Dia 20 de fevereiro de 1991. Faltavam 23 dias para o governador Orestes Quércia deixar o posto, e ele, como sempre sequioso de poder, era candidato a presidente nacional do maior partido político do país, o mais influente no Congresso — PMDB.

O diretor responsável do Estadão, Julio de Mesquita Neto, o “dr. Julio”, não suportava Quércia — tanto por suas práticas políticas e administrativas como pelo fato de que o governador o estava processando por injúria, calúnia e difamação.

O homem, porém, era importante. Saía do governo de São Paulo para comandar o partido que dava as cartas no país — sua eleição estava mais do que assegurada, pois detinha mais do que os votos de que precisaria e enfrentaria um adversário simbólico, o governador do Paraná também em final de mandato Alvaro Dias, naquele então sem grande projeção nacional.

A entrevista, portanto, se impunha. Havia, porém, que dobrar o dr. Julio, e tivemos, o Augusto Nunes, diretor de Redação, e eu, editor-chefe, que empreender uma negociação. O resultado: se Quércia disporia de uma página inteira de perguntas e respostas, ainda mais na edição nobre do domingo seguinte (estávamos em uma quarta-feira), que se concedesse o mesmo espaço a seu adversário.

A entrevista, com foto de Rogério Assis, figurou no Estadão do domingo, inclusive com perguntas pouco cômodas para o governador, que incluíam escândalos financeiros e sua suposta e famosa caixinha com contribuições de empreiteiros.

Esperto, ele escapou a seu modo, embora creia que o leitor conseguiu captar muita coisa nas entrelinhas.

Um detalhe: a foto contém uma ironia, pois atrás do governador pendia um quadro retratando o ex-governador do Estado e ex-presidente da República Rodrigues Alves, que se caracterizou por grande rigor fiscal. Quércia foi justamente o contrário, um gastador emérito.

Se quiser ler a entrevista, clique aqui.

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