Fiz mestrado e doutorado em revistas com ele, Thomaz Souto Corrêa.

Um gênio, uma inteligência aguda, um senso de humor extraordinário, um cavalheiro impecável, com quem tive o privilégio de trabalhar de forma muito próxima por mais de dez anos — e de conviver por mais de vinte.

Excetuado o caso de VEJA, de que tratou pessoalmente Roberto Civita, acionista controlador e presidente da Editora Abril até sua morte, em 2013, todas as outras revistas da empresa que deram certo e prosperaram tiveram o dedo de Thomaz na origem e/ou na consolidação.

Durante boa parte de suas cinco décadas na Abril ele foi vice-presidente executivo e diretor editorial. Aposentou-se entre aspas, porque depois disso, além de continuar como vice-presidente do Conselho Editorial da companhia, e já afastado de funções executivas, dedicar-se com afinco ao que mais gosta — discutir qualidade editorial com diretores de Redação, como uma espécie de consultor de luxo.

Afinal, não é todo dia que um jovem editor dispõe de um bom par de horas para debater sua revista com alguém respeitado internacionalmente — não por acaso, foi presidente da Fédération Internationale de la Presse Périodique (FIPP), que reúne editores de revistas de todo o planeta.

Tendo atuado em Veja entre meados dos anos 70 e meados dos 80, eu conhecia apenas superficialmente TSC, sigla pela qual é conhecido entre amigos. Aprendi a tirar o chapéu para ele quando, deixando uma breve passagem pela antiga IstoÉ como redator-chefe, voltei à Abril para exercer a mesma função em Playboy a convite do diretor que marcou definitivamente a revista: Mário Escobar de Andrade, precocemente falecido no começo dos anos 90.

Thomaz, cuja agenda é carregada como a de um chefe de Estado, conseguia um considerável tempo para dedicar sua preciosa atenção a Playboy, revista que lhe merecia carinho especial por ter sido ele o responsável por trazê-la ao Brasil. Ele se fazia presente em reuniões com a Redação, em conversas com os editores, que convocava para sua sala, em bilhetinhos e lembretes e em pajelanças em torno de um bom jantar.

Deixei a revista e a Abril em 1985, rumo a um inesquecível período no Jornal do Brasil, andei por outras paragens e retornei sete anos depois, em 1992, para assessorar TSC como seu adjunto. As incontáveis reuniões de trabalho de que participei junto a ele equivaleram a um PhD — ele próprio se surpreendia com a quantidade de anotações que eu fazia enquanto as coisas andavam.

Depois de dois anos como seu adjunto, atendi a uma convocação sua e assumi Playboy como diretor de Redação. Graças ao apoio da Abril, à permanente linha direta com ele, Thomaz, e à esplêndida equipe de que pude dispor, vivemos cinco anos gloriosos, tanto no plano jornalístico como no comercial: a revista obteve 9 de suas 10 maiores vendas em bancas em todos os tempos entre 1994 e 1999.

Um post é pouquíssimo para relatar o quanto a convivência com ele me enriqueceu profissional e profissionalmente. (CONTINUA)

DEIXE UM COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

20 + nove =

TWITTER DO SETTI