesar imenso pela falta de Millor. Para quem o acompanhou sempre, seu fino humor,seu conhecimento sobre o brasil, suas frases , ou flexas certeiras, so resta um imenso pesar. Esperemos que ele e Chico anisio estejam batendo um papo maravilhoso , em algum lugar...Vai deixar mtas saudades.........

Maria Rita em 28 de março de 2012

Millôr Fernandes sentiremos saudades, mas você será eterno nosso coração.

Mari Labbate *44 Milhões* em 28 de março de 2012

Sou muito otimista! Partindo-se do pressuposto de que a Vida renova-se, a cada instante, vejo em meu fratello Ricardo Setti um nome, que ainda irá brilhar muito. Portanto o Brasil não ficará menos culto, visto que existem já outros talentos emergindo. Acompanharão esse nosso querido Jornalista: Augusto Nunes, Lauro Jardim e Reinaldo Azevedo. Está bom, ou querem mais? Parabéns, queridos, pelos brilhantes trabalhos, pois o País necessita vitalmente das suas preciosas colaborações, nesse delicado momento de redemocratização. Não podemos bobear! VIVA A VIDA! Brindemos...

Eliane em 28 de março de 2012

Verdade!

selminha em 28 de março de 2012

É, Setti, a geração que dá valor à cultura, ao saber, está nos deixando. A pobreza intelectual dos jovens (e nem tão jovens) de hoje é preocupante. Caminhamos célere à mediocridade. Salve o Millôr, que jamais será esquecido!

bereta em 28 de março de 2012

É triste saber que aqueles a quem acompanhamos desde a mais tenra idade estão a partir. Meu pai comprava "O Cruzeiro" toda semana. Eu ainda não sabia ler, mas já me interessava por aquelas figurinhas esquisitas desenhadas pelo Millôr. Depois de alfabetizado, jamais deixei de ler os artigos do Millôr. Abria seu portal, me divertia com sua pena afiada, sempre mordaz e causticante. E ele nada mais fazia que retratar o lado ridículo da sociedade humana. Tecia crítica política com humor e ironia. Um de seus cartuns trazia um círculo de homens bem vestidos, todos com estranhos apêndices tidos como rabos. Acima do cartum, os dizeres:- "Entrementes, em Brasília...". Um dos personagens dizia:- O meu rabo é muito mais bonito que os seus .... Uma outra charge, também de Brasília. -Um garotinho dizendo ao outro:- Fique sabendo que meu pai é muito mais corrupto que o seu, viu? - Só mesmo quem mantinha o espírito vivo como Millôr para nos garantir o humor de cada dia!

SergioD em 28 de março de 2012

Ricardo, suas tiradas em "Livre Pensar é só Pensar" era antológicas. Assim como quando implicava com o ex-Presidente Sarney, chamando-o de Sir Ney. Mais um que vai deixar muitas saudades. Abraços

Reynaldo-BH em 28 de março de 2012

Imensamente mais burro. E menos culto. Valorizava o saber não pela dispensável exposição, mas pelo prazer de saber-se sempre um aprendiz. Que foi mestre. Sem cátedra nem titulações acadêmicas, entendeu a vida como só os sábios conseguem entender. Jamais um sectário. Nunca pontificava sobre as próprias certezas. Agnóstico, foi mais cristão que a imensa maioria dos que assim se definem. Millôr é daqueles seres humanos que não passam pela vida. Marcam a vida de outros, sem nenhum favor. No país do elogio da ignorância, Millôr foi e será a antítese de quem, se julgando poderoso e devoto do pensamento único, jamais chegará um dia a entender o que seja o livre pensar. Que, segundo Millôr, era só pensar.

Débora França em 28 de março de 2012

Realmente... Nossa país perde um grande escritor.Perda irreparavel.

JT em 28 de março de 2012

Millôr Fernandes, ao contrário de seus ex-colegas de Pasquim, não pediu indenização ao governo em função da censura no período da ditadura militar. Segundo ele, a luta contra a ditadura não era uma poupança. Millôr não gostava de rótulos, mas podemos dizer que ele foi um homem de caráter, acima de tudo. E também por isso devemos render nossas homenagens ao gênio.

Varlice em 28 de março de 2012

Em menos de uma semana perdemos dois bons críticos do Brasil, cada um a seu modo. Não que sirva de consolo, mas é bom lembrar - como Millôr dizia -, livre-pensar é só pensar. E essa liberdade nunca nos será tirada.

Alice em 28 de março de 2012

Grande Millôr Fernandes! Simplesmente incomparável...

Rosa Maria Pacini em 28 de março de 2012

Concordo plenamente com você, Setti. Ele foi genial em todas as áreas em que atuou. Perda irreparável, sobretudo para um país que elege Titiricas, aplaudem Rafinhas Bastos e outras excrecências que se assemelham a ele.

Rezende em 28 de março de 2012

Sempre gostei muito do Millôr. É uma triste perda!

Marco em 28 de março de 2012

Amigo Setti: Um absoluto intelligeri! Abs.

Ixe em 28 de março de 2012

- Nossa, o Brasil ficou muito mais pobre. Millor é gênio da raça. No meu caso, que comecei a acompanhá-lo desde as páginas d´O Cruzeiro, do Pif-Paf, quando parelhava com o Péricles Amigo-da-Onça, é uma perda enorme. Para mim , o Brasil perdeu um de seus maiores pensadores, além do formidável humorista, cartunista. Irreparável. Obrigado, Mestre Millor.

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