Com fim da política que proíbe militares de se declararem homossexuais, EUA dão importante passo em favor da cidadania e das liberdades individuais

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Obama assina a revogação da lei em dezembro: exemplo (Foto: AFP/Getty)

É uma grande conquista para a cidadania e para os defensores das liberdades individuais, como me considero, o fato de que, precisamente hoje, deixa de valer a discriminatória lei vigente desde 1993 nas Forças Armadas dos Estados Unidos conhecida como Don’t ask, Don’t Tell (“Não Pergunte, Não Conte”).

A normativa proibia os militares norte-americanos de se declararem homossexuais ou de perguntarem a outros colegas sobre sua orientação sexual. Ou seja, gays só poderiam permanecer no Exército, na Marinha, na Força Aérea ou no Corpo de Fuzileiros Navais caso se mantivessem “no armário”.

Como informa esta reportagem do site de VEJA, por causa da apelidada DADT, nos últimos 18 anos cerca de  13 mil soldados foram expulsos das Forças Armadas da maior potência militar do planeta por terem revelado sua homossexualidade ou por terem sua opção “delatada” por companheiros.

Defensor da revogação desde sua campanha presidencial, o presidente Barack Obama chegou a dizer, ao longo do processo de votação – a medida passou pela Câmara de Representantes e pelo Senado -, que a política DADT era “simplesmente errada”.

Acertou em cheio: promover a discriminação é injusto e imoral. O que tem a ver a orientação sexual, com, digamos, a capacidade de um piloto de um jato de combate para atuar numa operação bélica? O mesmo vale para avaliar soldados por critérios que passam longe de suas capacidades individuais.

Ao ser acatada por uma entidade habitualmente conservadora como as Forças Armadas, a nova regulamentação deve estimular mais progressos no campo dos a direitos civis de homens e mulheres homossexuais.

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9 Comentários

  • Malaco

    Passo em favor da baderna, creio eu.
    As Forças Armadas não devem ser usadas para avançar causas.
    Devem servir para a defesa do país da melhor maneira possível. E só.

    E por que a orientação sexual de uma pessoa a tornaria menos capaz de “servir para a defesa do país”?

  • Pedro Luiz Moreira Lima

    Concordo inteiramente com vc Setti:
    Meu tio já falecido,tenente(chegou a Ten Cel) na FEB,partcipou de Monte Castelo e Montese e em Montese ferido gravemente na perna e sobreviviu,morreu a 2 anos atrás – me contou a seguinte história,preciso registrar que politicamente poderia dezer com tranquilidade um conservador.
    Sob seu comando havia um sargento dos mais admiráveis – excelente combatente,corajoso e de bom comando.Certo dia o pegaram em praticas homossexuais, reuniram o Comando e o queriam expulsá-lo,a voz discordante foi do meu tio – dizendo afatá-lo seria um esforço de guerra pro alemão e aceitaram sua ponderação.
    Foi conversar com seu Sargento e mostrando a situação – quando terminassem a Guerra e de volta ao Brasil, pediria ir para a reserva, recebendo menção honrosa de excelentes serviços,caso contrario seria perseguido, não por ele mas por outros companheiros obtusos.Meu tio era um HOMEM CONSERVADOR.
    Não se seria hoje favoravel ou não a entrada de homssexuais nas FAs – apenas um relato que CORAGEM,VALENTIA,CARÁTER…não são qualidades heteros e mais ainda – perguntado ao grande João Saldanha a sua opinião,respondeu:”Existe o dia,todos acham o dia lindo e natural.Existe a noite,todos acham a noite linda e natural.Entre os dois existe o Entardecer, não é também lindo e natural?”
    Se me perguntarem – direi apenas sou Hetero por qua nasci Hetero as pessoas nascem com sua sexualidade definida – em nada tenho de me orgulhar de ser hetero,poderia perfeitamente ser homo – VIOLÊNCIA,DISCRIMILAÇÃO e PRECONCEITO é VERGONHA e ainda mais vindo de quem se diz RELIGIOSO.

  • Paulo Bento Bandarra

    Vamos ver como isto será considerado no campo de batalha contra as forças do oriente progressista. Estas coisas são exploradas pelo inimigo, como foi o caso do consumo de drogas no Vietnã, ou o uso de identificação de médicos e enfermeiros no campo de batalha, para usar a sua eliminação como forma de desmotivar os combatentes.

  • Malaco

    Bom, creio que manter uma tropa exclusivamente masculina é o melhor.
    A introdução das mulheres nas Forças Armadas americanas teve um lado muito nefasto: os estupros, extremamente comuns*. O problema ainda não foi resolvido e, acredito, não será. http://www.sexualassault.army.mil/
    E agora ainda vem a tensão sexual homossexual.
    *Não estou dizendo que as mulheres são culpadas pelos próprios estupros, só acho que o ambiente é propício demais e não era necessário expô-las a isso.

  • patricia m.

    Tudo muito lindo, etc, mas quero saber as medidas praticas: os gays terao banheiro separado? Eu nao me sentiria a vontade tomando banho (naqueles banheiros todos abertos) do lado de um gay.

  • patricia m.

    Quanto a atos de valentia, ser capaz ou nao de defender a patria etc e tal. Voces sabiam, por exemplo, que foi enquanto estavam sendo defendidos por uma tropa holandesa composta majoritariamente por gays que houve um dos piores massacres da populacao civil kosovar, em Srebrenica? Link aqui:
    http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/northamerica/usa/7478738/Gay-Dutch-soldiers-responsible-for-Srebrenica-massacre-says-US-general.html

  • Seilon

    Qual governo adotou essa política mesmo?Há,sim!Foi o Governo Clinton!Imaginem se fosse o Bush.Ele Estaria sendo demonizado por todo mundo.Mas como é o Clinton,tudo bem.
    Acho inconstitucional uma lei que discrimine de antemão um determinado grupo social por práticas que não são consideradas criminosas.
    Agora,isso não quer dizer que eu seja contra que as Forças armadas,através de uma resolução interna,vete pessoas que tenham práticas homossexuais.
    Sou a favor dessa restrição por dois motivos:
    1- Pra evitar contrangimentos desnecessários na tropa (já pensou vc tomando banho pelado sabendo que ao seu lado tem um companheiro que sente atração por homens?)
    2-Porquê acho que esse tipo de prática não dignifica as Forças Armadas.

  • Sergio Roberto Santos

    Existe um detalhe que os comentaristas do seu Blog não estão entendendo.Esta medida não torna os militares americanos gays, eles já são gays.
    Apenas eles vão poder se declarar homossexuais o que não vai fazer as forças armadas americanas mais fortes ou mais fracas.
    Mesmo com esta medida muitos homossexuais vão continuar escondendo a sua opção sexual.

  • Pedro Luiz Moreira Lima

    Sergio Roberto:
    Tem total razão em sua observação!
    Para lembrar aos participantes – a vida militar é braba – quem quiser seguir carreira precisa sujeitar a regulamentos,transferencias e por aí.
    Independente da sexualidade – precisamos apenas saber se têm ou não aptidão para a vida militar.
    Quero lembrar de uma reportagem do History Channel sobre pilotos da RAF homossexuais que lutaram durante a Batalha da Inglaterra – como disse ter ou não carater,coragem independe de sexualidade. Em relação ao massacre cometido por soldados HOMO da OTAN.